domingo, 3 de agosto de 2014

RATOS DE TELHADO

Sumiram os papéis, as pessoas e as necessidades
Final de tarde, e neste domingo, lindo como nunca
Sentado à calçada, em frente de casa
Sob a mira do olhar distante de meu pai
Vejo os cavalos passarem na rua de chão batido
Que vai aos poucos ganhando paralelepípedos,
Luz própria
E distancio-me para longe, um lugar qualquer, uma cabana
O poço fundo do Joca onde se vê a lua
Paralaxe cognitiva
Pensando nos mantras do Olavo
Nas pernas da loira, melhores que a morena
Apenas um jeito delicado, de tripudiar o estúpido Marcius
E  só agora eu pude perceber isso
Ele me diz bom dia, o cavalo, o sujeito que passa
Todas as tardes, princípio de noite, empurrando
O seu carrinho abarrotado de papelões
Cartas na rua, Charles, você as encontrou?
Eu as deixei
Lugar incerto, bem vindo
Já é noite e cai
O intraduzível substantivo
Irregular é o verbo,
O trajeto percorrido até aqui
Incerto, sinuoso, descabido
Olho em redor, sem remorso, sem medo
Eu me acostumei aos poucos
Contemplar a vida: bom dia, boa tarde... boa noite, senhora!
Nossa! Como você é linda!
É luz de minha vida e tão bem me faz
Trancado, e do espaço que a parede mais alta
Me permite observar
Escrevo em pensamentos
Ganhei companhia dia desses
Ele não fala, mas canta melhor que eu
E neste silêncio, qualquer coisa que não seja a minha voz
Se torna poesia.
Percebeu?
Subjugue regras, inverta os papéis
Antes que eles desapareçam
Levados pelos ratos que escalam a parede e percorrem
As telhas do muro da casa
Ou o que dela restou
Não faz sentido, eu sei
Pra você não faz?

Imagine pra mim...

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