quinta-feira, 26 de maio de 2016

ALÉM DAQUELAS ÁRVORES

Amigos, leitores e familiares:

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Queridos, estou em entendimento com uma editora para uma nova publicação de minha autoria, o romance “ALÉM DAQUELAS ÁRVORES” que escrevi há alguns anos e que recentemente retirei da gaveta e revisei. Mas não estou seguro se devo publicá-lo ou não. Trata de um tema bastante delicado e pouco compreendido pelo espírito humano, também causador de muita mágoa, revolta e incompreensão e com desfecho inevitável para a tragédia. Coloquei os 7 primeiros capítulos em um blog que fiz exclusivamente para compartilhar com vocês este meu projeto. Dependendo o interesse e a reação de vocês ao projeto, eu me decidirei pela publicação ou não do livro. Mas não tenho todo tempo do mundo (não tenho mesmo) e gostaria muito de poder contar com a opinião de vocês. Para ter acesso aos 7 primeiros capítulos de “ALÉM DAQUELAS ÁRVORES” o endereço eletrônico é:  http://alemdaquelasarvores.blogspot.com.br/  Podem opinar à vontade e sem receio. Tenho plena consciência e me submeto a ideia, muito verdadeira, de que o autor está sujeito a chuva de pedras e de flores, desde que torna pública a sua obra. Obrigado pelo carinho e atenção de todos vocês e, no aguardo de manifestações. Beijos...

terça-feira, 24 de maio de 2016

O SR. H.

