quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

19 ANOS - A VIDA COMO ERA...

Já passava da 1 da manhã, e o bar estava repleto de gente. Dali mais alguns minutos Mike Tyson esmurraria impiedosamente a Trevor Berbick para se tornar o mais jovem campeão mundial dos pesos pesados. Mas acho que pouca gente fora eu estava realmente interessada nisso, embora este fora o pretexto para que quase toda a juventude de Rio Claro se reunisse no Stones Rock Bar naquela noite. Gente rindo, bebendo e conversando, acotovelando-se, disputando ao direito sagrado de ir ao banheiro eliminar os excessos da cerveja consumida.
Reprodução
Havia quem tomasse uísque, vinho, e vodka. Em geral os intelectuais, mas eram poucos. Naquele ambiente descontraído do bar, não havia distinção entre homens e mulheres. Elas também tomavam a iniciativa quando uma paquera as interessava, sem nenhum pudor ou ressentimento. Era possível fumar no ambiente, sem janelas, apenas alguns vitrôs, uns abertos e outros quebrados, que davam vistas para sabia-se lá o quê, portas de entrada e saída que se mantinham fechadas o tempo todo, muitos ventiladores de teto e de parede, que apesar do grande esforço não conseguiam dissipar o calor insuportável. Mas quem se importava com isso? Havia cerveja gelada, mulheres bonitas e homens interessantes, fosse lá para uma conversa reservada num dos quatro disputados cantos do bar, aquele espaço mais aconchegante e escuro onde as coisas aconteciam. Tudo somado à confusão do falatório, das músicas que chegavam muito bem aos ouvidos de todos, por causa das caixas de som grandes, medonhas e pretas, distribuídas por todos os cantos do bar, deixava tudo meio insano, fazendo com que a mente ficasse meio que em suspenso, de modo que os olhos tudo observassem meio que em câmera lenta e a vida pulsasse em descompasso. E as palavras hesitantes, ora faltassem, e quando compareciam, pouco elucidavam. Mas nada disso tinha importância, as palavras. Quem se lembraria delas na manhã seguinte?
Feito eu, Thomas Adler estava atento à proclamação do resultado da luta, os olhos grudados em uma das televisões, aquela mais próxima do balcão, onde ele tomava uma cerveja.
Houve tempo em que eu odiara aquele sujeito. Ele era pobre, nada bonito e discreto demais em minha opinião. Mas as garotas tinham simpatia por ele, embora eu não entendesse motivo para tanto.
Um dia, Thomas deu-me prova de sua lealdade, ainda que não tivéssemos relacionamento que justificasse tal atitude. Passei a vê-lo com outros olhos, mais humanos, o que, absolutamente não era do meu feitio. Mas procurei manter-me indiferente em relação a ele e à distância, para que não acusasse o modo diferente como eu passara a vê-lo.

CONTINUA... 

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