terça-feira, 10 de junho de 2014

BRASIL UM PAÍS DE TODOS, SÓ QUE NÃO.

A pergunta: como um país que consegue realizar uma Copa do Mundo não tem capacidade para resolver os problemas de saúde, educação e segurança pública?
A resposta: Tem sim. Afinal, o país produz riqueza e gente qualificada, trabalhadora, honesta e disposta. Mas não deseja as necessárias soluções. Porque tais pessoas, por princípio moral, ou mera opção, não exercem nenhum poder para tanto.
Ademais, esses mesmos problemas que, em algum momento, atinge o cidadão independentemente do seu nível de instrução e sua classe social é que justificam o discurso de quem exerce o poder político e de quem pretende exercê-lo.
A prática da política, no Brasil, está no tempo das caravelas, a ponto de a maioria das pessoas que atuam no meio aceitar sem nenhuma indignação de que a troca de favores, a recompensa por meio de cargos em decorrência de apoios declarados, sejam apoios logísticos, financeiros ou moral (?) justifica os erros cometidos contra o erário e contra os interesses da maioria da população de modo a prejudicá-la e a impedir a melhora na sua qualidade de vida.
Pior, torna-se aceitável que invadir e depredar instituições como universidades, seqüestrar, roubar e matar seja prática lícita, desde que motivada por uma causa política. No placar dos valores humanos, a ética e a moralidade perdem de goleada para o egoísmo e a corrupção.
Se a classe política, no Brasil, é em sua maioria esmagadora corrupta e alienada, se nenhum, nenhum mesmo, partido político, represente os interesses da nação, embora desfrutem todos de importância e influência nos rumos da sociedade, é porque a própria sociedade é em sua maioria corrupta, e enaltece essa prática, confundindo esperteza com jeitinho. Amizade e interesses comuns como meritocracia.
O Brasil é um país que admira seus vilões. Só isso justifica a passividade da nação diante do modo leviano e corrupto de se fazer política independentemente de qual partido exerça o poder.
Porque é isto o que se observa seja em nível municipal, estadual e federal. Aliás, o tamanho do Brasil e tudo o que de ruim isso implica seria um dos principais fatores que impede o seu progresso harmonioso. É como a história dos pais que não são capazes de cuidar e educar um filho e vivem perpetuando a espécie humana indefinidamente. Ou o cidadão que não ganha o suficiente para manter a casa enorme onde mora.
Os partidos políticos não orientam o cidadão, não apontam rumos, não lhe oferecem propostas ou alternativas que tenham base ideológica qualquer que seja. No máximo elaboram listas de intenções, cuja viabilidade esbarra no emaranhado de leis e no labirinto claustrofóbico e desestimulante da burocracia. A cada quatro anos, feito escolas de samba apresentam seus desfiles renovados e repletos de fantasias, nem música falta, em busca da consagração popular que legitime o exercício do poder. E uma vez exercendo-o distanciam-se daqueles que lhe concederam os mandatos. Passam a se ocupar dos seus próprios interesses e dos interesses daqueles que o apóiam.
Fica a dúvida se o brasileiro é mesmo um cidadão pacífico e ordeiro, ou se é otário mesmo. Porque não se encontra paralelo na história recente da humanidade. Países miseráveis, da cabeça aos pés, países que viveram sempre sob a tirania de governos déspotas se rebelaram e se rebelam a ponto de culminarem em uma guerra civil o que evidentemente não é o melhor caminho. Mas o brasileiro, seja pacificamente, seja beligerantemente, nunca foi capaz de promover as mudanças necessárias para o progresso da nação, embora sempre tenha vivido em um clima de liberdade e quem a teve ameaçada ou abolida temporariamente, era porque se opunha a um regime que, naquele momento da História se fazia necessário, e por essa razão, referendado fora pelo clamor popular, é bom que se refresque a memória.
O Brasil sempre produziu riquezas, mas nunca foi capaz de tomar as rédeas do destino em suas mãos. Espera-se dos governos a solução dos problemas. Mas nunca houve e jamais haverá interesse por parte dos governantes nesse aspecto, porque os problemas precisam existir, para que se justifique a existência dos governos.
A sociedade ideal, entretanto, não dependeria de governo para nada. Mas isso exigiria um nível de moralidade, de espírito altruísta, de fraternidade, senso de bem comum, o qual a sociedade brasileira ainda não possui. Daí a classe política ser o seu mais fiel retrato. Porque a segunda é o efeito da primeira.
