segunda-feira, 9 de junho de 2014

PÁGINA DOIS

E você se lembrará de todas estas coisas
E talvez em algum momento
Elas digam algo ao teu coração
Talvez lhe permitam entender o que faltou
Imaginar como tudo poderia ter sido
Diferente de tudo vivido
Caminhando você então perceberá
Que as coisas caras da vida duram um só segundo
Que tudo mais é esboço de uma felicidade
Jamais conhecida e
Por isso mesmo tão desejada
Observando como tudo passa tão rápido
Irá entender que o que estava tão perto
Poderia tê-lo feito experimentar
O sentimento trazido guardado, temido
Escondido na indiferença que tudo disfarça
E que o fará lembrar todas estas coisas
Talvez lhe traga a resposta, a mesma
De um jeito, porém menos rude
Com ares soturnos de sabedoria
Convencendo-lhe que conheceu a felicidade
Enfim,
Até a página dois, ao menos
Porque enquanto caminha e observa
E as pessoas imaginam conhecê-lo
Tudo se repete, forma e conteúdo, os mesmos
Os primeiros e os mesmos erros
Entenderá que se expor
É submeter-se
E revelar é humilhar-se
Que depois do último olhar, o último suspiro, nada
Que o Bom é como céu, está em toda parte e não existe
Fracos e fortes não se misturam
Uns são para a eternidade
A eles pertence o mundo
São destruídos, jamais vencidos
Outros são panos de fundo
Cenários do drama
Em que a vida acontece
Caminhando você observa
E entende
Que tudo é sempre a mesma coisa
E por isso mesmo é coisa nenhuma
A vida é um palco que se desloca no tempo
Sem destino
Sem fim


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