quarta-feira, 3 de setembro de 2014

FAÇA O BEM!

A finalidade da existência humana é o aperfeiçoamento moral. Isso não faria nenhum sentido, caso inexistisse a crença na vida futura. E acreditar ou desacreditar na vida futura faz toda a diferença no modo como encaramos a vida presente e traçamos os nossos objetivos.


A instintiva busca pela felicidade inerente a todos nós seria indicativo de que algo nos espera. Acreditar que a vida se resume no tripé nascer, viver e morrer é um facilitador na medida em que nos isenta de responsabilidade perante a própria vida. Mas colocam por terra todos os valores que permitiram que a espécie humana se transformasse em civilização, como o senso de justiça, o instinto de preservação, a necessidade do progresso através do trabalho e da busca pelo conhecimento, o direito e o dever, a prática do bem, e o amor a si mesmo e ao semelhante.
Preservar esses valores exige de nossa parte o aperfeiçoamento moral, ou seja, a eliminação gradativa dos defeitos e o aprimoramento das virtudes. Isso só é possível através da prática do bem. E só pratica o bem o indivíduo que já possui uma visão ampla da vida onde ele é apenas mais um entre tantos. É aquele sujeito que agradece a Deus pelo alimento que recebe, mas também se lembra de todos aqueles seus semelhantes que dedicaram tempo, esforço e conhecimento, para que aquele alimento pudesse chegar à sua mesa. E pede à vida, que jamais permita que lhes falte alimento semelhante. O indivíduo que pratica o bem é aquele que cede em favor do outro, porque sabe que a vida, naturalmente, lhe restituirá no momento oportuno. Enfim, é o bom samaritano que sabe que a sua felicidade e paz de espírito plena só é possível quando a do seu semelhante também se realiza.
Somos indivíduos, mas vivemos em sociedade, e a vida assim nos fez, não para que competíssimos uns com os outros, mas para que nos ajudemos uns aos outros. Quando um de nós está caído, perdido, derrotado, é ele que requer a nossa atenção e os nossos melhores esforços. O remédio se ministra a quem está doente. Não há outro meio de tornarmos o mundo melhor senão recuperarmos para a vida e a felicidade, aqueles que, por algum motivo, se perderam em ilusões e enganos, cada vez mais comuns e sedutores em nosso meio. O primeiro passo para êxito dessa indispensável tarefa é reacender-lhes a esperança. Mostrar-lhes que há sim no mundo alguém que se importe com o seu sofrimento, que lhes quer ajudar e lhes quer bem.
Num mundo maravilhoso como este em que vivemos, somos os seres que pensam, sentem e agem, conforme sua capacidade, entendimento e vontade, portanto, responsáveis por nosso destino.
A dor e a fome são as únicas desgraças da vida humana que não esperam o melhor momento, a melhor ocasião, mas exigem pronto atendimento. As pessoas lúcidas compreendem isso e dedicam o melhor de seus esforços nesse sentido.
Nós precisamos nos ajudarmos uns aos outros. Precisamos nos aproximarmos uns dos outros. Precisamos valorizar os laços de família e de amizade.


As modernas tecnologias que permitem comunicação imediata não estão no mundo para nos distanciarmos, nos isolarmos. Não é essa a sua finalidade. Lembremos de Alberto Santos Dumont que não fez o avião para carregar bombas de destruição em massa, mas, para diminuir a distância entre os lugares e as pessoas. Lembremos dos chineses que faziam da pólvora fogos de artifício e não arma letal. A inteligência e o esforço humano viabilizam ferramentas de trabalho que conduzem ao progresso e preservação da espécie. O uso que dela é feito depende da vontade e sabedoria de cada um. A faca que corta o pão pode ser a mesma que mata. Somos livres, mas responsáveis por nossos atos, perante a nossa própria consciência que nos acompanha na nossa vida futura. Podemos ser melhores e tornarmos melhor o mundo em que vivemos, se nos respeitarmos e se nos ajudarmos uns aos outros, mas isso só será possível, quando enfim nos conscientizarmos que a vida segue, vai além, do nascer, viver e morrer.

* Artigo publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 09/set./2014, à página 2.

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