quinta-feira, 14 de abril de 2016

DEPOIS DO IMPEACHMENT

Sejamos honestos. Certamente não existiríamos como país no mapa do mundo, não fosse Napoleão Bonaparte. Aprendi no livro “1808” do jornalista Laurentino Gomes que fora “La-Paille-au-Nez”, ou troque tudo isso por simplesmente “Palha no Nariz”, (apelido do velho e bom Napoleão, na infância), quem pusera D. João VI pra correr. E tão grande fora a pressa do nosso simpático reizinho gorducho que ele se antecipou aos fatos, vindo para o Brasil, digo as Terras de Santa Cruz, talvez, desnecessariamente. Mas quando viu a burrada aí já era tarde. Gomes não afirma a derradeira suposição em momento algum de seu precioso livro, mas cá com meus botões, ora, pois, acho que a dona Carlota, jamais perdoara o Joãozinho por sua decisão precipitada.
Reprodução
Pra começar, vamos de lugar-comum: Stefan Zweig tinha razão ao definir o Brasil como país do futuro. Mas de minha parte acho que o escritor austríaco, que igualmente escolhera o Brasil para fugir dos seus dramas, fora profético, se considerarmos que futuro é o tempo que jamais se realiza, mas cuja possibilidade serve pra encher de esperança as boas alminhas tementes a Deus.
Pra ser objetivo e certeiro: enganam-se os que acham que tirando a dona presidenta do Palácio da Alvorada resolveremos os nossos problemas. Ao contrário, é bem provável que iremos aumentá-los. Estaremos na prática oferecendo nosso pescoço para outro carrasco. Apenas isso. E com um agravante. O novo algoz, ao contrário do anterior, não se preocupará de nos oferecer pão e água, antes da execução.
É bem provável que os avanços sociais conquistados em 14 anos de governo esquerdista irão sendo subtraído aos poucos, sob o argumento de que o país não comporta esbanjar tantos recursos para continuar a bancá-los.
A elite que está próxima de voltar a governar o Brasil tem ojeriza por pobre semelhante a que tem por insetos, roedores e animais peçonhentos. São pessoas de mentalidade conservadora, portanto, nada progressistas. São de viés econômico liberal, ou seja, chore a sua mãe a minha não. Ela é formada basicamente por banqueiros e donos dos mais poderosos meios de comunicação social. Ou seja, ela decide o que será feito da riqueza que o trabalhador (leia-se povo) produz, uma vez que governo nenhum produz riqueza alguma, embora dela se beneficie. Essa elite também forma opinião (já formou muito mais, antes do surgimento das redes sociais, é preciso admitir). Esses dois canhões, bancos e mídias, nas mãos de gente indiferente às necessidades das minorias servem na melhor e mais amena das hipóteses, como elementos controladores e determinadores dos destinos da sociedade.
O leitor dirá que a causa maior através da qual se luta para depor a dona governanta é o combate à corrupção que assola as finanças do país. Ótimo. Mas achar que a simples troca de governante irá acabar com essa praga que também é uma tendência natural do brasileiro é ingenuidade, beira a estupidez. Basta lembrar que, até pouco tempo, quando tudo ia bem, a corrupção que sempre existiu nestas Terras de Santa Cruz, desde os tempos de Mem de Sá, Tomé de Souza e Duarte da Costa, não incomodava nenhum pouco. Para muitos inclusive, era um ideal de vida a ser alcançado.  Agora, porém, que a maioria dos brasileiros sente no bolso os efeitos nocivos da corrupção, tornou-se esta prática nefasta como a caça a ser abatida.
O fracasso do projeto de poder esquerdista foi ter bebido e se embriagado da mesma água contaminada que a elite econômica sempre fez uso. A diferença é que referida elite, de tanto fazê-lo, desde tempos imemoriais, dela se tornou imune.
Uma vez no poder e para nele manter-se, a esquerda brasileira perdeu-se na necessidade de cooptar a todos quanto possíveis em torno de si e em seu benefício, e por tal motivo acabou como que vendendo a alma e as cuecas ao diabo, contradizendo-se a si mesma, praticando tudo o que sempre condenou, atirando por terra a confiança dos seus idealistas e genuínos apoiadores, também daqueles que se deixaram levar por suas promessas adiadas indefinidamente, bem ao estilo socialista.
Mas, oportuno lembrar que, para chegar ao poder, a esquerda brasileira teve antes que beijar a mão dos donos do dinheiro. Estes dela se utilizaram para aumentarem ainda mais o seu poderio econômico, o seu lucro, a sua influência e poder de manipular e decidir, e conseguiram, basta ver, por exemplo, os lucros auferidos pelos bancos a cada ano, nos últimos 14 anos.
Quem já estudou alguma coisa sobre o Socialismo Fabiano, sabe que os donos da bufunfa agem assim mesmo. Não se preocupam com quem senta no torno, porque sabem que nem este e nem o trono por si só não lhes representa ameaça.
O finado comunista Ernest Hemingway, escritor americano, autor entre outros, de “Por quem os sinos dobram”, romance ambientado durante a guerra civil espanhola (1936-1939) dizia com conhecimento de causa que o melhor da festa é esperar por ela.
Parece que, por ora, a festa para os seus companheiros do Brasil, acabou. Mas, fica o consolo e a certeza da substancial folha de serviços prestados algo que, poderá, no futuro, servir de pretexto para uma nova convocação por parte daqueles que de fato mandam porque possuem em quantidade inimaginável aquilo que tudo torna possível e tudo transforma, aquilo que de fato tem valor numa sociedade, em sua esmagadora maioria criada e mantida apenas para obedecer, produzir riqueza e consumir migalha: o dinheiro.
* Publicado na edição de 16/4/2016, à pág. 2 no Jornal Diário do Rio Claro.


Um comentário:

  1. O problema é que, o "bolo" (R$ arrecadado) está pequeno demais para tanto "ratos" (corruptos). Sem esquecer que a corrupção está no sangue da maioria dos brasileiros (suborno no trânsito, sonegação tributária ao não exigir Nota Fiscal, "caixinha" para ser benificiado, uso de pessoas influentes para resolver problemas pessoais, enfim o jeitinho brasileiro em tudo...)

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