domingo, 29 de junho de 2014

MAIS UM FILME ESPÍRITA EM CARTAZ NOS CINEMAS

(Causa e Efeito é o segundo longa metragem do cineasta André Marouço)
Por Geraldo J. Costa Jr.
Se o cinema espírita seguir os passos da literatura espírita, em breve, teremos no Brasil, mega produções do gênero.

Depois do sucesso do filme que conta a história do médium Chico Xavier, protagonizado por Nelson Xavier, e mesmo de obras de menor orçamento como Dr. Bezerra de Menezes, o diário de um espírito, com Carlos Vereza no papel principal, e As Mães de Chico Xavier, além de outras produções, mais um passo nessa direção será dado no dia 3 de julho quando ocorre o lançamento em nível nacional do longa metragem Causa e Efeito do cineasta André Marouço. No elenco Matheus Prestes, Luiz Serra e Rosi Campos, entre outros. Veja aqui o link do trailer oficial: http://www.youtube.com/watch?v=wPx-lKwkZs0 disponível na internet.
O filme fala sobre as causas das aflições, e a trama foi criada com base no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec. Primeiro filme espírita absolutamente autoral, produzido pela Mar Revolto Produções, em parceria com a Mundo Maior e Estação Luz Filmes, Causa e Efeito  conta a história do policial Paulo, cuja vida sai da rotina, quando ele perde a esposa e o filho em um acidente causado por um motorista alcoolizado. Revoltado, pelo fato do motorista não ter sido preso, Paulo resolve tornar-se um justiceiro. Ao receber a proposta para matar uma garota de programa, ele se comove com a história dela e ambos resolvem fugir. Na fuga, o casal se apaixona e juntos reajustam suas condutas de vida, auxiliados por um trio de religiosos: um padre, um pastor e um espírita. Ao longo da trama os protagonistas alcançam o amor, a paz e a iluminação encontrando respostas para os seus dramas, cujas causas remontam a uma encarnação passada.
Em 2011, André Marouço já havia escrito e dirigido O Filme dos Espíritos seu primeiro longa metragem, vencedor na categoria  roteiro do Prêmio SESC de Melhores Filmes.
Paulistano, André Marouço, 44, é formado em Marketing pela Universidade Paulista. Já trabalhou na TV Cultura e na Rede Globo, onde atuou como assistente e operador de câmera e diretor de fotografia. Coordenou o projeto Mundo Maior de Cinema que permitia a jovens cineastas a experiência de produzir curtas-metragens.
O fato de Causa e Efeito ser lançado justamente em um período de Copa do Mundo não assusta o cineasta, ao contrário o motiva, porque entende que milhares de pessoas de várias nacionalidades estarão presentes no Brasil e poderão assistir ao filme. Além disso, não há previsão de lançamento de nenhuma grande produção cinematográfica nesse período considerado atípico pelas produtoras norte-americanas, devido o evento esportivo.
Interessado que o filme alcance o mesmo sucesso de outras produções do gênero e permaneça em cartaz nas salas de cinemas por muito tempo, integrantes e adeptos do Espiritismo tem se movimentado nas casas espíritas e nas redes sociais a fim de divulgá-lo e despertar o interesse do público em geral. O próprio cineasta André Marouço tem percorrido o país proferindo palestras com objetivo de divulgar o longa metragem (Aqui o link: http://www.youtube.com/watch?v=O6063Mqommk).

Para a Doutrina Espírita a Lei de Causa e Efeito é uma das leis divinas, portanto imutável e perfeita, e tem por objetivo o bem da criatura humana e não possui caráter punitivo. Dispondo de liberdade para escolher e agir conforme sua vontade e evolução moral, o ser humano estará sujeito à reação natural resultante de seus atos. Ou seja, receberá da vida o que der a ela. Porém, como diz o anúncio do filme, perdoar é uma conquista dos fortes. Na visão espírita é possível reparar os erros semeando o amor e praticando o bem. Em tempos como o nosso, essa máxima soa como um bálsamo de alívio e esperança. O filme Causa e Efeito procura demonstrar isso. 
* Artigo publicado no Jornal Aquarius, edição No. 124, Julho/2014.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

