domingo, 10 de janeiro de 2016

RESPONDA: VOCÊ É UM PÉ DE BREQUE?

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Cara de cavalo, pé de breque, vai baralho (quer dizer, se você leu outra coisa não é culpa minha), mas estas são algumas das expressões que meu irmão, se utiliza ao falar comigo. Tem aquela outra, também: O seu bos...! – bem, fiquemos por aqui. Carlão é um cara educado, como se pode ver. E tem um coração enorme, bem maior que o meu, devo confessar. Mas de todos os vocativos de que ele se utiliza para se dirigir a mim, o que mais me chama a atenção é o honorabilíssimo e indesculpável: Pé de Breque.
Pois bem, considerando isso... Neste mês em que completo 47 invernos, inclusive no mesmo dia que Maurício Beraldo, o dono do Jornal Aquarius – uma salva de palmas, pro Beraldo – eu diria que preservar as tradições e a cultura, não significa impô-las como norma de conduta à sociedade. Mas, saber compartilhá-las, reconhecendo e respeitando a sua importância. As coisas mudam porque as pessoas mudam e porque são substituídas. Novidades surgem porque a evolução sem fronteira é uma das características principais do ser humano. Com o tempo, tudo se renova. E as pessoas novas vão ocupando o seu espaço, tomando decisões, e, aos poucos, inserindo novos hábitos e novos costumes à sociedade humana. E isto é inevitável e é bom que seja assim, porque a partir dessas transformações, a vida se renova e a sociedade humana se revigora e prospera.
A minha geração, por exemplo, que está na maturidade, em termos de valores morais, hábitos e costumes, ainda assimilou alguma coisa da geração que nos antecedeu, a de nossos pais e avós. Mas bem pouco e bem menos do que poderia.
Mas a geração que hoje representa a juventude parece não ter assimilado nada da nossa. E o mais interessante, parece não demonstrar necessidade disso. E, mais que isso, e não sei se para o bem ou para o mal, parece mesmo desprezar deliberadamente a importância – se existe – de assimilar os valores morais, costumes e tradições de uma geração como a minha, que a juventude atual, sem nenhum constrangimento, parece considerar ultrapassada. Pelo menos na história recente da humanidade – me desmintam antropólogos e historiadores – esse parece ser um fenômeno inédito.
Portanto, meu velho, e minha coroa, de 40 e poucos anos de idade – sim, eu disse 40 - se você deseja mesmo manter-se atuante e ter vez e voz na atual sociedade, adapte-se sem conflitos, jogue o jogo, adquira novos conhecimentos, assimile novas idéias, desde que não lhe pareçam estúpidas.
Participe das redes sociais de modo positivo, e se bater um saudosismo, ao invés de criticar o que a moçada curte, recorra a sites como o Memocine, o Kboing, o Youtube, vá pras tardes dançantes da Sociedade Veteranos, aos domingos, e para as festas flashbacks, vá às locadoras de vídeos, reúnam os amigos dos tempos de mocidade uma vez por mês pra lembrar aquele filme, aquela música, aqueles dias, que ainda o faz se emocionar. E sinta-se privilegiado, porque seus pais não tiveram essa chance, de trazer no bolso do colete, pronto para dele lançar mão a qualquer momento, o velho e bom saudosismo.

Mas, ao caminhar, porque a vida não permite estagnação, olhe para frente, e faça como o rio, contorne os obstáculos para que, são e salvo, em paz e feliz, na medida da sua possibilidade e do seu merecimento, você chegue ao seu destino, satisfeito com a vida e com a sensação de dever cumprido. E não se sinta ofendido se alguém lhe chamar de tiozinho ou... pé-de-breque. Faça como eu, mande-o à... Como é mesmo, Carlão?

*Publicado na edição No. 141, de Fev./2016, no Jornal Aquarius (Rio Claro/SP), á pág. 7

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