terça-feira, 29 de dezembro de 2015

2016 – FAZ DIFERENÇA?

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Não vigiamos e nem oramos como deveríamos.
Não compartilhamos,
Não nos ajudamos,
Não buscamos o conhecimento espiritual
Não renunciamos ao transitório
Não nos libertamos dos instintos primitivos
Não pensamos nem por um instante que
Se a semeadura é livre, a colheita obrigatória
E mesmo assim,
Queremos um mundo melhor
Como?
Então, nos escandalizamos com a presença do mal em nossas vidas
Mas nem por um instante paramos para refletir que
O mal só existe porque permitimos
Nossa indiferença para com o que a vida tem de mais sublime e precioso
É que possibilita esse confronto desnecessário de forças antagônicas
Conhecidas como o Bem e o Mal
Preparemo-nos, pois que chega a hora da colheita
E a cada um será conforme as suas obras
Se ao menos nos amássemos como poderíamos
Mas, com os olhos voltados apenas para nós mesmos

Sequer lembramos filhos de quem somos

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

FELIZ ANIVERSÁRIO, JESUS!

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A mais recente especulação a respeito de Jesus Cristo diz respeito à possibilidade dele ter sido um alienígena com poderes sobrenaturais. Em termos de polêmica, perde de longe para aquela outra que sugere o fato de que Jesus teria se casado com Maria Madalena e tido dois filhos. Mas não fica só nisso. Afinal, todo ano surge alguma teoria a respeito do personagem histórico mais conhecido e paradoxalmente incompreendido da humanidade.
Ao longo do tempo, tem se verificado a busca na descoberta de fatos ou evidências que coloquem Jesus em condição humana ao menos semelhante de qualquer mortal feito nós. Se ao que diz respeito à história o tema é palpitante, assemelha-se àquele outro que procura descobrir qual a data correta do nascimento de Jesus. Esses aspectos históricos e sociais a respeito do Cristo têm sua importância rebaixada à zero, se comparados aos ensinamentos morais os quais Jesus veio transmitir à humanidade, e que até hoje não foram aceitos e compreendidos devidamente em toda a sua profundidade. Porque, houvessem sido, e não teríamos guerras estúpidas, desigualdade social, tanta vida desperdiçada por causa de orgulho, egoísmo e intolerância.
Na verdade, se verificarmos bem, não será difícil deduzir que nem mesmo aqueles que a Jesus eram mais próximos, seus discípulos, sabiam maiores detalhes sobre a vida do Mestre, porque, para darem a ele uma feição mais próxima à humana que em nada corresponde à realidade, recorreram a mitos conhecidos, por exemplo, Mitra.
Jesus trouxe à humanidade, mais que a terceira revelação, a luz que faltava. Com sua presença entre nós, e seus ensinamentos, desfez-se as trevas. Sua proposta de amor incondicional e perdão entre homens, semeando o bem e a felicidade, hoje, para colhê-las, no amanhã que certamente virá afronta o imediatismo humano, que ainda prefere receber sem nenhum esforço os benefícios de um Deus, um Messias, provedores de tudo do que conquistar com o próprio esforço e merecimento através do trabalho que visa seu progresso espiritual.
Jesus ensinou que cada qual deveria carregar sua cruz, ou seja, enfrentar a sua batalha por melhorar-se como ser humano e, por conseguinte, como espírito. Mas disse, também, que ele era o caminho, a verdade e a vida.
Para o nosso bem e felicidade, Jesus é uma realidade para todos nós e está sempre de braços abertos para acolher a todos indistintamente, enquanto que Papai Noel, por sua vez, não!

A figura mítica do Bom Velhinho conquistou para si o dia 25 de dezembro na mente e no coração das pessoas. Jesus que conosco está os 365 dias do ano ainda luta por fazê-lo. E jamais desistirá. Eis o nosso maior presente de Natal. 