SEM SOLUÇÃO

Quando eu tinha ainda 19 anos de idade e todas as ilusões do mundo, um senhor companheiro de trabalho, o Sr. C., pessoa já muito vivida, experiente, de grande conhecimento em termos sócios culturais e políticos, vendo o ímpeto com o qual eu debatia minhas ideias, ele esperou que eu terminasse a discussão, e, depois, chamou-me para uma conversa reservada. Disse-me ele: “Muito louvável de sua parte, eu também já tive a mesma idade que você e as mesmas ilusões. Mas, vou lhe dizer uma coisa e não me leve a mal: Não adianta. E não adianta, porque todo homem tem seu preço”.  Confesso que à época refutei a afirmação. Hoje, não tenho a menor dúvida em relação a ela. E devo admitir que o Brasil com toda a ignorância e alienação de sua gente muito contribuiu para isso. Na política brasileira, todos têm seu preço, todos se vendem, sem o menor escrúpulo. As pessoas que se interessam por política são aquelas dispostas a tudo. Ousam afirmar que isso é do jogo político. Jogo? Ao se admitir que política é um jogo então se admite a possibilidade da trapaça. Que tipo de política vai resultar disso? Essa que se tem no Brasil, que, aliás, sempre se teve. Servir ao povo por meio do poder político obtido democraticamente através da vontade da maioria expressa no voto, jamais. O que prevalece é servir-se do povo por meio do poder político “obtido democraticamente” através da vontade da maioria expressa no voto.
Quando se vê uma sigla (me recuso a chamar de partido) como o PP declarar apoio à dona Dilma em nível nacional, rejeitando a candidatura do deputado Bolsonaro e através do Sr. Paulo, apoiar o Sr. Padilha ao governo do estado, conclui-se (como se isto já não fosse possível antes) que coerência e ética político partidária é simplesmente uma ofensa em se tratando de Brasil, onde, como dissera anos antes meu estimado companheiro de trabalho o Sr. C., todo homem tem seu preço. Que preço!
Pra pior, se possível seja, o foco do debate eleitoral presidencial deste ano será: quem é menos ladrão? As soluções para os insanáveis problemas que atinge a todos os brasileiros: segurança, educação, transporte e saúde pública virão das promessas elaboradas pelos gênios marqueteiros com suas lindas e comoventes campanhas onde não faltarão testemunhos emocionados e musiquinhas pegajosas e piegas, desprovidas de bom gosto.
Eu não sei vocês, mas estou enojado de tudo isso. Não darei meu voto a ninguém. Até porque não aprovo o atual governo e não vejo oposição que justifique o termo. Uma vez que todos os candidatos são alinhados à esquerda. Pois a direita no Brasil só existe no museu (por enquanto) e na iniciativa de alguns idealistas do meio da comunicação social e da cultura, que se expressam na internet, o que não é o bastante para promover qualquer tipo de mudança, sequer de pensamento dominante.

Mesmo que, em considerando um cenário utópico, a mudança fosse possível e de fato ocorresse, não seria garantia de que traria benefícios ao povo. E isto porque as pessoas de bem, de boa índole, moral ilibada, que agem com ética não se interessam por política, portanto não ocupam espaço nos quadros políticos, e quando tentam fazê-lo são pressionadas a renunciar suas melhores intenções, através de um processo constante e agressivo de convencimento por parte das velhas cobras jararacas que usam da política para o seu próprio benefício e benefício dos seus.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O SOL SE PÕE

De Geraldo J. Costa Jr.
Iniciado em 17/09/2011 –  às 17h02.

