segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ALMA MATTERS

Eu preciso lhe contar sobre coisas
Os mais repugnantes segredos
Que me fazem atravessar as noites
Pelos becos, em direção ao terminal,
À plataforma de embarque, mal iluminada
E evitar o gesto fatal, o grito primal
Início difícil, escuro, perturbador
O impenetrável olhar à procura
Desfeito no calor de uma lágrima
Que escorre pela face em direção...
Esperando abreviar, a dor pungente
Que a ferida aberta provoca

Sobre coisas eu preciso lhe dizer
Em formas de sinais, gestos, palavras, urros
As mais inconfessáveis, inimagináveis
Situações como forma de dissipar o escuro
E espantar o medo
Do qual não se furtam os heróis
Dentro dos quais escorre sangue
Vermelho, azul, matizes de cores
Nuvens assimétricas, cálculo, geometria
110 – o número perfeito
Paz, você, enfim, descobrirá
É a máxima harmonia possível da vida em movimento
O diálogo inaudível
Espiritual, todo poderoso, único
Entre direito e dever
Que ocupam o mesmo espaço
E um se tornam
Nas mãos protetoras da sabedoria

Eu preciso muito lhe falar sobre coisas
E pessoas que atravessam ruas incertas, nuas, desvalidas...
As quais, ninguém observa
E talvez você entenda que junto a uma dor nasce um amor
Mas hoje estou tão triste, sinto muito
O quarto está vazio, a casa sem mobílias
Tudo se agiganta aos meus olhos
E ganha um novo sentido
Belo, perfeito, resolvido
Quem sabe, este sentimento não se apague com o tempo
E nem me deixe à própria sorte, permaneça



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