Acordei pela manhã – acho que por volta de 6 e 15, já havia clareado o dia – com uma ideia genial, que me decidi por não anotá-la, por absoluta preguiça de levantar-me da cama, e acabei por perdê-la. Noutros tempos, isso me deixaria extremamente irritado, mas hoje não. As ideias devem percorrer a mente, mas não permanecer, as aves ocupam o céu voando. Lembro-me de ter escrito isso ou algo assim, alguma vez, em algum lugar, mas isso também não faz diferença, não tem a menor importância.
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Escrever tornou-se ofício de tolos. Quase todo mundo se vê tentado a traduzir pensamentos e ideias em palavras, porque consideram – eu presumo – que escrever lamúrias sobre amores ginasianos não correspondidos, é fazer literatura. Muitos os chamados e poucos escolhidos. Aqui também se aplica a máxima. Quando escrever era coisa de alguns é que era excitante. Hoje, é banalidade. Louvemos a banalidade e participemos da festa. Ou a ignoremos sob o pretexto de mantermos a dignidade.   
Como espírito, ter nascido aqui deve ter valido alguma coisa. Mas, como escritor e poeta (o que alguns me consideram – malditos sejam!) foi um desastre. E abraçar essa doutrina que busca entendimento e conforto no mais além, foi o golpe de morte às minhas pretensões. Ainda bem que tudo passa, que nada permanece, sequer nós mesmos permanecemos, e quero muito acreditar que nem as ideias, os argumentos, as certezas haverão de permanecer. Tudo há de tomar forma e adquirir conteúdo na tola pretensão humana de entender e descobrir coisas e a si mesmo. Mas há de se diluir a tola pretensão no nada imenso da consciência livre de cada um de nós. Ou coisa alguma faria sentido fosse feita para durar para sempre.
Evolução ao infinito é sinônimo de imperfeição. Como pode ser perfeito algo que jamais se dá por concluído? Há nisto uma contradição que só mesmo a fé cega pode ignorar. E enquanto vou diluindo minha bílis noturna nestas linhas mal traçadas levanto-me da cama, vou ao banheiro, encaro no espelho a figura desleixada, patética, indiferente, quase fantasmagórica, na qual me tornei, pouco a pouco, de modo quase imperceptível, com o passar dos anos, esculpida laboriosa e pacientemente, à custa de todos os vícios e excessos possíveis.
Convenci-me por esses dias que atualmente a literatura me proporciona mais satisfação e gozo, lendo-a que a produzindo. Algo parecido já me ocorre há algum tempo com a beleza humana. Se me faz mais prazeroso observá-la à distância, que tocá-la e explorá-la com aquele ímpeto abjeto humano, próprio dos animais. Sandice incontrolável por um desejo mundano e pecaminoso que devo evitar.
Ainda preservo em meu espírito, a capacidade de absorver a riqueza do perfume das flores, a preciosidade de um sorriso de criança, o olhar de um cão, seu olhar paciente e misterioso, algo infantil. H. tem um cão. Mas eu já lhes falei sobre isso algumas páginas atrás. O aroma de um prato delicioso, feito por mãos hábeis e carinhosas, também me seduz. E saboreá-lo, é algo inebriante, não menos que sorver o líquido precioso guardado em velhos odres, chave que até pouco tempo, me abria portas para o outro mundo, o mundo paralelo, tão real quanto este, o mundo onde também se vive, mas só acessível àqueles que se sujeitam ao estado de consciência alterado, uma ousadia, um pecado venial para as alminhas puras imbuídas de boa fé e desejosas por misericórdia.
Por volta de 10 horas, após vestir-me, ler os jornais do dia, calçar e descalçar as chinelas, eu darei uma volta, pelas ruas do bairro, contornando esses muros altos e intermináveis, percorrendo essas calçadas onde não se nasce uma única gramínea, nem surge uma única formiga menos avisada a ser pisoteada pelas patas de um cão ou pelos pés de um passante a procura do nada, acreditando que o nada, possa mesmo levar o tempo para bem longe e mais depressa.
E assim passam-se os dias. Sem a preocupação causada pelos filhos crescidos, atualmente em lugar incerto. Sem a necessidade louca e irresponsável, devoradora de vida e de sentimentos, para satisfazer as expectativas de pessoas sempre presentes, que sempre levaram de mim tudo o que podiam e nada me trouxeram que ficasse.
Muito bem, senhores dadivosos, dentre os quais Samuel, Fiódor e Franz, eu poderia colocá-los todos sob meus pés,  mas não acho que o esforço valha pena. Já tirei a todas as minhas conclusões, e me refestelo no sétimo céu, diferentemente de vocês que padecem no Umbral. E espero que lá permaneçam. Porque sinceramente, viverei mil anos sem compreender por quais motivos vocês levaram tanto tempo, senhores, para chegarem à mesmíssima conclusão que o finado Sr. H. Por sinal, não me furtarei à pergunta: acaso já o encontraram por essas bandas?
O passeio pelas ruas do bairro, como de hábito, nada trouxe de novo e nem de proveitoso. Nem mesmo com a simpática senhora loira a passear com seu cãozinho peludo, deparei-me nesta manhã. Talvez esteja ausente, viajando, disse-me que iria, se me lembro bem, da última vez em que lhe dei a oportunidade de ocupar preciosos cinco minutos de meu escasso e valioso tempo.
Lembro-me que quando eu tinha 40 anos, pouco mais pouco menos, deliciava-me com a tarefa de fazer compras no mercado municipal aos sábados pela manhã. Comer aquele pastel de carne feito na hora e encontrar frutas e hortaliças que geralmente não se encontra em lugar nenhum por melhor que seja a procedência, era, entretanto experiência enriquecedora para meu corpo sedento por emoções primitivas.
Mas isso já não tem mais nenhuma importância, já não significa absolutamente nada, não desperta nenhum sentimento de satisfação momentânea, mas sem o qual não se vive. Sujeitar-se às emoções efêmeras não nos faz obter da vida tudo o que de bom e de melhor ela pode nos proporcionar. O finado Sr. H. dizia que a vida importa em face dos bons e raros momentos que nos proporciona. Fui mais além, quando decidi por eu mesmo tornar esses bons momentos não raridade, mas rotina.
Um poeta disse que seus heróis morreram de overdose. Eu não tive heróis, eu o fui. Eu fui exército de um homem só. Traduzindo: de eu mesmo. Observei as pessoas e delas me utilizei sem que soubessem para chegar às minhas conclusões. Fingi que as amava e que eram importantes para mim, para expô-las diante de meus olhos, desnudas, absolutamente indefesas, usando dos recursos e estratégias que qualquer bom conhecedor da alma humana possui. E consegui. Obtive êxito em meu intento, sem experimentar, nem mesmo por um instante, nenhuma culpa ou remorso.
Durante muito tempo, escrever fora um modo de sobreviver à doença. Mas o remédio se tornou ineficaz e o tratamento dispendioso. Repetir os fatos é estupidez porque revela ignorância, a incapacidade de quem os comete, e, ao mesmo tempo, é irritante, porque demonstra a inutilidade do procedimento. Percorro ainda por essas calçadas, nessa manhã de outono, convicto, de que, diferentemente de meus olhos, meu espírito já não vê nenhum caminho adiante. Talvez o vislumbre, quem sabe, quando esses olhos se cansarem da rotina, de encontrar a cada instante sempre as mesmas coisas, as mesmas luzes, os mesmos rostos. Talvez.  Virei avisá-los acaso consiga.