O lugar tinha a alcunha de A Cidade Azul, embora eu não entendesse o motivo.
Havíamos chegado aos bandos, estropiados, doentes, famintos. E tais desgraças fizeram com que muitos de nós, em um breve espaço de tempo sucumbíssemos à uma atmosfera de marasmo, inércia, que, feito vírus letal foi se espalhando por nossa consciência, nossos sentidos, nos envolvendo num torpor que, aos poucos, ora nos tragava para um abismo sem fim, uma escuridão assustadora; ora, nos conduzia à contemplação submissa de retratos, réplicas de situações e construções, eternizados diante de nossos olhos; como se o tempo não passasse, as pessoas e as coisas não se movessem, a vida não existisse ou estagnada estivesse por algo maior e mais poderoso que a própria vontade de Deus.
Todas as manhãs eu descia aquela rua até chegar ao outro lado do vale, a parte alta, onde ficava o lugar que mais se parecia com um hotel decadente. Cruzar a longa avenida sinuosa, em cujo canteiro central escondia-se um córrego canalizado não era problema. E saber disso, foi o primeiro momento de satisfação, o único depois de muito tempo, que experimentei desde minha chegada àquele lugar.
No hotel decadente, muitos não passavam da porta de entrada, não por falta de mérito, mas por absoluta falta de fé, de acreditar que as coisas poderiam começar a ser diferentes, melhores.
Acostumado a toda má sorte e humilhação, infortúnio e penúria, mesmo assim eu me comprazia daqueles homens e mulheres, jovens e velhos, crianças. Vindos de toda parte. Atraídos pela energia amorosa, restauradora, aconchegante, atraente e irresistível que envolvia aquele lugar, tão imenso para os nossos olhos, tão imenso, alto demais, que parecia não ter fim, apesar de sua única porta de tamanho apropriado para o acesso de uma girafa caso fosse necessário.
Porém, antes de conhecer aquele abençoado lugar, casa de oração, pronto socorro dos falidos na fé e no amor, conheci outros, naquela mesma cidade, e não muito distantes daquele. O mais assustador e deprimente ficava na direção em que o sol se levanta. Não era habitado ou sequer visitado pela espécie humana havia muito tempo, mas tinha vida. Era um lugar em que os raios de sol para alcançar o chão precisavam com toda determinação só perceptível aos poetas que declinam no papel as suas dores, rasgar as copas das árvores altas e de troncos enormes, que nem uma dezena de homens conseguiria abraçar. O lago, escondido pela neblina de cada manhã, tinha ares de abandono. Em seu leito, perdiam-se enormes galhos de paus d’água, arrancados pelo vento, geralmente ao final de tarde e com mais frequência durante a noite, quando o vento tornava-se mais forte como se soprado fosse pela desilusão de muitos transformada em revolta.
Tomei a estrada distante dos demais e segui caminhando, sozinho, tentando não pensar em nada, afugentando de mim aquelas lembranças que ganhavam uma atmosfera de medo e incerteza à medida que se aproximava a noite.
Minutos se passaram sem que eu me desse conta, observando apenas a claridade entre os eucaliptos que iam aos poucos abandonando o chão jamais pisado pela espécie humana.
Em dado momento durante o percurso um córrego ali perto, próximo à margem da estrada despertou-me atenção e senti-me tentado a tomar o atalho entre os eucaliptos que me levaria até ele.
Resisti. Porque o medo se fizera maior. O medo de deparar-me de novo com a morte. Porque diante de meus olhos estava a cena que me acompanhava desde criança. Meu pai, usando de todos os recursos disponíveis que a medicina lhe permitia, e com desespero, força, suor e determinação, o máximo de sua fé, tentava trazer ao mundo aquele bebê índio, filho de um casal, muito estimado amigo seu.
Vi o impossível para a minha fé inabalável. Vi meu pai perder a batalha, O bebê veio ao mundo, sem chorar, sem se mexer, sem vida.
Nada pude senão em silêncio conter as lágrimas. Mas a tristeza, a falta de esperança e iniciativa do índio amigo de meu pai, e pai do natimorto permanecem até hoje na minha lembrança. O momento em que ele, o índio, deixou a cabana onde vivia com sua família, e retirou-se para dentro da mata, indo perder-se à margem de um córrego onde sentou e permaneceu até o cair da noite, sem ao menos perceber a minha presença à distância, a observá-lo, ouvindo seu lamento, que, embora longe, ia penetrando minha alma, torcendo-a como um novelo de linha, daqueles que minha mãe usava para fazer seus trabalhos de tricô e crochê.
Eu tinha 9 anos de idade, talvez um pouco menos.
Quê importa isso agora? Nada.
Aos 9 anos de idade, eu tinha um caminho a seguir  e que me levaria de volta para casa. E essa é toda a diferença, entre aqueles dias, e os dias de hoje.
Mesmo assim, evitei o atalho que me levaria ao córrego, e segui adiante, por aquela estrada, forrada por folhas de eucaliptos.
Ao alcançar a ponte, parei um instante, e fiquei a observar as águas do rio, vencendo as pedras, contornando os obstáculos, sobrepujando os troncos das árvores, levando consigo as algas, para longe. E acreditei por um momento que poderia me precipitar naquele rio, por onde, talvez, com um pouco de sorte, poderia encontrar o rumo de casa.
Mas todas essas ideias eram vencidas facilmente pela realidade, algoz impiedosa da esperança.
Já era noite e eu ainda não havia vencido o longo percurso que me levaria à área urbana da cidade.
Podia ouvir os chacais ao longe, e deveria por esse motivo alcançar logo o obelisco e, em seguida, logo em seguida, o pátio da estação ferroviária, desativada, morta, esquecida, mas que nos servia de refúgio e esconderijo.


