sábado, 20 de fevereiro de 2016

AO PÉ DA LETRA

O que leva um ser humano a acordar às 5 e meia da manhã de um domingo com esse versinho pegajoso na mente “Pro samba que você me convidou, com que roupa eu vou?” é coisa que nem os sábios frequentadores do Bar do Bolinha conseguem responder.  Mas sem dúvida, é a letra bem humorada e sugestiva do sucesso de 1929 do genial Noel Rosa (1910-1937) – viveu só 26 anos, sortudo!
Reprodução
Bem, finado leitor, só há uma resposta possível para essa indagação: Pagar contas. O que para um redator pé na cova feito este que vos escreve significa ligar o computador às 5 e meia da manhã de um domingo para escrever 15 linhas, porque, inclusive, e esse é um assunto muito sério, há prazos a cumprir.
Enquanto me deparo com a tela em branco, observo que há vários tipos de letras os quais posso utilizar para transformar a ideia que ainda procuro em um texto que lhe agrade, ou ao menos o torne um assassino cruel e contumaz de 5 minutinhos do seu precioso tempo. Assim espero.
Bem, a ideia acaba de surgir. Antes que tivéssemos a comodidade que o editor de texto do Windows oferece com sua infinidade de letras e tamanhos, recurso também conhecido como Open Type, nós, reles escribas, nos sujeitávamos sem opção de escolha aos tipos da máquina de escrever. Parece que o ouvi dizer papiros, caro leitor. Ora, poupe-me, nem sou tão velho assim. Eu acho.
Titio Gutenberg fez a revolução no século XV e facilitou nossas vidas. Era o tempo em que cada tipo, umas peças de metal, correspondia a uma letra. Para formar palavras, havia um processo chamado composição, que consistia basicamente em juntar essas peças de metal, de tamanhos variados, formando palavras, frases, períodos, páginas... e jornais e livros e revistas, e ... – chega!
Modificava-se, portanto, uma a uma a disposição das peças de metal, conforme a necessidade de formar palavras. Esse processo, conhecido como tipografia, perdurou por muito tempo, até idos de 1989-90, que eu me lembre, e era usual nas gráficas dos jornais de cidades do interior, em cujas redações, trabalhavam jovens besta feito eu, que imaginam poder mudar o mundo com ideias. E, não raro, esse processo demorado e trabalhoso, era motivo de brigas homéricas entre jornalistas vaidosos que primavam pelo excesso de zelo para com os seus textos, escritos no calor da emoção e da necessidade.
Apesar das vantagens do design gráfico, a tipografia, nada mais que o processo de criação física para dar estrutura e forma à comunicação escrita, sobrevive, embora pouco usual, em alguns estabelecimentos comerciais conhecidos como gráfica.
A ortografia esse termo pomposo e bonito, é o padrão para a forma escrita da palavra, e não existiria sem a letra, que, por sinal, é um substantivo feminino. Tinha de ser!
Letra, a representação gráfica do fonema. Símbolos que denotam parte da fala. Coube aos gregos, sempre eles, por volta de 800 aC, atribuir letras para as vogais, porque, até então, se bem entendi, só havia consoantes. Imagine um debate num tribunal do júri sem as vogais.
Letras são indispensáveis à vida humana, mas podem dar uma confusão danada. É o que acontece quando algumas pessoas tentam interpretar os textos sagrados ao pé da letra. Cristãos e muçulmanos que o digam.
Podem gerar preocupação, como as letras de câmbio, quando não pagas no tempo devido. Por falar nisso...
O lado bom: letras formam palavras de amor, bonitas, fortes e verdadeiras que podem ser escritas e difundidas, e levar esclarecimento e esperança àqueles que não os possuem.
Não que esse texto tenha essa pretensão, mas já é um bom começo, espero.
Ah, mais uma coisa: Alguém sabe onde fica o pé da letra?

*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 27/2/2016, à página 12;
* Publicado no Jornal Aquarius, edição No. 142, de Março/2016, à página 5.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

E NÃO?

