terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

RUMO

Eu tinha 9 anos de idade, e numa tarde nublada de um sábado qualquer, cedendo àquela vontade louca, irresistível, a qual, desde que me conheço por gente, me acompanha, de ir embora simplesmente, peguei umas mudas de roupas, enfiei numa sacola plástica, saí sem ser visto (eles, os meus, não tinham os olhos muito que voltados para mim naqueles dias), e tomei o rumo em direção à região norte da cidade. Se tivesse ido em direção ao sul, teria ido mesmo, e acho que jamais teria voltado, porque a região norte, partindo da Rua 4, onde eu morava, terminava na linha do trem. E em direção à região sul, chegava-se, em determinado momento à Avenida Visconde do Rio Claro, que levava a saída da cidade, às rodovias, enfim. O que sempre me intrigou e essa é a pergunta para a qual jamais encontrarei resposta é que naquela tarde de sábado, meus pais, não foram atrás de mim. Não foram simplesmente. Por quê? Sabiam que eu voltaria? Cresci acreditando nesta resposta, que, porém, jamais me convenceu e me convence cada vez menos à medida que o tempo passa. – g.j.c.jr. -15/02/2015

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