domingo, 18 de agosto de 2013

MANADA

Eu preciso ir para um mundo
Onde todas estas coisas
São valorizadas:
A arte, pura e verdadeira, o sorriso
Onde possa pegar meu lápis e minha caderneta
E anotar o que aprendo e observo
O que deduzo e vejo
Enquanto escondido em meu coração
E dos olhos de todos
Ouço em silêncio
A Fuga IX de Bach
Reprodução

Eu preciso deixar este mundo
Mas não posso fazê-lo sem culpa
E como pode alguém feito eu, uma ave que voa livre
Deixar se convencer, não pelo óbvio, mas por suposições alheias
Sempre melhor uma palavra que duas
Situações, enganos, emoções
Sempre podem ser descritas doutro modo
Lições, que se aprende, errando, tentando, errando
Porque, observe a natureza
Não há outro modo de evoluir que não seja refazendo, recomeçando
Meio-dia, e, agora, mais do que nunca se repete a epifania de todos os dias:

Eu preciso criar um outro mundo
Novo, moderno, lindo, perfumado, vistoso, acolhedor
Porque este onde vivo, acha-se em escombros
E já cansei sinceramente de clamar aos céus que tudo vê
O devido socorro ao filho da viúva
Devido e merecido socorro
Mas, como eles me acharão, vestindo outros trajes, falando outra língua,
Em meio uma manada desgarrada de elefantes, que se acham humanos?




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