  

domingo, 22 de maio de 2016

FILOSOFIA DE SOFÁ

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A palavra vivifica, o exemplo arrasta, é verdade, Paulo, mas como você bem sabe só a própria experiência depura a alma, e vivê-la exige coragem.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

HARMONIA

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O problema maior e mais evidente das pessoas que vivem dando cabeçadas na vida, prejudicando a si e aos outros é que são detentoras de uma energia espiritual, portanto psíquica e emocional, desajustada e mal direcionada. Uma vez conscientes disso e dispostas a equilibrar essa energia, poderão direcioná-la para o bem e tudo aquilo que é bom. E assim, trilharem na vida um caminho mais seguro, menos difícil, realizador e vitorioso, conforme a sua possibilidade e o seu merecimento.

NEM A TERRA NEM AO MAR

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Nada que é demais é bom, nem mesmo a fé, nem mesmo o amor. A sabedoria, portanto, a paz e a felicidade possíveis, para espíritos meia-boca e vacilões feito nós, consiste em buscar e encontrar e estabelecer constantemente o tanto quanto possível, o equilíbrio, a harmonia entre a razão e os sentidos, que são a nossa essência.

PORQUE NÃO ACREDITO

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Não quero ser o chato, estraga prazer, nem arauto do caos, porém, não me furto à racionalidade. Àqueles que se esbaldam de esperança com o novo governo, eu lhes pergunto: Que novo governo? Se o grupo político é o mesmo. Mudam as cabeças, o resto do corpo se mantém. O impeachment não foi aprovado na Câmara e no Senado porque nossos representantes estavam convencidos dos crimes de responsabilidade fiscal cometidos por madame. Mas porque precisavam de um pretexto para tirar ela de lá. Fácil entender, quando o time vai mal e perde jogos em sequência e de goleada, quem é que paga o pato? O técnico. No caso aqui, a presidenta. Algo precisou ser feito quando a água bateu no pescoço do empresariado, dos industriais, comerciantes e o pessoal do agronegócio. Banqueiro não, porque banqueiro nunca perde. Então onde buscar apoio? Onde essa elite se faz mais bem representada, na maçonaria, que, mais uma vez, determina o curso da história deste país. Portanto, paremos de hipocrisia. Não tem nada dessa coisa de por fim a corrupção, porque a classe política será corrupta, enquanto a sociedade brasileira for corrupta. A mudança tem que partir de nós. Difícil, não? Portanto, pode mudar a mosca que a (...) será a mesma. O “atual” governo faz no momento o discurso que mais agrada ou menos agride ao povo. Mas na prática, a conversa é outra. E vai ser cada vez mais, sob alegação de que, para por a casa em ordem será preciso sacrifícios. De quem? De nós, trabalhadores, é claro. Estão sim ameaçadíssimas as conquistas sociais. E até que o povo se convença disso será tarde. Paro por aqui. Reiterando de que não acredito em nada que tem comandante e comandados, nada que se organiza, nada que pretende doutrinar, subjugar mentes e corações. Nada.