domingo, 15 de junho de 2014

VOZES

Qualquer empreendimento que gere custo necessita de investimento. Quem investe espera e deseja recuperar o que investiu e obter lucro. E isso vale para todo e qualquer setor de atividade humana, seja político, esportivo, científico, cultural, artístico, religioso. Enquanto a maioria das pessoas não entenderem isso vão continuar esperando pelo salvador da pátria, pelo messias, e acreditando naqueles que se insurgem no meio da sociedade dizendo serem detentores da verdade. Ou seja, ficará tudo como está. – Geraldo J. Costa Jr. – 15/6/2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

BRASIL UM PAÍS DE TODOS, SÓ QUE NÃO.

A pergunta: como um país que consegue realizar uma Copa do Mundo não tem capacidade para resolver os problemas de saúde, educação e segurança pública?
A resposta: Tem sim. Afinal, o país produz riqueza e gente qualificada, trabalhadora, honesta e disposta. Mas não deseja as necessárias soluções. Porque tais pessoas, por princípio moral, ou mera opção, não exercem nenhum poder para tanto.
Ademais, esses mesmos problemas que, em algum momento, atinge o cidadão independentemente do seu nível de instrução e sua classe social é que justificam o discurso de quem exerce o poder político e de quem pretende exercê-lo.
A prática da política, no Brasil, está no tempo das caravelas, a ponto de a maioria das pessoas que atuam no meio aceitar sem nenhuma indignação de que a troca de favores, a recompensa por meio de cargos em decorrência de apoios declarados, sejam apoios logísticos, financeiros ou moral (?) justifica os erros cometidos contra o erário e contra os interesses da maioria da população de modo a prejudicá-la e a impedir a melhora na sua qualidade de vida.
Pior, torna-se aceitável que invadir e depredar instituições como universidades, seqüestrar, roubar e matar seja prática lícita, desde que motivada por uma causa política. No placar dos valores humanos, a ética e a moralidade perdem de goleada para o egoísmo e a corrupção.
Se a classe política, no Brasil, é em sua maioria esmagadora corrupta e alienada, se nenhum, nenhum mesmo, partido político, represente os interesses da nação, embora desfrutem todos de importância e influência nos rumos da sociedade, é porque a própria sociedade é em sua maioria corrupta, e enaltece essa prática, confundindo esperteza com jeitinho. Amizade e interesses comuns como meritocracia.
O Brasil é um país que admira seus vilões. Só isso justifica a passividade da nação diante do modo leviano e corrupto de se fazer política independentemente de qual partido exerça o poder.
Porque é isto o que se observa seja em nível municipal, estadual e federal. Aliás, o tamanho do Brasil e tudo o que de ruim isso implica seria um dos principais fatores que impede o seu progresso harmonioso. É como a história dos pais que não são capazes de cuidar e educar um filho e vivem perpetuando a espécie humana indefinidamente. Ou o cidadão que não ganha o suficiente para manter a casa enorme onde mora.
Os partidos políticos não orientam o cidadão, não apontam rumos, não lhe oferecem propostas ou alternativas que tenham base ideológica qualquer que seja. No máximo elaboram listas de intenções, cuja viabilidade esbarra no emaranhado de leis e no labirinto claustrofóbico e desestimulante da burocracia. A cada quatro anos, feito escolas de samba apresentam seus desfiles renovados e repletos de fantasias, nem música falta, em busca da consagração popular que legitime o exercício do poder. E uma vez exercendo-o distanciam-se daqueles que lhe concederam os mandatos. Passam a se ocupar dos seus próprios interesses e dos interesses daqueles que o apóiam.
Fica a dúvida se o brasileiro é mesmo um cidadão pacífico e ordeiro, ou se é otário mesmo. Porque não se encontra paralelo na história recente da humanidade. Países miseráveis, da cabeça aos pés, países que viveram sempre sob a tirania de governos déspotas se rebelaram e se rebelam a ponto de culminarem em uma guerra civil o que evidentemente não é o melhor caminho. Mas o brasileiro, seja pacificamente, seja beligerantemente, nunca foi capaz de promover as mudanças necessárias para o progresso da nação, embora sempre tenha vivido em um clima de liberdade e quem a teve ameaçada ou abolida temporariamente, era porque se opunha a um regime que, naquele momento da História se fazia necessário, e por essa razão, referendado fora pelo clamor popular, é bom que se refresque a memória.
