segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

UFA, PALMEIRAS!

Qualquer cidadão que já tenha comemorado 40 primaveras, pouco mais, pouco menos, e que acaso, feito este cronista, torça pelo glorioso Alvi-Verde Imponente, por herança genética, digamos assim, mais que por livre e espontânea vontade, traz na memória aquele fatídico jogo contra o XV de Jaú, no Parque Antarctica, em 1985, quando, dependendo de uma combinação improvável de resultados e uma vitória sua, o time lutava pela classificação às finais do então paparicado e coisa e tal campeonato paulista. E o que aconteceu? O de sempre, ou seja, aconteceram todos os improváveis outros resultados, mas o Verdão, não passou pelo XV e assim, viu-se eliminado da competição.
Reprodução
Na memória palmeirense, talvez este seja o mais longínquo episódio da série de desastres que poderia no último domingo ter acrescentado mais um angustiante capítulo a essa tétrica e ao que parece interminável história.
Houve outros, como todo bom palmeirense detesta recordar. Asa de Arapiraca, por exemplo, em 2002.
Pergunte quem foi o primeiro clube grande de São Paulo a perder um estadual para um clube do interior, algo impensável até 1986, quando o Palmeiras conseguiu tal proeza frente a Internacional de Limeira.
Além do time da terra da laranja, outros clubes interioranos engrossam o rol de algozes do Palmeiras, como o Santo André e o Paulista de Jundiaí, ambos em 2004.
Goleadas sofridas, não podiam faltar na história recente de um clube que parece ter perdido a vocação da vitória. Algumas delas: 6x2 para o Mirassol, em 2013, 6x0 para o Coritiba em 2011, 6x1 para o Figueirense em 2006, 7x2 para o Vitória em 2003. E fiquemos por aqui.
Rebaixamentos? Até agora foram 2: Em 2002 e 2012, ambos pelo campeonato brasileiro. Mas em 1981, o Verdão disputou uma tal Taça de Prata, o correspondente ao que seria hoje a série B, do Brasileirão. Mas essa não conta. Porque até o Cúrintia...
Acha pouco, leitor? Você já viu um time ganhando uma final por 3x0, em seu próprio campo e perder de virada por 4x3. Não? Volte ao ano 2000, e encontrará mais esse capítulo na história do clube que ostenta a maior coleção de títulos nacionais até hoje. Diante do Vasco da Gama, de Romário e Eurico Miranda, o “Parmêra” – oh, bruta bestia, mama mia! – deixou escapar a Copa Mercosul, um título que ao final do primeiro tempo daquele jogo, quando vencia por 3x0, parecia consumado.
Teve também um 3x0 para o Bragantino, em 1988. Um humilhante 7x2 para o Vitória, pela Copa do Brasil, em 2003, com direito a furada bisonha e histórica de São Marcos.
Chega né, palmeirense? Mas tudo pra dizer que erros e vexames se repetem ao longo dos últimos anos e o Alvi-Verde Imponente parece não aprender a lição. Perde para si mesmo, antes de perder para qualquer adversário.
Desta feita, entretanto, a sorte ou os santos jogaram a favor do Palmeiras, que mais uma vez, não foi capaz de resolver os seus próprios problemas, empatando na última rodada do Brasileirão com o Atlético/PR, em pleno Allianz Parque. Acontece que seus adversários diretos conseguiram ser pior. Nas últimas 08 rodadas o Palmeiras não venceu nenhum jogo e, mesmo assim, não foi ultrapassado por Vitória e Bahia. A salvação do “Parmêra” veio da distante Salvador, dos pés de Thiago Ribeiro, atacante do Santos, e que um dia fora pretendido pelo Palmeiras.
Não se pode dizer que o Palmeiras tenha ganhado adeptos, na mesma proporção que seu maior rival, o Corinthians o fez, em 22 anos de jejum de títulos. Mas, apesar dos insucessos colecionados principalmente neste século 21, a torcida do Verdão tem se tornado ainda mais fiel ao time e aumentado bastante. Programa sócio torcedor Avanti é um dos mais bem sucedidos entre os grandes clubes brasileiros.
O ano do centenário, do clube que um dia chamou-se Palestra Itália e que já nasceu campeão (1), merecia melhor comemoração do que a sofrida permanência na série A do campeonato brasileiro, competição da qual o Palmeiras é o maior ganhador de títulos, 8, ao lado do Santos. Mas com um time como o atual, nem Papai Noel vestido de verde daria jeito.
Fica a esperança de dias melhores, a partir de 2015, com novo estádio, um dos melhores e mais bonitos do país, que, de certa forma, aumentou consideravelmente o orgulho do palmeirense, ávido por um time à altura de sua história vitoriosa ao longo de 100 anos. Que os dirigentes alviverdes não atrapalhem, porque mais que qualquer outro rival, eles tem sido os maiores adversários do Palmeiras nos últimos anos.

(1): No dia 20 de dezembro de 1942, o Palmeiras venceu o São Paulo por 3 a 1 e sagrou-se campeão paulista. Foi o primeiro jogo disputado com a denominação de Sociedade Esportiva Palmeiras, até então, Palestra Itália.

* ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 09/12/2014 DO JORNAL DIÁRIO DO RIO CLARO, À PÁG. 12.

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