LISTA DOS AUTORES PREFERIDOS PELOS BRASILEIROS. SERÁ MESMO?

Ainda bem que já era mais de 6 da tarde, de uma sexta-feira, e, a essa altura, os líquidos preciosos já haviam me proporcionado aquela sensação gostosa, inebriante de relaxamento mental muscular compulsório. Porque, caso contrário, bem provável seria que eu tivesse uma síncope ao me deparar com uma famigerada lista de procedência desconhecida, publicada no site do jornal Estadão, que tem a tola pretensão, como, aliás, todas as listas padecem desse mal incurável, de estabelecer os 15 autores preferidos do leitor brasileiro. Isso já é uma temeridade por si só. Mas, vamos lá! Dos 15 nomes que aparecem na lista constam dois autores esotéricos (Paulo Coelho e Augusto Cury) dois espíritas (Chico Xavier e Zibia Gasparetto) e um católico (adivinhe quem? – se pensou em Padre Marcelo Rossi, me desculpe, mas você não é a pessoa mais indicada para me fornecer as seis dezenas do próximo sorteio da mega sena.

Se a pretexto de desinformação ou burrice mesmo da parte de quem elaborou a pergunta da pesquisa, o fato é que Chico Xavier e Zibia Gasparetto devem sua citação  a Emmanuel e Lucius, os espíritos que teriam dado as comunicações (leia-se livro) que os citados receberam mediunicamente, portanto, Chico e Zíbia nada escreveram de sua própria lavra, mas serviram-se apenas de instrumentos para tanto. O que já invalidaria a famigerada lista, na qual figura também, num honroso sétimo lugar, o autor de uma nota só, Jorge Amado, que passou sua vida escrevendo sobre um mesmo assunto, como se ensaiasse e bem para escrever o grande livro de sua carreira, que por sinal, jamais escreveu.
A classe poética está devidamente representada por Cecília Meirelles, Carlos Drummond e Vinicius de Moraes, este, de fato, um poetinha. Vejam que eu escrevi devidamente e não bem representada. Porque o termo “bem representada”, de fato, aqui não se encaixa.
Ada Pelegrini, quem? Também consta da lista. E acredite: José de Alencar, talvez devido o fato de sua presença constante nos livros lidos (?) para os vestibulares.
Sob esse aspecto o que não dizer de Machado de Assis, que, no próximo dia 2, completaria mais um ano de vida. Ele está em segundo lugar. Porra, Machado, você bem merecia uns bons pé d’ouvidos, porque perder a liderança para o pai de Narizinho, Pedrinho e Visconde de Sabugoza, é algo injustificável, para um autor da sua envergadura.
Tem outro cara que consta dessa lista, de nome John Green, aquele mesmo, sobre o qual saem resenhas grandiosas e fotos gigantescas nos cadernos de cultura dos jornalões da capital paulista, a cada vez que o bonitinho de óculos lança um livro, adquirido a peso de ouro por alguma editora brasileira. Livros que a gente se arrisca a algumas páginas, mas que, em geral, não passa da sexta ou sétima, com muito boa vontade, e a pretexto de justificar os 50, 60 reais desembolsados num momento de grande excitação etílica e falta de lucidez.
Pra encerrar a conversa desagradável, na tal listinha também aparece o Maurício de Souza, mais conhecido como o mentor intelectual do crime, digo, o criador de Mônica e Cebolinha.