O Brasil sempre produziu riquezas, mas nunca foi capaz de tomar as rédeas do destino em suas mãos. Espera-se dos governos a solução dos problemas. Mas nunca houve e jamais haverá interesse por parte dos governantes nesse aspecto, porque os problemas precisam existir, para que se justifique a existência dos governos.
A sociedade ideal, entretanto, não dependeria de governo para nada. Mas isso exigiria um nível de moralidade, de espírito altruísta, de fraternidade, senso de bem comum, o qual a sociedade brasileira ainda não possui. Daí a classe política ser o seu mais fiel retrato. Porque a segunda é o efeito da primeira.
Se o cidadão pode estudar e trabalhar, se pode se unir com seu semelhante que o faça então e tome as rédeas do seu destino, por que da parte do presidente da república, do governador, do prefeito e até do vereador (embora esta não seja a sua função) a solução dos problemas que o aflige jamais virá.
Pagar os impostos e as contribuições não é pagar salários para os que exercem mandatos nos poderes executivo e legislativo, embora dessas fontes se originem não apenas os salários, mas as mordomias com as quais são agraciados os políticos no exercício do poder. Embora, eles, em sua maioria não as considerem suficientes, a ponto de assaltarem o dinheiro e a riqueza que ao povo pertence.
No próximo outubro haverá eleições para presidente da república, governador, deputados e senadores. O que vai mudar? Nada. Independentemente de quem vença a disputa. Todos os pré-candidatos estão comprometidos com o ideário e interesse esquerdista. Portanto, não haverá a alternativa para uma mudança de rumo. Só isso já empobrece a disputa e diminui mais ainda o espaço para a organização e a mobilização de segmentos que pensem diferente destes que hoje comandam politicamente o país. Ou seja, a direita que seria o contraponto à esquerda indispensável à democracia no Brasil, inexiste. O que existe é a verbalização de ideias e ideais nesse sentido, no ainda reduzido espaço do mundo virtual proporcionado pela internet que não atinge a maioria das pessoas, e não se faz entendido como deveria por aqueles que o acessam.
Falta uma didática esclarecedora e um discurso convincente por parte da direita brasileira, o que sobra na esquerda, que vem construindo os seus, desde os tempos em que era oposição, dominando importantes segmentos da formação cultural de um país, por exemplo, as universidades, a classe artística e a imprensa.
O ônus que se parece insuperável à direita brasileira, é que ela fracassou ao longo da História corrompida em seus ideais de liberdade, por vícios oriundos de um egoísmo exacerbado, uma mentalidade elitista como se ela fosse a única razão de ser de uma nação. Quem fracassa carrega o peso da desconfiança das pessoas.
Nos últimos 40 anos, o brasileiro acostumou-se a ver e a assimilar as propostas políticas esquerdistas, sobretudo através da televisão e da música, mas também, embora muito menos, da literatura, do cinema e do teatro. Tanto as viu e as assimilou que não teve nenhuma dificuldade em aceitar as fantasias e as mentiras veiculadas pela propaganda e pelo discurso daqueles que hoje governam o país.
Não há no Brasil um único partido político que possa ser considerado como bandeira e defesa da liberdade comercial, cultural ou qualquer que seja.
Caminha-se velozmente para uma dominação e controle cada vez maior do estado sobre o cidadão. O primeiro passo é introduzir lenta e gradualmente, ideias e ações que visam modificar seus hábitos e costumes na medida em que destrói valores considerados inalienáveis pela sociedade do mundo ocidental, a família principalmente.
Não é o caso de estimular a tolerância da maioria em relação às minorias. Mas de submeter a maioria ao modo de vida das minorias. Não se deseja, como se vê a convivência fraterna entre os diferentes, o que se busca é a vingança, como se esta geração e as seguintes fossem culpadas pelos erros das gerações passadas.
Não há horizonte que proporcione ânimo ou esperança para aqueles que não se conformam com o atual estado de coisas. A sensação de impotência é evidente. A mudança de mentalidade que poderia levar às ações restauradoras passa pela educação pública, atualmente falida e entregue às mãos dos rancorosos e mal intencionados a serviço do atual poder político que se pautam pelas estúpidas ideias do método sócio-construtivista de ensino.
Antes de reconstruir a esperança de uma nação é preciso convencê-la de seus equívocos, do estrago feito e da necessidade de mudança. Isso é papel que cabe à oposição política. Mas no Brasil, ela inexiste. O caminho que resta ao brasileiro é educar-se por si mesmo, porque da parte dos governantes jamais terá tal oportunidade.

