quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

PORTA ABERTA

Reprodução
Já não me importa os dias
Sábado, domingo ou 14
Duas vezes, 7 dias
Já não me lembro quantas vezes
Abri e fechei aquela porta, de vidro, partido
Quantas vezes – Quantas? – consertei aquele cadeado
Aquela privada, quantas vezes, entupi
Já não me dou conta das páginas que faltam
E do caminho a percorrer
Não faz muita diferença
Esquecer as anotações – onde as pus?
Debaixo da cama, em cima do guarda roupa
Pedaços de papéis de algum valor – duvidoso
... se espalham
Sapatos, meias, cuecas, caídas debaixo da cama
Garrafas, vazias – que pena! – poemas deixados, tocos de cigarros
Apagados? Não! Acesos, queimando
À Fernando caberá o ato derradeiro, o gesto fatal
Não quero ver, desligo a tevê
Caminho pelo corredor molhado
A lua escondida, meio que ausente, entre o telhado e...
as nuvens, urubus – feios, nojentos, ogros
Disformes, dementes, doentes nuvens
Abro o portão

Ei-la, e eu em seus braços: solidão

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