Quem teria feito essa pesquisa, baseado em quê, e com qual objetivo senão o de preencher espaço em site noticioso, desprezado pela publicidade, eu não sei. Mas bem poderia ter abdicado da ideia, como qualquer cidadão que se pretenda a leitor, abdicará logo da sua, caso se oriente por essa tal famigerada listinha.

terça-feira, 17 de maio de 2016

NENHUM DE NÓS

De que me vale falar aos doutos e aos sábios?
Levantar palanques e púlpitos aos que já conhecem o caminho
E me encerrar na turba que aplaude e reverencia o óbvio

De que me adianta oferecer o banquete aos saciados?
Se lá fora continuam a morrer de fome os necessitados

De que me adianta reverberar a palavra dos entendidos
Que cantantes felizes desfilam e discursam no tablado dos iluminados
Se no canto escuro da sala, permanecem solitários os perturbados
A espera da palavra, a minha, a sua, que possa orientá-los, esclarecê-los e confortá-los

Por isso não acuso a decisão, a opinião alheia, todos tem o direito de se expressar
Mas nestes caminhos por mim já percorridos, não tornarei
Porque sei o perigo que representam e o destino para onde levam

Deus se utiliza dos loucos para confundir os sábios, alguém disse
Entre os loucos prefiro estar
Neles encontra-se amor e verdade mais facilmente

Falar aos iguais é lugar-comum
Caridade é ouvir a palavra e o clamor de quem chora de dor
Ler e divulgar os livros: tarefa menos difícil
Acalmar a tempestade de corações e mentes desvalidos
Enxugar o pranto, desmentir o santo, é caridade
E sem ela não me salvo, nem você, nenhum de nós.

Parece que já nos esquecemos disso.
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sábado, 14 de maio de 2016

SEMINÁRIO ESPÍRITA ACONTECE NESTE DOMINGO EM RIO CLARO

Acontece neste domingo, 15, o II Seminário Anual Espírita de Rio Claro, que promete reunir centenas de adeptos e simpatizantes do Espiritismo de Rio Claro e cidades da região.
O evento acontecerá na sede da ASFAFI (Associação dos Servidores do Campus de Rio Claro da UNESP) localizada à Rua 16-B No. 1347, com Avenida 16-A, no Bairro Bela Vista.
Como ocorrera em 2015, a comissão organizadora preparou uma programação especial que terá a presença dos palestrantes: Nazareno Feitosa, Izaías Claro e Paulo Henrique Bueno, que trarão temas atuais abordados sob a ótica dos ensinamentos espíritas. Abrilhantando o evento, a parte musical terá a participação da cantora Andrea Bien que apresentará um repertório especialmente preparado para o seminário.
Nazareno Feitosa (Reprodução)
O II SEMEAR terá como tema “Caridade: amor em ação” e terá início às 08 da manhã e término programado para 4 da tarde.
A comissão organizadora do II SEMEAR informa que, além das palestras, haverá também café da manhã, coffee break e almoço aos participantes. Um stand de livros será instalado no interior do recinto com vários títulos da literatura espírita disponíveis a preços bastante acessíveis.
Equipes de monitores da mocidade espírita e da evangelização infantil estarão desenvolvendo atividades paralelas com as crianças e adolescentes.
Os palestrantes escritores presentes ao evento estarão disponíveis para autógrafos. E conforme ainda a comissão organizadora do II SEMEAR uma surpresa está preparada ao final da programação.
O II Seminário Espírita Anual Espírita de Rio Claro tem o apoio da U.S.E.I.R.C. – União das Sociedades Espíritas – Intermunicipal de Rio Claro e reúne em sua organização, representantes das casas espíritas local.

Geraldo José Costa Junior
1º. Secretário da Comissão Executiva da USEIRC 
União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Rio Claro

9-9821-8329

domingo, 8 de maio de 2016

ACAMPAMENTO

Vai silenciando a noite. Carros já quase não passam. Pessoas, algumas. Morcegos perdidos voam rasantes. Um cão solitário, chama... Seu chamado ganha a dimensão do infinito. Procura-se o líquido precioso em algum recipiente que, por acaso, esta noite, não se encontra no canto da parede, nem debaixo da cama, nem dentro do armário. Uma voz feminina ao telefone. Bem, isso é imaginação. Onde o telefone? Restam as páginas de Wilde, as incertezas do amanhã que irão acompanhar as horas, dando-lhes uma atmosfera de medo e solidão. Rotina. Lembra-se que vem o depois, quando, teimosamente se abre os olhos à procura do sono que não vem, e, ao acaso, se respira. Dá-se conta do que é viver. Ou quase isso.

