terça-feira, 19 de abril de 2016

19 de Abril

Não pergunte a razão desse olhar desconfiado que se confunde com a revolta. Não, depois de tudo. 19 de abril, dia do índio brasileiro.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

AS LIÇÕES DO IMPEACHMENT

Vencida a primeira etapa do processo que pode resultar no afastamento definitivo de Dilma Roussef do cargo de presidente da república, questões não menos importantes merecem ser consideradas.

A primeira delas é que não se caia na ilusão que bastaria a alteração do regime de governo passando do presidencialismo atual para o parlamentarismo que, por si só, é ineficiente sem a cláusula de barreira e o voto distrital. Aliás, papel e caneta, apenas, não bastam para corrigir os erros praticados pelos representantes do povo tanto no âmbito legislativo quanto no executivo. É necessário um aperfeiçoamento moral, porque se leis estabelecidas tivessem o poder de resolverem as questões objetivas da vida, a humanidade já teria atingido o nível de perfeição moral ao tempo do profeta Moisés.
Proibir não basta, é preciso educar, porque a educação tem maiores possibilidades que a ignorância de coibir a prática do delito. Mas, infelizmente, não há governo neste mundo, que deseje um povo educado, engajado e instruído.
Importante observar também que as pessoas que saíram às ruas e que se manifestaram minuto a minuto nas redes sociais contra o atual governo, diferentemente daquelas que o apóiam, não o fazem em sua maioria por questões ideológicas, mas sim porque não concordam com o modo como este governo tem se conduzido, afundado em incompetência e corrupção, e estão cansadas de sofrerem com as consequências desses malefícios, umas sendo vítimas da violência, outras do desemprego, outras ainda, cansadas de servirem de burro de carga para um estado pesado, enorme e ineficiente que tudo lhe cobra e nada lhe devolve em forma de benefícios aos que contribuem com o suor do seu rosto e o seu sacrifício para manterem o país funcionando.
Quem acompanhou a votação na câmara dos deputados no último domingo, 17, que decidiu pela admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma, viu o estado de alienação dos parlamentares que pareciam agir mais por revanchismo, populismo e interesses próprios do que em nome do povo. Aliás, se para que os parlamentares expressem fielmente a vontade popular, sejam necessárias passeatas gigantescas e manifestações a perder de vista nas redes sociais, então será preciso mais domingos e mais feriados e que ninguém mais trabalhe neste país. Daí se conclui a falta de sintonia entre representados e representantes.
Espera-se que desta vez, passado todo esse processo doloroso mas necessário, que o povo brasileiro realmente amadureça politicamente, se torne imune a discursos populistas e promessas indevidas jamais cumpridas, e assuma a sua responsabilidade de eleger com consciência, de fiscalizar com determinação os seus representantes, apelando sempre que necessário ao rigor da lei, para corrigir os erros contra o interesse comum da sociedade, por esses eventualmente praticados.
A riqueza que o povo constrói, com a sua luta diária que tanto lhe custa, não pode ser entregue às mãos de mentirosos, corruptos e daqueles que viram as costas para as necessidades e vontade da maioria, ainda que vivamos numa democracia.
*Publicado na edição de 21/4/2016, à pág. 2 do Jornal Diário do Rio Claro


