sexta-feira, 11 de outubro de 2013

SUCÍDIO: DESISTA DA IDEIA

A Sra. M. lançou-me um olhar demorado e sugestivo ao final da reunião, e logo percebi que não era exatamente ela quem me olhava.

Tudo bem, pensei, vamos lá.
Então, me aproximei, e ela foi logo perguntando se eu entendia como um ato de coragem o suicídio.
Puxa! Justo para mim, esta pergunta, a qual, tantas vezes eu me fiz.
E eu lhe respondi que não. Que no meu entendimento era justamente o contrário. Que as pessoas que decidiam por abreviar a própria vida como se com isso pudessem interromper o seu sofrimento não eram corajosas, mas, covardes.
E antes que ela me fizesse qualquer outra pergunta, olhou-me desapontada, e enquanto me olhava assim, eu prossegui:
Veja, disse-lhe, Deus é Pai, e nunca nos coloca sobre nossos ombros um fardo mais pesado que as nossas forças.
Ela pareceu concordar com a resposta, que não era minha, apenas citação de uma passagem evangélica,  e continuou atenta ao que eu lhe dizia:
Não estamos no mundo para amealhar tesouros que a traça corrói e o ladrão rouba. Até porque estamos aqui de passagem. A Terra não é o nosso destino. A vida humana não é a nossa origem e muito menos a nossa essência. Somos Espíritos. Eternos e livres. Embora responsáveis por nossos atos. E responsáveis até mesmo pelo que pensamos, porque não se esqueça, a linguagem universal do Espírito é o pensamento. E nesse sentido, influenciamo-nos uns aos outros.
Acha que estou sendo influenciada? – ela perguntou, de chofre.
Certamente. Lembre-se que os afins se atraem e os diferentes se repelem. Se você se eleva em pensamento e sentimento, em atitudes, os maus não te encontram, porque não conseguem vê-la. Mas se você se rebaixa até eles, no mesmo nível mental e sentimental em que eles se localizam, é lógico que estará ao alcance deles.
O que devo fazer em meio a tanto sofrimento?
Tenha fé. A fé é o alimento da vida. Do corpo, porque nos estimula ao trabalho edificante, que torna a nossa vida útil. E da alma, porque nos dá a certeza de que somos filhos do Deus que habita em nós. E irmãos de Jesus, o Cristo, nosso mestre, que caminha ao nosso lado, não importa onde ou como estejamos.
A Sra. M. tomou minha mão e sorriu-me em forma de agradecimento, levantou-se e deixou o recinto, partindo em direção a sua casa, não muito distante dali, de mãos dadas com seu marido, que, pacientemente a esperava lá fora.
Não se iluda caro leitor. A única coisa que você consegue com o suicídio é pegar o elevador e descer mais lá pra baixo ainda. Não é solução para a dor e nem para o sofrimento. Jamais será. É sim um terrível engano, que custa tão curo, e que demanda tanto tempo (que poderia ser melhor aproveitado), para se livrar das suas consequências.


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