terça-feira, 16 de setembro de 2014

AQUELAS LUZES ACIMA DE NOSSAS CABEÇAS

Pense que vai tudo bem
Fique com seus dramas
Escondido no quarto escuro
De todas as noites
Deixe à penumbra as suas vistas
E à solidão o seu coração
Viva cada instante de agonia
Ultrapasse o limite, o porto seguro,
O elo imaginário
Liberte-se das últimas amarras
Solte-se mais além, percorra
Vá buscar o que lhe prometeram
O que não lhe deram e lhe pertence
Por direito e dever
De quem ousou fazê-lo existir
Contudo, interregno súbito se faz
Cai um papel e
Uma lágrima se mantém
Longe do chão
A bailar na órbita incerta
De todos os medos vividos
Desejos contidos
Acumulados, prescritos
Na escuridão do quarto a cada noite
Cela e solidão, quatro paredes,
Às vezes, cinco,
O chão imundo onde se pisa
Não se conta
Vá buscar o que lhe pertence



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