*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, à pag. 11, edição de 25/12/2015.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

19 ANOS - A VIDA COMO ERA...

Já passava da 1 da manhã, e o bar estava repleto de gente. Dali mais alguns minutos Mike Tyson esmurraria impiedosamente a Trevor Berbick para se tornar o mais jovem campeão mundial dos pesos pesados. Mas acho que pouca gente fora eu estava realmente interessada nisso, embora este fora o pretexto para que quase toda a juventude de Rio Claro se reunisse no Stones Rock Bar naquela noite. Gente rindo, bebendo e conversando, acotovelando-se, disputando ao direito sagrado de ir ao banheiro eliminar os excessos da cerveja consumida.
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Havia quem tomasse uísque, vinho, e vodka. Em geral os intelectuais, mas eram poucos. Naquele ambiente descontraído do bar, não havia distinção entre homens e mulheres. Elas também tomavam a iniciativa quando uma paquera as interessava, sem nenhum pudor ou ressentimento. Era possível fumar no ambiente, sem janelas, apenas alguns vitrôs, uns abertos e outros quebrados, que davam vistas para sabia-se lá o quê, portas de entrada e saída que se mantinham fechadas o tempo todo, muitos ventiladores de teto e de parede, que apesar do grande esforço não conseguiam dissipar o calor insuportável. Mas quem se importava com isso? Havia cerveja gelada, mulheres bonitas e homens interessantes, fosse lá para uma conversa reservada num dos quatro disputados cantos do bar, aquele espaço mais aconchegante e escuro onde as coisas aconteciam. Tudo somado à confusão do falatório, das músicas que chegavam muito bem aos ouvidos de todos, por causa das caixas de som grandes, medonhas e pretas, distribuídas por todos os cantos do bar, deixava tudo meio insano, fazendo com que a mente ficasse meio que em suspenso, de modo que os olhos tudo observassem meio que em câmera lenta e a vida pulsasse em descompasso. E as palavras hesitantes, ora faltassem, e quando compareciam, pouco elucidavam. Mas nada disso tinha importância, as palavras. Quem se lembraria delas na manhã seguinte?
Feito eu, Thomas Adler estava atento à proclamação do resultado da luta, os olhos grudados em uma das televisões, aquela mais próxima do balcão, onde ele tomava uma cerveja.
Houve tempo em que eu odiara aquele sujeito. Ele era pobre, nada bonito e discreto demais em minha opinião. Mas as garotas tinham simpatia por ele, embora eu não entendesse motivo para tanto.
Um dia, Thomas deu-me prova de sua lealdade, ainda que não tivéssemos relacionamento que justificasse tal atitude. Passei a vê-lo com outros olhos, mais humanos, o que, absolutamente não era do meu feitio. Mas procurei manter-me indiferente em relação a ele e à distância, para que não acusasse o modo diferente como eu passara a vê-lo.

CONTINUA... 

PORTA ABERTA

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Já não me importa os dias
Sábado, domingo ou 14
Duas vezes, 7 dias
Já não me lembro quantas vezes
Abri e fechei aquela porta, de vidro, partido
Quantas vezes – Quantas? – consertei aquele cadeado
Aquela privada, quantas vezes, entupi
Já não me dou conta das páginas que faltam
E do caminho a percorrer
Não faz muita diferença
Esquecer as anotações – onde as pus?
Debaixo da cama, em cima do guarda roupa
Pedaços de papéis de algum valor – duvidoso
... se espalham
Sapatos, meias, cuecas, caídas debaixo da cama
Garrafas, vazias – que pena! – poemas deixados, tocos de cigarros
Apagados? Não! Acesos, queimando
À Fernando caberá o ato derradeiro, o gesto fatal
Não quero ver, desligo a tevê
Caminho pelo corredor molhado
A lua escondida, meio que ausente, entre o telhado e...
as nuvens, urubus – feios, nojentos, ogros
Disformes, dementes, doentes nuvens
Abro o portão

