segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DORES LUSÓFONAS

Estou me perdendo
Deixando-me levar pelo corredor escuro, infinito
Deixando-me tragar por um abismo conhecido
Perdendo-me sem nenhum esforço
Nas mesmas dúvidas,
Nas mesmas divagações
De desde sempre
Estou me deixando ir
E de novo você se pergunta:-
Como pode tanta luz
Ofuscar o caminho
Abreviar o tempo
Estabelecer o medo
Alimentar a revolta, o ódio
Sem o qual nada faz sentido
Porque nada faz sentido a todo aquele
Que ousa o passo adiante
Ah, meu irmão!
Neste cenário tosco, imundo e de fachadas,
Só você lê a minha mente e perscruta meu coração,
Porque forjados no mesmo fogo, fomos... somos
E bebemos do mesmo sangue, ébrios de dor
E comemos das mesmas vísceras, sem matar a fome
Agora, imponentes, só nos resta
Mirar o cadafalso
Passos firmes nos conduzirmos confiantes
Ao rufar dos tambores, ao clamor das trombetas
Sem receio, sem lágrimas e soluços, em silêncio, altivos
Caminhar
Sob olhares hodiernos, rancores de outrora,
Confiantes
Entregar-se à verdade
Desnudar-se à realidade
Dar adeus à noite, encontrar de volta o dia
E revelar os mais nobres sentimentos, ocultos
Àquilo que poetas e deuses chamam de vida
Profetas de promessa
E vitoriosos: de mentira.


(Noite, vento no rosto, e muitos passando ao meu lado)

Um comentário:

  1. Grande Geraldo...é por isso que: " A tarde demora a passar" , belas estrofes que regem a sinfonia da literatura...Belo trabalho amigo...Abraços!!!

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