quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CARNE, LIVROS E IDEIAS

A maior dificuldade humana é atingir o ponto de equilíbrio em seu modo de pensar e em suas ações. A harmonia rege o Universo, e nós ainda não a atingimos. E esta é a origem de todos os nossos conflitos, portanto, de nosso sofrimento. As pessoas consideradas "Iluminadas" parecem ter entendido essa realidade, e saíram desta vida como vitoriosas, senão como seres humanos, certamente como espíritos, que, enfim, é o que importa. Em um mundo de terceira dimensão como este, a dualidade entre o Bem e o Mal é a maior característica e a mais contundente e sobre a qual se baseiam todas as crenças, filosofias, enfim, os modos de ver e viver a vida. Essa é a realidade que nos é possível. É a realidade que podemos suportar. É preciso mesmo muito cuidado com as palavras. Jesus abriu a janela de nossa consciência espiritual e nos mostrou apenas um pedaço do céu. Mas nós sabemos que o céu é muito maior que aquele que Jesus nos mostrou e o Espiritismo, enquanto ciência e filosofia nos vêm esclarecer isso. E Jesus mesmo disse que não nos mostraria tudo porque não suportaríamos.
Reprodução
 
Pior que o consumo da carne animal, tema de discussão e controvérsia sempre atual e dos mais palpitantes, é o comércio que dela se faz. Mas o mesmo se verifica atualmente, e, infelizmente, na literatura espírita, considerando que as editoras, aquelas com fins comerciais principalmente, tem aceitado tudo o que vem dos espíritos (?), sem se preocupar muito, ao que parece, em separar o joio do trigo, prestando um desserviço à causa espírita, que, por meio de ideias mirabolantes, veiculadas nos livros, seja no gênero de ficção ou não ficção, iludem, enganam, confundem. Maior preocupação isso causa quando se percebe que instituições ícones do movimento espírita, têm dado amparo a essas iniciativas, sem o devido cuidado e discernimento que delas se esperaria. Divulgar a doutrina espírita, o evangelho de Jesus, sim, mas de que modo e a que preço, preciso se faz uma reflexão, porque é muito perigoso divulgar meias verdades, e mesmo mentiras, sob a chancela espírita, para atender a interesses meramente comerciais, portanto, escusos, se postos diante dos reais objetivos da literatura espírita, e que se constitui em diferencial perante às demais, que é justamente, a sua capacidade de esclarecer e consolar as pessoas, principalmente, aquelas que sofrem. 
Voltando a origem de nossa exposição, recordemos que tudo é energia no universo, e nós, espíritos, podemos manipulá-la conforme nosso conhecimento e sabedoria.
E se tudo é energia, a matéria, ou aquilo que se pode entender como tal, é uma de suas infinitas formas. Neste mundo de terceira dimensão, a matéria se apresenta na formas conhecidas até o momento: sólido, líquido, gasoso e radiante. A constituição da matéria é a química. Assim, a mesma substância química que faz um remédio, se modificada, pode fazer o remédio se tornar veneno para o consumo humano. 
Devido aos resquícios de nossa constituição orgânica, desde os primatas, que tinham na busca por alimento seu único objetivo de vida, a maioria de nós, ainda se alimenta da carne animal, sem a qual se enfraquece, adoece e morre se acometido de anemia, por exemplo.
Educar-se, a mente e a alma, nos parece ser o melhor caminho. Mas a educação esbarra no interesse econômico, ao qual o ser humano ainda permanece preso, devido ao sistema social, político e econômico que impera e o subjuga.
Neste século 21, que apenas se inicia as verdadeiras revoluções serão aquelas que exigirão da sociedade humana mudança de comportamento, isso resultará em confronto de ideias e interesses. Mas à medida que as novas gerações, mais evoluídas espiritualmente, portanto menos egoístas e mais altruístas, com uma visão de vida e de mundo que diferentemente da nossa, vai além do próprio umbigo, forem substituindo as atuais, essas desejáveis mudanças de comportamentos e de hábitos se tornarão possíveis e introduzidas pouco a pouco.
Cremos sinceramente que no futuro espíritos melhores habitando corpos físicos melhores (porque esta exigência se fará naturalmente, o que implicará em progresso, também nesse aspecto humano), não precisarão mais do consumo de carne animal para sobreviver.
Consideramos também desnecessário os ataques pessoais resultantes de opiniões a respeito desse tema como de qualquer outro. Pode-se muito bem expor ideias e opiniões sem levantar o estandarte pretensioso da verdade, que, por acaso, desconhecemos.
Consideramos ainda que, tomar por base o nosso parco entendimento dos ensinamentos do Cristo, para formularmos nossas teses, é atirar-se ao abismo sem fim. Ou tentar fixar o olhar no sol em pleno meio dia num céu de brigadeiro.
Seremos mais prudentes se nos preocuparmos em entendermos aspectos da vida humana baseados na realidade que nos é possível, ou seja, esta, porque, como nos disse Jesus, é aquela que por ora podemos suportar.

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