sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

REFLEXÕES PARA 2017



O poeta Manoel de Barros escreveu certa ocasião: “A importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produz em nós”.
Às vezes, estas coisas que nos causam encantamento são pequenas coisas. Exemplo: Um botão de rosa vermelha que uma pessoa apaixonada entrega a outra, declarando o seu amor. Mais um exemplo: O abraço demorado de um pai no seu filho pequeno ao despedir-se dele para uma longa viagem. Sem saber ao certo se voltará a ver o filho. Ou a emoção que um pensamento como esse do poeta Manoel de Barros, pode causar às pessoas sensíveis que o leem.
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Coisas pequenas, gestos pequenos, mas que se tornam importantes e marcam profundamente porque tem o poder de encantar a pessoa humana. Ou seja, proporcionar-lhe alegria.
Nos próximos dias, mais uma vez vamos virar o calendário. Por que não aproveitamos a oportunidade para reavaliarmos nossas ações, pensamentos, sentimentos e até as nossas conversações?
Por que não aproveitar a oportunidade deste final de ano para indagar: O que tenho feito da minha vida? Estou satisfeito comigo? Como posso tornar a minha vida melhor, mais produtiva? Posso ser melhor para mim? E melhor para os outros? Há alguma coisa que eu preciso melhorar em mim? Como eu posso melhorar?
Uma dica valiosa para isso: Procure conhecer-se melhor. Ou seja, admita seus erros, suas imperfeições, identifique os pontos positivos e os negativos da sua personalidade.
Todo trabalho de renovação íntima exige três coisas: conhecimento, planejamento, vontade. Conhecimento: para saber o que eu preciso melhorar em mim; planejamento: para estabelecer como posso melhorar; vontade: para levantar depois da queda. Sim, porque as quedas virão, são inevitáveis, fazem parte do nosso aprendizado humano.
Todos nós, do maior ao menor de nós, temos dificuldades em aceitarmos as situações adversas da vida, não importa a situação favorável ou desfavorável que nos encontramos. Em princípio, nós reclamamos das nossas aflições. Até achamos injusto sofrê-las, por esse ou aquele motivo.
Mas quando reclamamos ou achamos injusto sobre alguma situação adversa que a vida nos apresenta, é porque o nosso orgulho está falando muito alto dentro de nós. O orgulho nos impede de sermos felizes. E o egoísmo nos impede de compartilharmos a felicidade quando a vivemos.
Mesmo pessoas de boa índole, morrem sem admitir os seus erros, as suas imperfeições. Preferem morrer angustiadas, mas não pedirem perdão, nem a outro, nem a si mesmas.
Essa é a nossa tendência. Algumas pessoas, todavia, contrariam essa tendência. Porque já estão em um nível de entendimento sobre a vida melhor, mais amplo, que o da maioria. Mas, a maioria de nós, ainda evita compartilhar, por exemplo, as coisas de valor material, por medo que, no futuro, lhes falte. Ou porque se acham as únicas responsáveis por suas conquistas materiais. E pessoais, inclusive.
Tais pessoas não se deram conta de que as nossas maiores lutas são conosco mesmo, para que vençamos o orgulho e o egoísmo que ainda existe em nós. Mas, por que vencer o orgulho? Porque ele nos impede de nos amarmos e nos perdoarmos. E nos impede de amarmos e perdoarmos os nossos semelhantes. E ao nos impedir de amar e perdoar, nos impede de sermos felizes.
Há problemas que poderiam ser resolvidos se houvesse disposição para o diálogo. Mas a maioria de nós ainda prefere manter sua opinião, posição, e sua insatisfação.
Talvez, leitor, a vida não seja e nunca tenha sido aquela que você tanto desejou. Talvez nunca venha a ser. Mas é sua vida. Ame-a! E não deixe para fazê-lo depois, faça-o agora, desde já. A vida é um contínuo. Qualquer que seja a situação em que você se encontre – neste plano da vida ou no de lá – você estará vivendo. E, de duas uma, ou estará se conduzindo por suas virtudes, ou estará se deixando conduzir por suas imperfeições.
Se você acha que pode melhorar-se, comece a mudar suas atitudes, seu modo de ver, pensar e sentir. E se expressar, inclusive. Se utilize das pequenas coisas, dos pequenos gestos para expressar os seus melhores sentimentos. São eles que calam no coração, e que permanecem para sempre na memória de quem os recebe.
Abrace as pessoas ao cumprimentá-las. Diga-lhes bom dia! Sorria para as pessoas ao cruzar com elas na rua. Mesmo que não as conheça. Ao surpreendê-las, talvez você fuja à solidão em que se encontre. Que benefício maravilhoso você pode proporcionar, com apenas um sorriso, em favor de uma pessoa, que talvez, você nem conheça.
Para se tornar uma pessoa melhor, comece as mudanças necessárias em você, no trato com a sua família. Esqueça um pouco o smartphone, a televisão enorme, moderna e abrace os seus. Beije-os. Diga-lhes que os ama!
Não se incomode de ser o burrinho de carga para o seu filhinho pequeno. Arrume um tempo para ele. Um dia você se aposenta, talvez mude de emprego ou de negócio. Mas seu filho será sempre seu filho. E que recordações ele trará de você?
Não tenha vergonha de ser o eterno apaixonado por sua mulher, por seu marido. Não precisa dar a ele ou a ela, o carro do ano. Nem se sinta envergonhado ou diminuído por não poder fazê-lo. Mas olhe fundo nos olhos dele ou dela. Faça-o compreender a importância fundamental que ela ou ele tem na sua vida.
Pequenas coisas. Pequenos gestos. É possível expressar o amor através deles. Porque são eles que fazem a diferença para melhor em nossas vidas e que permanecem conosco. Nossa felicidade é uma construção. E toda construção começa na base, no alicerce. Ou seja, nos pequenos atos de bondade: um sorriso, um abraço, uma palavra amiga, um minuto de atenção ou mesmo de silêncio, que proporcionamos a alguém.
Acostumando-nos aos pequenos atos de bondade, estaremos um dia, preparados para ações de maior importância e amplitude. Então, seremos mestres. Por ora, somos alunos. Sejamos bons alunos então, nesta escola da vida.
*Publicado em versão reduzida no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 01,02/jan./2017, à pág. 16.
*Publicado no Jornal Tribuna, de Rio Claro, edição de 07/01/2017, à pág. 7.  