Se for verdade que insatisfeitos promovem as mudanças, certamente ainda estão por nascer no Brasil. Porque não é com passeatas e protestos, iniciativas resultantes da ignorância como as verificadas atualmente que virão as mudanças. Não é empunhando faixas, cantando hino nacional, bloqueando as ruas e avenidas, colocando fogo em pneus. É educando-se. E assim vendo e compreendendo a realidade. Mas esse é apenas o primeiro passo. Enquanto país e nação, o Brasil ainda está por nascer. Talvez um dia aconteça.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

PÁGINA DOIS

E você se lembrará de todas estas coisas
E talvez em algum momento
Elas digam algo ao teu coração
Talvez lhe permitam entender o que faltou
Imaginar como tudo poderia ter sido
Diferente de tudo vivido
Caminhando você então perceberá
Que as coisas caras da vida duram um só segundo
Que tudo mais é esboço de uma felicidade
Jamais conhecida e
Por isso mesmo tão desejada
Observando como tudo passa tão rápido
Irá entender que o que estava tão perto
Poderia tê-lo feito experimentar
O sentimento trazido guardado, temido
Escondido na indiferença que tudo disfarça
E que o fará lembrar todas estas coisas
Talvez lhe traga a resposta, a mesma
De um jeito, porém menos rude
Com ares soturnos de sabedoria
Convencendo-lhe que conheceu a felicidade
Enfim,
Até a página dois, ao menos
Porque enquanto caminha e observa
E as pessoas imaginam conhecê-lo
Tudo se repete, forma e conteúdo, os mesmos
Os primeiros e os mesmos erros
Entenderá que se expor
É submeter-se
E revelar é humilhar-se
Que depois do último olhar, o último suspiro, nada
Que o Bom é como céu, está em toda parte e não existe
Fracos e fortes não se misturam
Uns são para a eternidade
A eles pertence o mundo
São destruídos, jamais vencidos
Outros são panos de fundo
Cenários do drama
Em que a vida acontece
Caminhando você observa
E entende
Que tudo é sempre a mesma coisa
E por isso mesmo é coisa nenhuma
A vida é um palco que se desloca no tempo
Sem destino
Sem fim