MAIS ALÉM...

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Cuidado com aqueles que vêm a público em nome de todos arrotar sabedoria, cagar regras, impor verdades. Cuidado com os filósofos e os jornalistas, os escritores e os poetas. Cuidado com os Reinaldos, os Olavos, os Cortelas, os Carnals e os Safatles (com o perdão da ofensa) e as Marilenas. Cuidado. Muito cuidado, com os Agostinhos, os Paulos e Saulos, os Joões e os Franciscos, as crias de Hyeronimus. Prefira os músicos, que não falam à mente, mas apenas ao coração. Toda suposta sabedoria, toda regra obedecida, toda verdade almejada, é tão somente um modo de impor limites à vida.

DIVERSÃO AOS DOMINGOS EM RIO CLARO, ERA UMA VEZ

Houve tempo em que a diversão aos domingos para a família rio-clarense era o almoço em família e os jogos de futebol dos times profissionais no período da tarde.

Quem não apreciava assistir vinte e dois marmanjos correndo atrás de uma bola, podia pedalar pelas ruas planas e quase desertas, aproveitando pra visitar um parente ou um amigo.
Alguns preferiam um passeio até o Horto, e se muito calor fizesse havia também a opção dos rios que circundam a cidade e para onde se deslocavam caminhões e kombis lotados.
As piscinas dos clubes sociais eram também bastante freqüentadas. Mas quem preferia ficar em casa recuperando as energias para encarar o batente na segunda-feira, curtia no conforto da sala, ao programa Silvio Santos ou aos seriados estrangeiros da TV Globo, também conhecido como enlatados, onde a única certeza para o telespectador era que o herói se sairia bem ao final do episódio.

Para quem preferia, entretanto, as emoções da sétima arte vistas da tela grande, Rio Claro oferecia três ótimas salas de cinema, o Excelsior, o Variedades e o Tabajara. Filmes campeões de bilheteria eram aguardados com grande expectativa por vários meses ou até anos. Mas valia a pena esperar.
Este é um pequeno retrato da maneira como o rio-clarense se divertia aos domingos nos anos 1970 e 1980, quando, para muitos, as pessoas eram mais próximas, menos egoístas, o tempo demorava mais a passar e a sociedade vivia com mais segurança.
A partir dos anos 1990 com o surgimento e a popularização do vídeo cassete as coisas começaram a mudar e se acentuou mais ainda, quando os computadores e a internet invadiram as casas dos brasileiros trazendo o mundo para dentro delas.
Atualmente, as opções de diversão para os rio-clarenses aos domingos diferem daquelas de anos passados, mas continuam existindo.
Os clubes de futebol da cidade já não jogam mais aos domingos à tarde. O Velo Clube, desde que ingressou na série A-2 do Campeonato Paulista, em 2011, prefere jogar geralmente às sextas-feiras à noite, e o Rio Claro, até este ano integrante da elite do futebol paulista realizou alguns jogos aos domingos, mas às 6 e meia da tarde e quando não às 7 da noite, atendendo exigências das emissoras de televisão. Resta aos amantes do futebol, acompanhar aos domingos pela manhã aos jogos dos campeonatos amador e varzeano que reúnem sempre um bom número de esportistas nos vários estádios distritais da cidade.