Ei-la, e eu em seus braços: solidão

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

DEPENDE DE NÓS

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Imagine se televisão, rádio e internet, houvesse no tempo do Império Romano, quando centenas, milhares de pessoas eram crucificadas, quase diariamente, ou à época da Inquisição, quando por pensar diferente do que determinava a Igreja, as pessoas, amarradas em postes e aos olhos de curiosos, viravam churrasco. Ou ao tempo da Revolução Francesa, no qual muitas cabeças rolaram a mando de Robespierre. Ou ainda mais recente na História, período em que durou a 1ª. Guerra mundial, a última onde além dos homens empunhando espadas tombavam os cavalos.
Hoje, assiste-se estarrecido as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico. É fato que a maioria das pessoas repudia esses acontecimentos que visariam segundo aqueles que o praticam punirem os infiéis a Allah, leia-se, Deus. Mas então é de se perguntar a qual Deus eles se referem? Não é certamente ao Deus que se manifesta através de suas obras, generoso, paciente e amoroso para com todos indistintamente. Duvida? Observe então tudo o que não é obra humana. E perceba que o homem só é capaz de criar, a partir daquilo que é obra de Deus, ou qualquer que seja lá o nome que se queira dar a essa inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.
O mês de dezembro é especial para a população do Ocidente. Nele comemora-se o nascimento daquele que é considerado por muitos o exemplo de humano a ser seguido. Sabe-se hoje que o personagem histórico Jesus, filho de José e Maria, primo de João Batista, descendente do rei Davi, enfim, o Cristo para os que crêem e procuram seguir seus ensinamentos, muito dificilmente teria nascido na data em que se comemora seu aniversário. Mas, o que isso importa diante de sua proposta renovadora do comportamento moral para a humanidade, baseada no perdão das ofensas, no amor sem impor condições e restrições e sem esperar por recompensa, no conceito universal de família, onde todos são irmãos independentemente do local onde nasçam e vivam ou da fé que professam, da orientação política e da opção sexual que venham a escolher.
A proposta deste personagem que dividiu a história da humanidade entre antes e depois dele, vai além e atinge cheio o orgulho, o egoísmo e a ambição humana, quando propõe algo que se parece tão simples e fácil, que sejamos bons para nós e para com nosso semelhante, evitando prejudicar a nós e a ele. Fácil? Na teoria, porque na prática, já se passaram 2015 anos e parece que a maioria das pessoas que se propuseram a seguir essas orientações fracassou em suas tentativas. Cabem duas perguntas: A primeira: Será verdade tenha ocorrido esse fracasso? Difícil acreditar quando se observa o progresso intelectual e moral conquistado pela humanidade, desde o tempo em que pessoas eram crucificadas, queimadas e decapitadas por qualquer motivo que contrariasse os interesses daqueles que exerciam o poder político ou religioso. 
A partir das idéias iluministas, o ser humano do Ocidente pode libertar-se das amarras da fé imposta para alçar vôos inimagináveis nas asas da razão. O tempo e as experiências vividas mostrariam mais tarde que os sábios eram aqueles que se pautavam pela fé raciocinada, que, na pior das hipóteses os impede de se deixar levar pelos excessos, pelo extremismo e pela intolerância, mantendo o tanto quanto possível uma conduta boa, decente e ética para com o semelhante.
A segunda pergunta: Por que a proposta de reforma íntima, portanto, moral, do ser humano, apresentada por Jesus, se parece impraticável?
As respostas possíveis: Por que ainda somos hesitantes, vacilantes, indiferentes aos valores que realmente nos importa e que faz diferença para melhor em nossas vidas, e que, por acaso, se acham dentro de nós, em nossas mentes e em nossos corações, adormecidos ou desacreditados. Ou seja, a bondade, a generosidade, a humildade, valores absolutamente antagônicos àqueles que ainda predominam em nós como o orgulho e o egoísmo.
Nessa época do ano, quando a maioria das pessoas se deixa envolver pelo ambiente festivo e fraterno, e se tornam mais doces, mais meigas, mais compreensivas, cada qual faça o seu exame de consciência e chegue à conclusão em quais aspectos morais ainda precisa melhorar. Pois justamente disso depende a felicidade ao alcance de todos e, conseqüentemente, um mundo melhor. Está escrito em algum canto: O exterior apenas reflete o interior.
*Publicado na edição No. 140, Dez./2015, do Jornal Aquarius.
*Publicado na edição de 08/12/2015, à pág. 9 do Jornal Diário do Rio Claro.