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

PERDER-SE



Perder-se
Perder-se numa rua reta
Nas curvas do atalho
Perder-se a contemplar o céu
Acompanhando o movimento das nuvens
Perder-se a observar o olhar... do gato, à procura
Perder-se nos minutos das horas que demoram a chegar
Mas que nenhum segundo sequer perdem, quando levam
O que julgam lhes pertencer
Perder-se na rotina elaborada das páginas escritas
Em meio aos escombros do que fica
Perder-se a contemplar a profusão de luzes
Imaginando que elas irão revelar o destino, a forma, a melhor, de amar
Perder-se ao contar os dias, sentado na calçada, encostado no poste,
Enquanto tudo passa, todos passam, e ninguém o vê
Perder-se acreditando-se capaz
De acordar pela manhã uma nova pessoa
Que deixa na escuridão da noite, na confusão dos sonhos,
Todos os seus medos
Perder-se ao som do violino
Encoberto, desaparecido, aos poucos, pela voz, que declama, canta
Os sonhos que sequer lamberam os pés da realidade
Perder-se, porque a vida é feita mesmo disso
Uns se perdem, se desnudam, se revelam
Se oferecem em sacrifício
Para que outros, os fracos, evitem o caminho
Desviem do buraco, fujam da escuridão
Onde, certamente, jamais suportarão
Viver...
Perder-se: sacrifício


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

NASCER, VIVER, MORRER... É ISTO, MESMO?



Olhe-se no espelho ao final da jornada, e admita:
Você é gestado nove meses,
Antes, porém, é reduzido a quase nada, apertado, sufocado, ameaçado
Nove meses claustrofóbicos, inconsciente, e com destino incerto
E sai, depois, aos gritos, rindo não, mas, chorando,
Por um orifício ampliado, e o faz de modo humilhante, de cabeça para baixo
Mas, antes, por uma razão desconhecida
Antes de se tornar a causa de uma dor parida
Você – lembre-se – disputou por sua vida
Com milhares de outras
Aspirações de vida. E venceu.
Por razões que nem você, talvez Deus, quem sabe, saiba
Então você cresce disputando a atenção com outros, maiores e melhores
Que chegaram antes, e você luta, e vence. Vence?
Nem a todos eles. Mas, de algum modo e com muito esforço
Mas, você aprende antes, a ficar de pé,
Andar, falar, pedir, reclamar, fazer
Aprende a sorrir. E a chorar.
Conhecer, difundir, duvidar, trabalhar. Sempre.
Convivendo com tantos outros iguais a você
Nem tão iguais assim.
Competindo com eles, passa pelo tempo.
Tentando, por vezes, ajudá-los
E por vezes, destruí-los
Você segue os seus dias incertos
Tentando melhorar-se como pessoa humana, às vezes
Quando a vida lhe cobra isto
Pai, filho, irmão, marido, esposa
Patrão, empregado, mestre, aluno
Você tenta sê-los o melhor que pode
Porque o convenceram disso desde o início
Porque o meio, feito dos outros que você nem conhece,
Nem sabe se realmente existem, lhe exige isso
Passa o tempo, e você percebe que todos os seus sonhos
E suas aspirações se reduzem a nada
Porque antes de pensar e de cuidar
Delas e de você, você precisa cuidar dos outros
Corresponder aos outros, àquilo que eles esperam de você.
E há momentos que, em meio a tantas atribuições e expectativas
Sob sua responsabilidade, você tem dificuldade de se achar, de se lembrar
De que você existe
Chega tempo em que algo acontece
Ou você adoece, e a vida, aquilo que nunca foi
Você percebe, resignado, que jamais será.
Obediência é o que lhe resta.
Então, de repente, mas nem tanto, escurece
E você desaparece
E se não pudesse despertar, em algum lugar, sei lá onde
E recomeçar de onde parou
Então, de que valeria tudo isso, toda essa trajetória, a vida?
De que valeria, se, a noite que chega, permanecesse, sempre.
Não. Recuse a ideia. Não pode ser isso.
Deve mesmo existir a página seguinte
Deste poema que se repete, repete... chamado Vida