Se o cidadão pode estudar e trabalhar, se pode se unir com seu semelhante que o faça então e tome as rédeas do seu destino, por que da parte do presidente da república, do governador, do prefeito e até do vereador (embora esta não seja a sua função) a solução dos problemas que o aflige jamais virá.
Pagar os impostos e as contribuições não é pagar salários para os que exercem mandatos nos poderes executivo e legislativo, embora dessas fontes se originem não apenas os salários, mas as mordomias com as quais são agraciados os políticos no exercício do poder. Embora, eles, em sua maioria não as considerem suficientes, a ponto de assaltarem o dinheiro e a riqueza que ao povo pertence.
No próximo outubro haverá eleições para presidente da república, governador, deputados e senadores. O que vai mudar? Nada. Independentemente de quem vença a disputa. Todos os pré-candidatos estão comprometidos com o ideário e interesse esquerdista. Portanto, não haverá a alternativa para uma mudança de rumo. Só isso já empobrece a disputa e diminui mais ainda o espaço para a organização e a mobilização de segmentos que pensem diferente destes que hoje comandam politicamente o país. Ou seja, a direita que seria o contraponto à esquerda indispensável à democracia no Brasil, inexiste. O que existe é a verbalização de ideias e ideais nesse sentido, no ainda reduzido espaço do mundo virtual proporcionado pela internet que não atinge a maioria das pessoas, e não se faz entendido como deveria por aqueles que o acessam.
Falta uma didática esclarecedora e um discurso convincente por parte da direita brasileira, o que sobra na esquerda, que vem construindo os seus, desde os tempos em que era oposição, dominando importantes segmentos da formação cultural de um país, por exemplo, as universidades, a classe artística e a imprensa.
O ônus que se parece insuperável à direita brasileira, é que ela fracassou ao longo da História corrompida em seus ideais de liberdade, por vícios oriundos de um egoísmo exacerbado, uma mentalidade elitista como se ela fosse a única razão de ser de uma nação. Quem fracassa carrega o peso da desconfiança das pessoas.
Nos últimos 40 anos, o brasileiro acostumou-se a ver e a assimilar as propostas políticas esquerdistas, sobretudo através da televisão e da música, mas também, embora muito menos, da literatura, do cinema e do teatro. Tanto as viu e as assimilou que não teve nenhuma dificuldade em aceitar as fantasias e as mentiras veiculadas pela propaganda e pelo discurso daqueles que hoje governam o país.
Não há no Brasil um único partido político que possa ser considerado como bandeira e defesa da liberdade comercial, cultural ou qualquer que seja.
Caminha-se velozmente para uma dominação e controle cada vez maior do estado sobre o cidadão. O primeiro passo é introduzir lenta e gradualmente, ideias e ações que visam modificar seus hábitos e costumes na medida em que destrói valores considerados inalienáveis pela sociedade do mundo ocidental, a família principalmente.
Não é o caso de estimular a tolerância da maioria em relação às minorias. Mas de submeter a maioria ao modo de vida das minorias. Não se deseja, como se vê a convivência fraterna entre os diferentes, o que se busca é a vingança, como se esta geração e as seguintes fossem culpadas pelos erros das gerações passadas.
Não há horizonte que proporcione ânimo ou esperança para aqueles que não se conformam com o atual estado de coisas. A sensação de impotência é evidente. A mudança de mentalidade que poderia levar às ações restauradoras passa pela educação pública, atualmente falida e entregue às mãos dos rancorosos e mal intencionados a serviço do atual poder político que se pautam pelas estúpidas ideias do método sócio-construtivista de ensino.
Antes de reconstruir a esperança de uma nação é preciso convencê-la de seus equívocos, do estrago feito e da necessidade de mudança. Isso é papel que cabe à oposição política. Mas no Brasil, ela inexiste. O caminho que resta ao brasileiro é educar-se por si mesmo, porque da parte dos governantes jamais terá tal oportunidade.

Se for verdade que insatisfeitos promovem as mudanças, certamente ainda estão por nascer no Brasil. Porque não é com passeatas e protestos, iniciativas resultantes da ignorância como as verificadas atualmente que virão as mudanças. Não é empunhando faixas, cantando hino nacional, bloqueando as ruas e avenidas, colocando fogo em pneus. É educando-se. E assim vendo e compreendendo a realidade. Mas esse é apenas o primeiro passo. Enquanto país e nação, o Brasil ainda está por nascer. Talvez um dia aconteça.

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