quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O PAPA É POVO

Quando esta crônica chegar aos olhos sempre atentos do leitor, o Papa Francisco já estará respirando os ares de Roma novamente.

Em apenas alguns meses exercendo o mais alto e importante cargo da Igreja Católica Romana, o argentino Jorge Bergoglio já conseguiu com seu jeito simples, amigo e bonachão conquistar a simpatia mesmo das pessoas que professam outra fé religiosa. E mais significativo que a simpatia é o respeito e a credibilidade que transmite com sua palavra de otimismo e esperança.
O Papa Francisco aderiu rapidamente e sem maiores dificuldades ao que parece aos modernos meios de comunicação, com as redes sociais, por exemplo.
Seus pronunciamentos aos jovens durante a Jornada Mundial da Juventude mais se parecem recados do tipo auto-ajuda, mas essa é a linguagem que jovem acolhe e sabe compreender porque é simples, valoriza o amor, a esperança, o bem.
Sob essa perspectiva, e os jovens parecem assimilar isso perfeitamente, praticar o bem, evitar os vícios destrutivos, perseverar no bom caminho e agir em favor da vida, não deve ser motivo de vergonha, mas de satisfação e felicidade, por saber que mesmo em meio a um mundo tão conturbado como o nosso, é possível trilhar o bom caminho, aquele que une as pessoas ao invés de afastá-las, criando assim, um ambiente salutar, uma atmosfera favorável ao bom e pacífico convívio, em que todos podem de fato serem irmãos e se ajudarem.
Quando caminha em meio ao povo, o Papa assim o faz porque o Cristo o fazia.
Que bom seria se a Igreja Católica Romana se despojasse de seus ritos inúteis e dogmas in compreensíveis, alguns que chegam a afrontar a razão, e tomando por princípio a Boa Nova do Cristo se dispusesse a ser mãe de verdade e tão somente, ou seja, cuidasse de acolher com amor e compreensão e sem distinção os seus fiéis e todos aqueles que desesperançados em face os reveses da vida a procurassem rogando-lhe socorro.
O bom pastor, já nos ensinava Nosso Senhor Jesus Cristo há mais de 2000 anos é aquele que tem olhos e braços abertos para todas as suas ovelhas, até mesmo a mais desgarrada do rebanho.
Uma pessoa em dificuldade moral que se deixa levar por suas más tendências é um espírito fragilizado a requisitar cuidado, carinho, atenção. São doentes da alma, mais que qualquer outro, que necessitam de remédio, não aquele se compra na farmácia, mas que vem do amor ao próximo de todo aquele que se vê sensibilizado perante o sofrimento alheio e disposto a ajudar.
E o Papa Francisco parece compreender isso muito bem, quando faz seus pronunciamentos.
Religiões são muletas. E enquanto espírito vivenciando a experiência humana, que é ao mesmo tempo escola e oportunidade às nossas aspirações e necessidades de aperfeiçoamento moral, nós precisamos delas até que aprendamos a caminhar sozinhos. Isto se dá quando Deus deixa de pesar sobre nós, sobre as nossas consciências e ao invés disto nos sustenta de pé e nos impulsiona adiante.

A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é a Igreja do Amor, da Esperança, da Paz e do Perdão, e exatamente por isso, todos os cristãos sejam católicos, evangélicos ou espíritas, neste tempo, mais que em qualquer outro, devem se unir e se fortalecerem na sua fé na Boa Nova do Cristo.

* Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 02/08/2013, à pág. 2.

Um comentário:

  1. Bom texto Geraldo, só que a religião no Brasil é impulsionada pela mídia doutrinadora, que transforma a fé em plataforma política para promover a "dislexia' das mazelas públicas.
    Infelizmente nós brasileiros, somos cristãos "mecânicos", ou seja só praticamos a fé, quando nos apraz.

    Mesmo assim, nada tira o brilho de sus crônicas...Abraços!!

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