quinta-feira, 27 de novembro de 2014

BAIXO

Tudo colocado 
À sua disposição
Ao seu alcance
E lhe convencem
Sem maior dificuldade
De que tudo é possível
Eles o atraem para a cilada
Preparada desde o princípio
Contam-lhe uma estória de amor
De final feliz aonde se chega
Depois de muita dor
Afinal, a recompensa
Possível a todos convence
E então você sorri
Imaginando-se feliz
Vê, entretanto
Que o caminho longo
Sinuoso, esburacado, a seguir
Desconhece outro fim
Em um mundo redondo
Chega-se exatamente
Onde se começou
E mesmo assim você sorri
Acreditando-se feliz
Pouca coisa basta
E eles sabem disso
Pra lhe convencer
Mas então de repente, a chuva
E um clarão no céu
Que se abre em dois, depois
E vidas imaginadas, jamais vividas
Surgem: da terra, do alto, e por todos os lados
Desnudando a mentira
Negando a verdade, tida e havida, até então
Soam trombetas
E vestais de sabedoria revelam-se ímpios
Isopores em essência, argila, porcelana – chinesa não
Barro a ser forjado desconhece o fogo
Nuvens em movimento
Garoa
Vento frio, intenso
Sepultando almas mortas
Vísceras fecais
Ossos desnudos, descolados, partidos
Neurônios inanimados
Matéria pútrida
Cortina de fumaça saindo das entranhas
Do que antes era dúvida, prisão, talvez sim, talvez não
Paraíso imaginado para os de fora, os lúcidos, os sãos
Duas portas, porém, de repente, revelam-se adiante
Qual o caminho a seguir?
A terra é redonda, oca, sim ou não, tanto faz
Origem e destino convergem para o mesmo ponto
E esta é a ilusão, a qual escapam os que veem


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