Indispor-se com um amigo ou um ente familiar, por divergência de opiniões, é no mínimo ignorância, senão egoísmo. Mas, num tempo como o nosso onde todos têm opinião pra tudo e a tornam público, isso infelizmente é cada vez mais comum. - g.j.c.jr

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

INÚTIL

Nenhuma discussão vale a pena, se ela visa provar que alguém tem razão. - g.j.c.jr.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A POLÊMICA EM TORNO DO LIVRO DE HITLER

Uma guerra, como a conhecemos hoje, só acontece devido a um conflito de interesses comerciais. A religião serve apenas como cortina de fumaça. Atualmente, há uma polêmica no meio editorial sobre a iniciativa de algumas editoras lançar o livro Mein Kampf (Minha Luta) de Adolf Hitler, que por sinal, este ano cai em domínio público e está há muito tempo disponível na internet. Algumas pessoas se posicionam contra e outras a favor. O caso já chegou ao Judiciário, onde o juiz Alberto Salomão Jr. (para quem sabe ler um pingo é letra) proibiu a comercialização do livro.
Foto ilustrativa - reprodução
O que me chama a atenção é o fato de que as pessoas que são contra a publicação e comercialização do livro, justificarem seu ponto de vista de maneira muito simples, como se apenas o livro e seu autor fossem responsáveis pelo surgimento do nazismo. Que Hitler tenha sido uma aberração não resta a menor dúvida. Mas debitar toda a tragédia única e exclusivamente na conta dele, me parece ingenuidade ou má intenção daqueles que tem o interesse de por a sujeira (tal como ela é) debaixo do tapete. Basta lembrar que o dinheiro que financiou o nazismo e seu projeto demoníaco foi oriundo em sua maior parte fora da Alemanha. Os mesmos que ganharam dinheiro para destruir a Alemanha e boa parte a parte da Europa, no período em que durou a guerra, também ganharam  para reconstruírem a Alemanha e boa parte da Europa a que me refiro. Aliás, eles continuam a fazer isso,  em outras partes do mundo, utilizando os mesmos procedimentos e agora outros parceiros (mais conhecido como idiotas úteis). Portanto, sejam honestos, os que são contra e os que são a favor a publicação do livro Mein Kampf, ao defenderem os seus argumentos. Digam também (se é que estudaram o bastante para isso) quem produziu Hitler e o nazismo e com quais interesses. Os líderes não surgem, eles são içados a essa condição, para representar uma ideia, para servirem de intermediários através dos quais determinados interesses serão atingidos, por um determinado período de tempo, em determinado lugar e em determinada época. Quem ganha com isso? Os homens donos de dinheiro cuja única finalidade na vida é lucrar, ou seja, ganhar ainda mais dinheiro, ao passo em que se divertem com a cara de todos nós: o gado ruminante.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

UNS e OUTROS

Haverá sempre quem ganhe dinheiro com a glória, e haverá sempre quem ganhe dinheiro com a desgraça de um país, e quem ganhe dinheiro com a reconstrução inevitável, oportuna e necessária de um país.

A maneira como a sociedade humana está organizada torna indispensável a produção dos bens de consumo. E produz quem tem o capital. Os governos nada produzem. Eles apenas recebem. E recebem de quem? De quem produz: ou seja, empresários e trabalhadores, os quais, um depende do outro.
O comunismo poderia dar muito certo antes da revolução industrial, mais exatamente ao tempo das cavernas. Se a nossa única preocupação fosse nos alimentar para sobreviver. Poderíamos viver num sistema de troca, onde todos tivessem o suficiente para suas necessidades básicas.
Mas desde aquele tempo, havia o mais forte e o mais fraco dentre nós, o mais capaz e o menos capaz. E alguns dentre nós, já tinham a perniciosa mania de mandar e decidir em nome da maioria.
Desgraçadamente ou não, o ser humano tem uma tendência natural ao progresso. Mesmo instintivamente ele busca sempre melhorar sua condição de vida, motivado por um sentimento que pode, conforme sua escolha, levá-lo ao trabalho e ao progresso ou levá-lo ao desânimo e a destruição, que é a sua insatisfação.
Nós não podemos seguir mais nem completamente à direita e nem completamente à esquerda. Nós temos que encontrar um meio termo. E nós podemos isso. Somos inteligentes o suficiente para tanto.
O que precisa é que ambos os lados deixem o seu orgulho e o seu egoísmo de lado, e passem a pensar e agir na causa do bem comum de toda a sociedade humana.
Já é tempo de abandonarmos Aristóteles e darmos um passo adiante.
Utopia? Até pode ser. Mas os sonhos existem para que, desafiando os limites humanos, se tornem realidade. A construção de uma sociedade fraterna, onde não haja disputa, mas colaboração entre todos, depende único e exclusivamente da boa vontade de cada um de nós. E o que nos impede de ir à luta?