quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O PRAZER DA LEITURA

Quem detém a informação detém o poder. Quem já não ouviu essa máxima por aí? E uma das formas mais eficientes de obter a informação é a leitura. Por exemplo, foi através da leitura de um jornal que aprendi que as obras de Shakespeare foram traduzidas para mais de cem idiomas e estudadas pela metade dos alunos do mundo. E mais, que o Shakespeare foi fundamental na formação do inglês moderno ao introduzir em seus textos inúmeras e novas palavras.
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Foi também através da leitura que pela primeira vez me dei conta do óbvio: Deus criou um só mandamento proibindo o homem de se alimentar do fruto da árvore do bem e do mal. Bem mais modesto que o pretensioso legislador Moisés, que, de uma só tacada instituiu dez mandamentos. Mas nesse aspecto nada supera o Concilio de Trento, em 1545 que fez 272 proibições aos fiéis católicos.
Ah, ia me esquecendo, em apenas duas páginas de jornal obtive as tais informações relevantes sobre cultura geral, e mais outra, que os novos elementos incorporados à tabela periódica (leia-se Química) são artificiais, portanto, não foram descobertos, mas criados artificialmente em laboratório.
Portanto, querido leitor, se você chegou até aqui na leitura deste artigo, saiba que faz parte do seleto rol que busca adquirir informação e conhecimento através da leitura.
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E pensando bem, não há nada que impeça na atualidade que as pessoas mantenham ou adquiram o hábito da leitura. Porque a leitura é um hábito que se adquire, por sugestão e incentivo, e isso depende primeiramente do interesse dos pais. Ou por vontade própria, o que já é mais difícil, embora não seja impossível, desde que o indivíduo tenha um interesse natural pela leitura.
Quando falamos sobre leitura, logo vem à mente aqueles livros chatos que nos são impostos na escola, durante a nossa adolescência. Sobre isto trago-lhe uma informação preciosa que talvez vá surpreendê-lo. Aqueles livros, em sua maioria não são nada chatos. E muito menos seus autores, os quais se dedicaram a realizá-los, quase sempre em situações absolutamente adversas. Ou você acha que a remuneração sobre 10% do preço de capa de um exemplar, permite a algum escritor sério sustentar-se dignamente?
Por sinal, os autores brasileiros são ótimos. Mas se você nunca leu um livro, não adianta começar com um Guimarães Rosa. Aliás, antes dos romances, experimente os contos e as poesias. Ou até os ensaios, que são aqueles textos interessantes que tratam de um tema real a partir de uma ficção. Ler um bom romance exige fôlego, o que um leitor iniciante geralmente não terá. É como se você nunca tivesse nadado, e ao aprender ou se interessar por isso, já quisesse atravessar o canal da Mancha. Portanto, tente antes um Murilo Rubião, um Mario Prata, um Lima Barreto, um Fausto Wolff, um Ruy Castro.
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Onde encontrá-los? Nas bancas dos bairros, onde você também encontra as edições dos jornais e das revistas. E nas livrarias, obviamente. Na Texto & Cia, do Mário, avenida 7, ruas 1 e 2, centro. Nos sebos, como o História do incansável Johnny, na Rua 6, entre avenidas 2 e 4. Ou se a grana estiver curta, encontra gratuitamente, em qualquer biblioteca pública, e Rio Claro as tem em boa conta. Na Avenida 4 ruas 5 e 6, você acha o centenário Gabinete de Leitura, onde será atendido pelas simpáticas e atenciosas funcionárias. No Centro Cultural Roberto Palmari, ao final da Avenida Visconde, tem a Biblioteca Maria Alem Jorge. No grande Cervezão, mais uma biblioteca pública. E o Projeto Livro Vivo, na antiga Estação Ferroviária. E se você se interessa por assuntos espíritas e espiritualistas tem a Livraria Páginas de Luz à Rua 14 avenidas 17 e 19, a única especializada no gênero em Rio Claro.
O importante é começar. Escolha uma leitura que você presuma lhe seja interessante. Leia uma frase, e depois um parágrafo, um período, dali a pouco estará lendo uma página, um capítulo e um livro inteiro. É um processo lento e gradual para se adquirir o hábito da leitura. Mas eficiente.
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Vá escolhendo gêneros e temas diversos. Sinta-se como um sommelier, aquele invejável profissional, cuja prazerosa função é experimentar o sabor dos vinhos. Enfim, experimente de tudo, até se identificar com aquele tipo de leitura que mais lhe agrada. E dedique-se a ela. E tenha certeza que o fará com prazer.

* Publicado na edição de 13/2/2016, à pág. 2, do Jornal Diário do Rio Claro, c/ chamada de 1a. página.   

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