sexta-feira, 19 de setembro de 2014

SERENATA

Sozinho, e frágil,
Cansado, ébrio de solidão
Os passos vacilantes, a direção
A gota poderosa que penetra os olhos
Não é tão eficiente e certa
Quanto a que sai
Vibram as cordas do violino
Papel e caneta sobre a mesa, esquecidos
Abandonadas as palavras, evitadas, deixadas
Ao nada
A janela aberta e,
Indefeso, o olhar
Percorre a varanda
Do começo ao fim
Os pássaros silenciam
Abandonam as árvores, folhas
Feito folhas
Um a um
Esconder-se – reflete – que adianta?
Revelar-se não alivia
O peso só aumenta
E o ar sufoca o silêncio,
Aprisiona, o silêncio,
O silêncio...
Onde estará o abraço,
O olhar piedoso de Carlos...?
Os traços de Maria, que viu primeiro
Nasceram a cada final de tarde
Sem que ela percebesse
Cobrem as águas em fúria
As pedras
Cavalos em disparada


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