sábado, 24 de dezembro de 2016

JESUS, GUIA E MODELO PARA A HUMANIDADE


Vivemos o Natal. E muitas pessoas se entristecem nesta época do ano, porque lamentam por aquilo que não tem e que não podem fazer. Ou porque se prendem ao passado. Choram por aqueles que já se foram. E algumas pessoas, ao vivenciarem esse tipo de situação, até se revoltam.
Para essas pessoas é preciso mudar a chave do entendimento e da percepção das coisas. Ou seja, ver e pensar diferente. Agir diferente. E, se necessário, adaptar-se às circunstâncias para melhor viver as situações.
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Aproveitemos essa época do Natal, para nos reconciliarmos com os nossos inimigos. Jesus, a respeito disso, nos recomendou, a nos reconciliarmos com nosso inimigo, enquanto estivermos a caminho com ele. E por que isso? Por que depois, talvez seja mais difícil. Nós, que acreditamos na vida após a morte, como nos sentiríamos sabendo que do lado de lá da vida, existe alguém que não tem simpatia por nós, que tem alguma diferença, alguma pendência conosco? “Perdoar, não sete vezes, Pedro. Mas setenta vezes sete”, ou seja, perdoar sempre.
Quando acontece o entendimento, o perdão, podemos ter certeza que, da inimizade momentânea, surgirá uma grande e eterna amizade.
E finalmente, vamos aproveitar o Natal, para buscarmos lá do mais fundo do nosso interior a bondade que já existe em nós. Em essência, todos somos bons, porque somos todos filhos de Deus, que é infinitamente bom.
Algumas vezes, devido a nossa falta de entendimento e de aceitação para com as coisas da vida, nós, momentaneamente, perdemos a fé, nos revoltamos, nos tornamos até violentos, agredimos o nosso semelhante, como se ele fosse culpado por nossas aflições. Mas esse não é o melhor caminho, não é a melhor decisão a tomar.
Jesus, o guia e o modelo para a humanidade, nos ensinou que devemos retribuir o mal com o bem. Deus, que é Pai de todos, vê e considera o nosso esforço, e sabe a medida de nossas forças.
Aproveitemos o Natal, para abraçarmos com carinho, nossos familiares e amigos. Para trazer ao nosso convívio, aqueles que sabemos, estão entregues à solidão. Para oferecermos ou buscarmos o perdão, para aqueles que, em algum momento, por algum motivo, nós nos desentendemos.
Nos preocupemos menos com presentes e comidas, e mais com a pessoa humana. Sejamos fraternos, através daquilo que todos temos e podemos oferecer: um sorriso, um abraço, uma palavra amiga, um minuto de atenção. Celebremos a vida junto daqueles que, de algum modo, fazem parte de nossas vidas.
Se nos acostumarmos a isso, nossas vidas serão melhores, e o mundo será melhor. Teremos Natal todos os dias. Porque nossas palavras, pensamentos, sentimentos e ações estarão se ocupando com coisas boas, positivas, elevadas. Nós estaremos vivendo numa sintonia humana e espiritual melhor que essa a qual nos encontramos.
Antes de lamentarmos por aquilo que por ventura nos falta, compartilhemos com aqueles que nada tem, o que já possuímos.
O aniversariante do dia, Jesus, ele não nos pede sacrifícios, e nada que esteja além de nossas forças e possibilidades, mas apenas, que, cada um de nós, faça a sua parte, com amor e humildade.
Revivamos o Cristo entre nós, lembrando que fora da caridade não há salvação. E a caridade só nos pede uma coisa: boa vontade em amar e servir.
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 25,26/dez./2016, à pág. 12.