quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

UMA DISTRAÇÃO QUALQUER

Momento há em que você vê todas as possibilidades
E percebe todos os sentidos
E alguns caminhos você encontra
E eles parecem levar a um destino
Então você se depara com o sol
A se levantar depois da noite longa, imensa, pesada
Que finalmente desaparece diante de seus olhos
Já se vai, tarde, a noite
E você se põe, de novo, a caminhar
Percebe que sua mochila, aquela de sempre, está menos pesada, que no dia anterior
E um novo dia começa cheio de esperança
É um momento único, o único que de fato vale a pena
Porque é quando se pode imaginar sem culpa, remorso, ressentimento
Como as coisas poderiam ter sido
Melhores e mais bonitas,
E como tudo podia ter sido diferente
E as lembranças seriam outras
O céu está vermelho, os pássaros despertam
E na rua, os primeiros transeuntes
Apressados, desesperados, em busca de quê? Não sabem
Ou sabem, e você não
Que importa tudo isso agora, nesse momento
Em que o medo desaparece
É o momento único em que
Tomar o lápis vale a pena
Porque é quando tudo faz algum sentido
As dores, e os amores, achados e perdidos
Um sorriso é possível achar entre eles
Um ou dois segundos de uma certeza
Que passou e você nem viu
Não experimentou o seu gosto
Não conheceu o seu gozo
Nem mesmo o seu olhar
Nada...
Então, os olhos, de novo, esquecem o céu, e encontram o chão,
O primeiro passo, da nova jornada incerta
Caminhar...
É seu breviário de todos os dias, todas as manhãs
É o que resta, enquanto a noite não vem.


Para meu irmão Carlos Alberto, em nome dos segredos sepultados na frieza do mármore

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