quinta-feira, 26 de junho de 2014

SEM SOLUÇÃO

Quando eu tinha ainda 19 anos de idade e todas as ilusões do mundo, um senhor companheiro de trabalho, o Sr. C., pessoa já muito vivida, experiente, de grande conhecimento em termos sócios culturais e políticos, vendo o ímpeto com o qual eu debatia minhas ideias, ele esperou que eu terminasse a discussão, e, depois, chamou-me para uma conversa reservada. Disse-me ele: “Muito louvável de sua parte, eu também já tive a mesma idade que você e as mesmas ilusões. Mas, vou lhe dizer uma coisa e não me leve a mal: Não adianta. E não adianta, porque todo homem tem seu preço”.  Confesso que à época refutei a afirmação. Hoje, não tenho a menor dúvida em relação a ela. E devo admitir que o Brasil com toda a ignorância e alienação de sua gente muito contribuiu para isso. Na política brasileira, todos têm seu preço, todos se vendem, sem o menor escrúpulo. As pessoas que se interessam por política são aquelas dispostas a tudo. Ousam afirmar que isso é do jogo político. Jogo? Ao se admitir que política é um jogo então se admite a possibilidade da trapaça. Que tipo de política vai resultar disso? Essa que se tem no Brasil, que, aliás, sempre se teve. Servir ao povo por meio do poder político obtido democraticamente através da vontade da maioria expressa no voto, jamais. O que prevalece é servir-se do povo por meio do poder político “obtido democraticamente” através da vontade da maioria expressa no voto.
Quando se vê uma sigla (me recuso a chamar de partido) como o PP declarar apoio à dona Dilma em nível nacional, rejeitando a candidatura do deputado Bolsonaro e através do Sr. Paulo, apoiar o Sr. Padilha ao governo do estado, conclui-se (como se isto já não fosse possível antes) que coerência e ética político partidária é simplesmente uma ofensa em se tratando de Brasil, onde, como dissera anos antes meu estimado companheiro de trabalho o Sr. C., todo homem tem seu preço. Que preço!
Pra pior, se possível seja, o foco do debate eleitoral presidencial deste ano será: quem é menos ladrão? As soluções para os insanáveis problemas que atinge a todos os brasileiros: segurança, educação, transporte e saúde pública virão das promessas elaboradas pelos gênios marqueteiros com suas lindas e comoventes campanhas onde não faltarão testemunhos emocionados e musiquinhas pegajosas e piegas, desprovidas de bom gosto.
Eu não sei vocês, mas estou enojado de tudo isso. Não darei meu voto a ninguém. Até porque não aprovo o atual governo e não vejo oposição que justifique o termo. Uma vez que todos os candidatos são alinhados à esquerda. Pois a direita no Brasil só existe no museu (por enquanto) e na iniciativa de alguns idealistas do meio da comunicação social e da cultura, que se expressam na internet, o que não é o bastante para promover qualquer tipo de mudança, sequer de pensamento dominante.

Mesmo que, em considerando um cenário utópico, a mudança fosse possível e de fato ocorresse, não seria garantia de que traria benefícios ao povo. E isto porque as pessoas de bem, de boa índole, moral ilibada, que agem com ética não se interessam por política, portanto não ocupam espaço nos quadros políticos, e quando tentam fazê-lo são pressionadas a renunciar suas melhores intenções, através de um processo constante e agressivo de convencimento por parte das velhas cobras jararacas que usam da política para o seu próprio benefício e benefício dos seus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário