domingo, 2 de novembro de 2014

COMECE O JOGO

Se tudo pudesse ser dito, escrito,
Mencionado é, por vezes;
Se tudo pudesse ser demonstrado,
 Revelado o sublime segredo,
De cor e salteado sabido;
Se entre um suspiro, um olhar e outro;
E se toda vez em que faltasse o ar
E o olhar, em suspenso ficasse
Em que pese a ousadia, o desejo, o medo
A palavra dissimulada
Tremesse nos lábios, incerta
Descabida aos olhos de outros
Verdadeira aos meus, aos seus
Cartas à mesa; comece o jogo
Façam suas apostas, senhoras, senhores
Ofereça o ás à sorte
Ouse atravessar o limite
Que vai além do corredor espelhado
Aquele no qual você, eu, qualquer um de nós
Atravessa o olhar
Indolente, incerto
A garrafa de vinho na ponta dos dedos,
Equilibrando-se
O andar trôpego
O olhar amorável, temente, hesitante
Entre uma parede e outra, e o chão
Mas qualquer coisa dessas
Qualquer dia desses
Entre um olhar e outro
Se revele para o mundo
E por um instante deixe de existir
A vergonha
Cartas à mesa
Comece o jogo
E divirta-se
Aqui não há vencedores


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