domingo, 24 de maio de 2015

PROSSIGA!

Sim, saciem-se, olhares à espreita
Dores ocultas, reprimidas,
Tidas não havidas, incompreendidas
Mãos à obra, concluída,
Tudo errado,
Tudo, tudo errado My Lord
Devo confessar-me, cá entre nós:
Apostei alto
E perdi tudo... tudo
A vida que não se realiza
Os dias que não chegam
As noites que não cessam
Perdendo a visão
E os sentidos
O peso e a medida
Não são os mesmos
Prossiga!
Alternativa derradeira, ironia
Rota de fuga
Quem sabe, adiante, e sempre
Surja um horizonte, um olhar demente
E a vida aconteça
Em outra esfera menos densa
Verdades absolutas, rascunhos amassados,
Desprezados, no lixo da inconsistência
Insistência, demência
Despertam inquietações
Estimulam, feito fogo e ópio
A levantar-se e dizer-se contra
Apontar o erro
Demonstrar a solução
Imaginável e possível, provável
Sob as benção da lógica
E longe da fé movediça
Impregnada nos livros, cinco ou seis ou mais
Cobertos pelo pó
Da pretensão e ignorância
Como perfeito pode ser o que não cessa?

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