quinta-feira, 9 de outubro de 2014

UNS e OUTROS

Nós costumamos dizer que Jesus dividiu o calendário entre antes e depois dele, e é verdade. Mas ele fez algo mais impressionante. Ele inverteu o sentido de uma determinada operação matemática, quando, através do seu Evangelho ensinou que dividir é multiplicar. E é de fato o que acontece, quando dividimos, compartilhamos amor entre nós. Em todas as faces, que são muitas, que o amor possui: o bem que fazemos ao nosso semelhante, o esquecimento da ofensa que por acaso ele nos dirija, a dor alheia que amenizamos, quando não a curamos, a dor do corpo e a dor da alma.

E quando nós fazemos estas coisas, nós vamos que acendendo luzes neste mundo, e ajudamos a melhorar o ambiente astral do mundo, na medida em que nós fazemos brotar ou renascer a esperança no coração de cada um de nossos semelhantes aos quais nos dispomos a servir.
A natureza, ela facilita muito o nosso entendimento da vida. Vejam: o mar, por exemplo, ele se assemelha muito à nossa vida cotidiana. No mar, há os momentos de calmaria e os de tormenta. De fartura, joga-se a rede ao mar e ela retorna abarrotada de peixes. E de escassez, joga-se a rede ao mar, e ela retorna vazia. Mas o que faz o pescador diante da dificuldade? Desiste? Ou continua seu trabalho, sua luta? Ele continua, porque sabe que daquela pesca depende a sua sobrevivência. Então ele tenta novas rotas, e continua jogando a rede ao mar, até que sua perseverança lhe traz a recompensa.
Assim são nossas vidas, há momentos de tranquilidade e de perturbação, momentos em que tudo parece conspirar a nosso favor, e momentos em que tudo parece conspirar contra nós. Mas, algumas vezes, diferentemente do pescador, nós desanimamos frente às dificuldades, nos deixamos levar por elas, nos sujeitamos àquela do “deixa a vida me levar vida leva eu”, e a vida leva, mas sem direção, em alta velocidade, sem o nosso controle, nos expondo a riscos e é inevitável que nestas condições acabemos trombando com um poste.
Outro exemplo da natureza que vem a nos demonstrar que Jesus estava realmente certo quando nos ensinou que dividir é multiplicar. Imagine uma laranja, corta-se ela em duas. E miseravelmente em cada tampa da laranja encontram-se três ou quatro sementinhas. Talvez, seis ou mais, com um pouco de sorte. E se então pegarmos cada uma dessas sementinhas e plantá-las separadamente, e cuidarmos delas, elas germinarão, e se continuarmos cuidando, chegará tempo em que cada uma daquelas sementinhas se tornará uma árvore que dará dezenas, centenas, milhares de outras laranjas, que servirão de alimento para milhares de outras pessoas.
Assim somos nós. Uma pessoa ajuda dez pessoas. E dez ajudam cem pessoas e cem pessoas ajudam mil pessoas. O Bem, uma vez colocado em movimento irradia e agrega tudo o que alcança e por toda parte.
Vejam: Nós nos dedicamos a nossa educação intelectual, porque precisamos dela para ter uma ocupação na vida, uma profissão, que nos remunere de modo que possamos cuidar de nós e de nossa família. E para isso precisamos do quê? Interesse de nossa parte, boa vontade, disciplina e perseverança.
Agora, pensemos: Da mesma forma podemos fazê-lo para a nossa educação moral, que nos trará benefícios que tão somente a educação intelectual, por si só, não nos poderá oferecer: que são: a felicidade possível neste mundo e a paz interior.
E o procedimento é o mesmo: interesse de nossa parte, boa vontade, disciplina, perseverança.
E tudo isso está ao nosso alcance, porque sabemos que o céu ajuda quem se ajuda. E que Jesus nos ensinou: pedi e terás, procure e acharás; bata à porta e ela se lhe abrirá. Chico Xavier dizia: Jesus não nos pediu nada impossível, acima de nossas possibilidades. Não disse que teríamos de subir ao Monte Everest. Disse apenas que tivéssemos boa vontade e nos esforçássemos em sermos pessoas melhores.
Lembremos que nós somos todos filhos do mesmo Pai, que é Deus, e irmãos em Cristo.
Não existe outra humanidade neste mundo. A Terra não foi invadida por extraterrestres. Mas, imaginemos essa possibilidade, aquele povo todo estranho vindo dividir espaço conosco, trazendo sua tecnologia, seus hábitos e costumes, suas leis, seus padrões morais, diferentes do nosso.
Um vizinho nos incomoda, um parente, uma visita fora de hora.
E tais coisas não deveriam acontecer. Nós deveríamos ser unidos, fraternos uns com os outros. Porque em geral temos as mesmas dificuldades. Estamos todos no mesmo barco da salvação em cujo comando está Jesus. Mas há um motivo maior, soberano, que deveria nortear nossas ações nesse sentido fraterno da convivência humana: Somos todos irmãos.
Deus nos fez não para a solidão, mas para vivermos em sociedade, e quando ele fez isso seu propósito era de que nos ajudássemos uns aos outros. De modo que nossa evolução pudesse ser mais fácil. Mas ao invés disso, competimos uns com os outros, geralmente por coisas banais, mundanas, transitórias, descartáveis, perecíveis ao tempo e à força das circunstâncias.
Podemos pensar que nos bastamos a nós mesmos.
