sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A SUCESSÃO DOS DIAS

Neste momento, milhares de seres humanos estão conectados às redes sociais, ou fazendo ou esperando um telefonema nesses aparelhinhos que cabem na palma da mão. Talvez eles não se deem conta, porque é provável que isso pouco lhes importe, mas, ao mesmo tempo em que conversam e atualizam suas informações, estão distante das pessoas que mais amam. 
Mas não é tudo. Tais seres humanos, já desistiram de seus sonhos, em nome da eficiência solicitada pelo padrão de vida estabelecido por aqueles outros desconhecidos (que importa se eles têm um rosto, um nome, se de fato existem; que importa?). Não importa se são seres virtuais, vindo de outros planetas, exohumanos, nada disso importa. Porque sejam eles quem ou o que forem, eles é que mandam, porque de fato possuem a riqueza material do mundo e o poder de decidir sobre o modo de vida e o destino da maioria das pessoas que habitam este planeta.
A maioria de nós, porém, permanece absorvida na ilusão da liberdade conquistada a custa de muito esforço e sacrifício. Liberdade política, econômica e religiosa. Liberdade que o conhecimento, o trabalho e o dinheiro proporcionam.
Mas a maioria de nós foi ensinada e convencida a buscar o inatingível, o que está longe, o improvável, ao mesmo tempo em que se abdica da realidade comum a todos que é o direito de ser feliz sem depender que coisas inanimadas, desprovidas de vida e sentimentos propiciem a felicidade possível.
Entretanto, pessoa ou coisa alguma tem o poder de fazer alguém feliz. Porque cada um deve encontrar a felicidade em si mesmo, podendo compartilhá-la, jamais impô-la.
Cada um de nós, seres humanos habitantes deste planeta, somos individualidades, capazes de escolher e decidir o seu destino. Mas não temos a exata dimensão dessa consciência. E, portanto não exercemos essa liberdade como poderíamos. Na verdade, nos sentimo-nos menos que seres livres e senhores de si.
Apartados espontaneamente da realidade que predomina neste mundo, não nos consideramos à altura de nossas potencialidades. Tornamo-nos, sem nenhuma resistência, de nossa parte, convenientes e submissos à escala de valores vigentes, onde o ter, o superficial e as aparências, determinam o que é certo, o que é bom e o que é necessário.
Abdicamos ao conhecimento, a educação, ao saber, sob o argumento de que falta-nos tempo para nos dedicarmos a essas tarefas de aprendizado que, segundo se acredita equivocadamente, não faz ninguém feliz.
E quem disso nos convence sem grande esforço, são os mesmos que nos vendem a ideia estúpida de que o trabalho cansa, e não liberta, ao contrário, escraviza. Então, buscamos meios de se trabalhar menos e ganhar mais dinheiro, equação que nem mesmo Einstein, saberia solucionar.
Faltamos com o respeito com os mais experientes entre os nossos, ignorando a sua opinião, porque consideramos que tais opiniões e pontos de vista, se acham ultrapassados, não se encaixam na contemporaneidade alucinante do padrão humano de vida onde tudo é transitório, descartável, substituível, mas que em contrapartida, por mais estúpido que pareça, atende às aspirações imediatas por uma satisfação contundente e efêmera, necessidade comum a quase todos. E que algumas vezes, beira a bestialidade, denegrindo o que se convencionou no passado não muito distante chamar de civilização humana.
Deus seja lá o que for, mas, certamente é a inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas, porque assim se revela nas suas obras, que não são aquelas criadas pela inteligência humana, Deus jamais compreendido, tornou-se acessório, artigo de luxo, peça de museu. Utopia de almas puras, portanto, frágeis. E fadadas ao fracasso, ao escárnio e ao esquecimento em um mundo cada vez mais competitivo e desumano.
Aos poucos vão se esgotando os recursos naturais do planeta onde somos hóspedes temporários e o qual não nos pertence. E o fazemos sem nenhum constrangimento, nenhum sentimento de culpa e remorso. Afinal, o mundo existe para nos servir.
Que nos adianta, todavia, um padrão de vida de excelência material, se o planeta em que vivemos vai se tornando cada vez mais hostil à nossa presença?
Onde haveremos de colocar o resultado de todo nosso progresso científico, tecnológico, social? Ele não cabe em nossas mentes, porque acaso coubesse, de lá talvez jamais saísse.
Disputamo-nos uns com os outros por espaços, coisas e situações que sabemos transitórios. E ainda assim, disputamos, sem medir consequências para nós e para nosso semelhante.
Acreditamo-nos vencedores, ao derrotarmos o irmão que está a caminho conosco. Mas, como isso pode significar vitória? Se nos influenciamos de alguma forma, uns aos outros, com nossos pensamentos, sentimentos e ações. O que em outras palavras significa que a dor e a lágrima, o riso e a sensação plena de liberdade e paz, de um depende do outro. Todos nós jogamos no mesmo time. Não há um oponente do outro lado do campo de jogo.  E enquanto ainda nos desprezarmos uns aos outros por nos considerarmos superiores, melhores, mais fortes; enquanto nos repudiarmos, porque alguns são diferentes da maioria, no seu modo de pensar, sentir, viver, e acreditar nas coisas, mesmo aquelas que escapam à realidade da matéria, mas que alcançam e ultrapassam a realidade espiritual comum a todos nós; enquanto um de nós sofrer por causa da fome, do frio, da solidão, jamais a sociedade humana atingirá todo o seu potencial. Porque a maioria esmagadora das pessoas não conduzem suas vidas, são conduzidas. E aceitam passivamente a escravidão que atende pelo nome de ignorância. E nestes tempos mais que em qualquer outro, infelizmente, ao invés de repudiá-la, ainda se divertem com ela.



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