quinta-feira, 14 de abril de 2016

DEPOIS DO IMPEACHMENT

Sejamos honestos. Certamente não existiríamos como país no mapa do mundo, não fosse Napoleão Bonaparte. Aprendi no livro “1808” do jornalista Laurentino Gomes que fora “La-Paille-au-Nez”, ou troque tudo isso por simplesmente “Palha no Nariz”, (apelido do velho e bom Napoleão, na infância), quem pusera D. João VI pra correr. E tão grande fora a pressa do nosso simpático reizinho gorducho que ele se antecipou aos fatos, vindo para o Brasil, digo as Terras de Santa Cruz, talvez, desnecessariamente. Mas quando viu a burrada aí já era tarde. Gomes não afirma a derradeira suposição em momento algum de seu precioso livro, mas cá com meus botões, ora, pois, acho que a dona Carlota, jamais perdoara o Joãozinho por sua decisão precipitada.
Reprodução
Pra começar, vamos de lugar-comum: Stefan Zweig tinha razão ao definir o Brasil como país do futuro. Mas de minha parte acho que o escritor austríaco, que igualmente escolhera o Brasil para fugir dos seus dramas, fora profético, se considerarmos que futuro é o tempo que jamais se realiza, mas cuja possibilidade serve pra encher de esperança as boas alminhas tementes a Deus.
Pra ser objetivo e certeiro: enganam-se os que acham que tirando a dona presidenta do Palácio da Alvorada resolveremos os nossos problemas. Ao contrário, é bem provável que iremos aumentá-los. Estaremos na prática oferecendo nosso pescoço para outro carrasco. Apenas isso. E com um agravante. O novo algoz, ao contrário do anterior, não se preocupará de nos oferecer pão e água, antes da execução.
É bem provável que os avanços sociais conquistados em 14 anos de governo esquerdista irão sendo subtraído aos poucos, sob o argumento de que o país não comporta esbanjar tantos recursos para continuar a bancá-los.
A elite que está próxima de voltar a governar o Brasil tem ojeriza por pobre semelhante a que tem por insetos, roedores e animais peçonhentos. São pessoas de mentalidade conservadora, portanto, nada progressistas. São de viés econômico liberal, ou seja, chore a sua mãe a minha não. Ela é formada basicamente por banqueiros e donos dos mais poderosos meios de comunicação social. Ou seja, ela decide o que será feito da riqueza que o trabalhador (leia-se povo) produz, uma vez que governo nenhum produz riqueza alguma, embora dela se beneficie. Essa elite também forma opinião (já formou muito mais, antes do surgimento das redes sociais, é preciso admitir). Esses dois canhões, bancos e mídias, nas mãos de gente indiferente às necessidades das minorias servem na melhor e mais amena das hipóteses, como elementos controladores e determinadores dos destinos da sociedade.
O leitor dirá que a causa maior através da qual se luta para depor a dona governanta é o combate à corrupção que assola as finanças do país. Ótimo. Mas achar que a simples troca de governante irá acabar com essa praga que também é uma tendência natural do brasileiro é ingenuidade, beira a estupidez. Basta lembrar que, até pouco tempo, quando tudo ia bem, a corrupção que sempre existiu nestas Terras de Santa Cruz, desde os tempos de Mem de Sá, Tomé de Souza e Duarte da Costa, não incomodava nenhum pouco. Para muitos inclusive, era um ideal de vida a ser alcançado.  Agora, porém, que a maioria dos brasileiros sente no bolso os efeitos nocivos da corrupção, tornou-se esta prática nefasta como a caça a ser abatida.
O fracasso do projeto de poder esquerdista foi ter bebido e se embriagado da mesma água contaminada que a elite econômica sempre fez uso. A diferença é que referida elite, de tanto fazê-lo, desde tempos imemoriais, dela se tornou imune.
Uma vez no poder e para nele manter-se, a esquerda brasileira perdeu-se na necessidade de cooptar a todos quanto possíveis em torno de si e em seu benefício, e por tal motivo acabou como que vendendo a alma e as cuecas ao diabo, contradizendo-se a si mesma, praticando tudo o que sempre condenou, atirando por terra a confiança dos seus idealistas e genuínos apoiadores, também daqueles que se deixaram levar por suas promessas adiadas indefinidamente, bem ao estilo socialista.
Mas, oportuno lembrar que, para chegar ao poder, a esquerda brasileira teve antes que beijar a mão dos donos do dinheiro. Estes dela se utilizaram para aumentarem ainda mais o seu poderio econômico, o seu lucro, a sua influência e poder de manipular e decidir, e conseguiram, basta ver, por exemplo, os lucros auferidos pelos bancos a cada ano, nos últimos 14 anos.
Quem já estudou alguma coisa sobre o Socialismo Fabiano, sabe que os donos da bufunfa agem assim mesmo. Não se preocupam com quem senta no torno, porque sabem que nem este e nem o trono por si só não lhes representa ameaça.
O finado comunista Ernest Hemingway, escritor americano, autor entre outros, de “Por quem os sinos dobram”, romance ambientado durante a guerra civil espanhola (1936-1939) dizia com conhecimento de causa que o melhor da festa é esperar por ela.
Parece que, por ora, a festa para os seus companheiros do Brasil, acabou. Mas, fica o consolo e a certeza da substancial folha de serviços prestados algo que, poderá, no futuro, servir de pretexto para uma nova convocação por parte daqueles que de fato mandam porque possuem em quantidade inimaginável aquilo que tudo torna possível e tudo transforma, aquilo que de fato tem valor numa sociedade, em sua esmagadora maioria criada e mantida apenas para obedecer, produzir riqueza e consumir migalha: o dinheiro.
* Publicado na edição de 16/4/2016, à pág. 2 no Jornal Diário do Rio Claro.