Mas então, vamos nos imaginar absolutamente só no mundo. Num primeiro momento podemos até apreciar a ideia. Mas depois, nos depararíamos com a realidade: quem iria cuidar de nós quando ficássemos doentes? Quem iria pagar o nosso salário ou comprar a nossa mercadoria? Quem iria construir a casa onde moramos? Ou quem iria confeccionar a roupa que vestimos?
 Não precisamos ir além destas hipóteses. Pensemos que se não houvesse na rua onde moramos, os nossos vizinhos, se não houvesse as pessoas que por ali passam, se todas as residências e casas de comércio estivessem fechadas, abandonadas, e não víssemos uma alma viva sequer e nem ouvíssemos a voz de ninguém. No primeiro ou segundo dia até poderíamos achar isso ótimo, mas já no terceiro dia, acharíamos péssimo. Porque não fomos feitos para viver em solidão. Mesmo aquela pessoa que mais repudiamos, ignoramos, ou detestamos por alguma razão, ela é importante na nossa vida: porque ou é a nossa recompensa ou é o remédio amargo que nossa alma doente precisa tomar para curar-se. E não percebemos isso. Porque estamos presos ao nosso próprio umbigo, nossos interesses pessoais e mesquinhos, nosso egoísmo. Porque nós ainda achamos que essa vida humana de começo, meio e fim, é tudo. E não é. É tão somente uma etapa, mais uma página, um capítulo da nossa imortalidade.
Não adianta vencermos ao nosso semelhante, temos que vencer é a nós mesmos.
Derrubamos uma pessoa aqui, e lá na frente, nós mesmos teremos de levantá-la. Não adianta.
Não adianta carregar nas costas um saco de ouro e prata se o saco estiver furado.
Agora, a única coisa que haverá de nos sustentar na hora da dificuldade que certamente virá é a nossa fé em Deus e o nosso amor à vida.
Deus é o nosso Pai. Ele nos fez. Já sabia da nossa vida antes que nos decidíssemos por ela. E ele nos fez a todos para a felicidade e a perfeição. Então, se nós sofremos, não é porque Deus quis ou se esqueceu de nós, é porque nós, livres que somos para tomarmos nossas decisões e escolhermos nossos caminhos, estaremos colhendo o que plantamos. Agimos e contribuímos decisivamente para que aquele momento de desequilíbrio, de instabilidade em nossas vidas ocorresse. Mas, o autor é aquele que melhor pode modificar a sua obra, porque ele a conhece desde o princípio e em toda a sua profundidade. Então, cabe a nós, recuperarmos o equilíbrio, a harmonia em nossas vidas, de modo a cessar o sofrimento que nós mesmos criamos para nós.
Mas então é possível que alguém pense: Ah, mas eu me esforço, faço tudo certinho, e mesmo assim comigo dá tudo errado.
Saiba que há remédios cujas dosagens são mesmo mais forte que o habitual. E o seu uso, mais demorado. Eu mesmo, dos 3 anos de idade até os 12 anos, eu tomei um remédio todos os dias, às 10 da noite em ponto, pra evitar convulsões cerebrais. Hoje, estou curado, graças a Deus e a dedicação, o amor de meus pais que jamais faltaram comigo. Nove anos, todos os dias, sem exceção de nenhum tomando o bendito remédio. E hoje sequer me lembro disso. Nem me lembro que um dia fui um menino bonitinho (bem, ainda sou...) e doente.
Passou... Porque tudo passa. E por isso mesmo, não devemos nos desesperar. Emmanuel nos fala que dificuldade é convite ao crescimento.
O Espiritismo nos ensina que somos espíritos ainda aprendizes, imperfeitos, vivendo em um mundo maravilhoso que nos provê de tudo o que necessitamos desde que trabalhemos para tanto, e onde temos a oportunidade de nos redimirmos perante nossas consciências e de, ao mesmo tempo, irmos aprimorando nossas virtudes, corrigindo nossos defeitos.
E Jesus, há mais de dois mil anos nos disse que teríamos da vida o que déssemos a ela. Disse para nos perdoarmos a nós mesmos e ao nosso semelhante quantas vezes fossem necessárias. Disse que trabalhássemos pelo nosso sustento e o de nossa família, porque ele e Deus jamais haviam descansado. Disse que todos nós independente de cor, raça, nacionalidade, familiaridade, parentesco, crença, somos todos irmãos, e por esse motivo, devemos e podemos nos ajudar uns aos outros, nos amarmos, na forma de respeito e bondade, e sem restrições. E ainda que, miseravelmente por gratidão, devemos amar a Deus, sobre todas as coisas.
Não fomos feitos para a solidão, não fomos feitos para a tristeza. Fomos feito para a felicidade e a perfeição. E estas dependem apenas de nossa boa vontade e de nosso esforço. Quando nos empenhamos por nosso progresso espiritual, os bons espíritos reconhecem nosso esforço e nos ajudam ainda mais do que normalmente já nos ajudam. Porque Deus não desampara a ninguém e incumbe seus prepostos para desempenharem as suas obras de amor e bondade.

Esclarecer as pessoas sobre a lei de causa e efeito, e estimulá-las ao perdão, ao trabalho em favor do próximo e de si mesmo, é dever de todos nós, que já nos esclarecemos a respeito dessas coisas.

Tudo o que a casa espírita nos oferece de bom temos que levar aos nossos lares, ambiente de trabalho, de estudo, de modo a contribuirmos para a melhora do mundo que, necessariamente só será possível se nos melhorarmos a nós mesmos, e ajudarmos que os outros também se melhorem.

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