domingo, 15 de fevereiro de 2015

QUEDA LIVRE

Por que nascer em meio a tanta ignorância?
Entre pessoas tão indiferentes ao que de mais belo possuem
Suas letras, sua música, a vida em natureza ao seu redor
Que castigo impiedoso é esse nascer?
Em meio à terra arrasada de sentimentos por coisas nobres, verdadeiras
Por que pregar ao vento e difundir ao nada, ao vazio aterrador?
Que traga para dentro de si toda vida em forma de esperança
Por que sujeitar-se a isso?
Por que esconder de vergonha?
Por que reduzir ao nada o discurso profundo de sabedoria?
Por que mutilar as palavras, para atender à preguiça dos insanos desvalidos, condenados à pena de morte?
Por que silenciar quando mais alto grita dentro do peito
Por que sufocar o gozo alucinado inconsequente que felicidade faz
O sentimento de revolta, de não aceitação, que aspira inutilmente reverberar ao infinito
Por que diminuir-se para ser aceito entre estranhos
Por que silenciar-se para ser entendido pela surdez e cegueira de quem se acha dono
De um pedaço de terra e de consciência, que na ordem divina do mundo, nada representa
Por que vir para cá?
Por que apagar-se?
Por que misturar-se entre mudos e coxos?

Saudade doída, do tempo e do espaço perdido, nas mãos da vontade de subir mais alto

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