Os clubes sociais, como Grêmio da Paulista, Ginástico, Clube de Campo, Floridiana e Grêmio da Bela Vista continuam em atividade e com suas piscinas à espera dos associados e frequentadores, mas Grêmio e Ginástico já não realizam as famosas e badaladas discotecas em período noturno, a exemplo da Filarmônica que atualmente está em processo de revitalização.
Ao que se refere aos clubes sociais, a opção aos domingos à tarde, são os bailes realizados pela Sociedade Veteranos, reunindo dançarinos de todas as idades, de Rio Claro e região num ambiente familiar e descontraído.
Para quem continua curtindo um filme aos domingos à tarde com direito a pipoca e refrigerante, as 5 salas de cinema instaladas no Shopping Center Rio Claro, oferecem essa opção de divertimento.
Nos bairros periféricos, a sofrência rola solta nos bares e botequins com música ao vivo, churrasco, cerveja gelada e muito bate-papo.

Na área central funcionam a todo vapor as sorveterias, uma boa pedida, para um outono com cara e ares de verão.
Quem prefere uma diversão sadia ao ar livre para relembrar as canções do passado, pode freqüentar as tradicionais serestas que acontecem nas manhãs de domingo no Jardim Público.
As praças públicas, inclusive, existem em Rio Claro em grande número, e poderiam ser uma ótima opção de lazer e diversão para a família rio-clarense, principalmente em tempos de pouca grana, se fossem mais bem cuidadas e abrigassem uma programação cultural permanente.
Como se vê, opções para se divertir aos domingos em Rio Claro não faltam. Basta esquecer um pouco o whatsapp e o facebook.

Obs: As fotos são reproduções da web e copiadas descaradamente. Obrigado.


domingo, 1 de maio de 2016

SENNA E VILLENEUVE: HERÓIS DAS PISTAS

O mês de maio marca o desaparecimento de dois ícones do esporte. Eles tinham o mesmo olhar sereno e profundo. Audaciosos, velozes e idolatrados, escreveram em épocas distintas algumas das páginas mais belas e empolgantes do automobilismo mundial.
O canadense Gilles Villeneuve despediu-se para sempre dos seus inúmeros fãs durante os treinos para o GP da Bélgica de Fórmula 1, no circuito de Zolder, no dia 8 de maio de 1982. Após tocar na traseira do March de Jochen Mass, que vinha lento pela pista, sua Ferrari decolou e Villeneuve fora arremessado para fora do carro. Com o impacto que seu corpo sofrera contra o alambrado de proteção, teve morte instantânea.

Antes desse fim trágico, porém, Villeneuve protagonizou um “péga” inesquecível com o francês René Arnoux, da equipe Renault, em 1979, no circuito de Dijon Prenois, na França, disputando lado a lado, curva a curva o segundo lugar da corrida, durante várias voltas, prendendo no assento os telespectadores de todo mundo e colocando de pé o público presente ao autódromo.
Também em 1979, na Holanda, pilotara com o pneu traseiro esquerdo de sua Ferrari completamente dechapado, só desistindo da competição quando informado pelos mecânicos nos boxes que a traseira do carro estava destruída. Seu estilo agressivo de pilotar a Ferrari vermelha de Maranello era expectativa de show para os aficionados pelo automobilismo, remetendo-os aos tempos de outros ídolos como Fangio, Ascari, Moss, Hill, Clark, Stewart, Hunt e Regazoni.
Em 1981, no Canadá, mais uma de suas peripécias, quando o bico da sua Ferrari se partiu e cobriu sua visão por várias voltas, sob forte chuva, até se soltar por completo, não impedindo-o de subir ao pódio em terceiro lugar.
Ao longo dos 6 anos que durara sua carreira na Fórmula 1, Villeneuve conquistou 6 vitórias, 2 pole position e estabeleceu vários recordes de pistas e melhores voltas. Morreu aos 32 anos, deixando um filho pequeno de nome Jacques, que, 15 anos depois viria a obter a consagração máxima nas pistas que faltara ao pai, tornando-se campeão mundial de Fórmula 1.
Senna: The Best
Para muitos, ele era e continua sendo simplesmente o melhor. A ausência de Ayrton Senna da Silva é um vazio jamais preenchido no coração de seus fãs brasileiros, japoneses e de qualquer parte do mundo onde haja alguém que compreenda o fascínio da velocidade.
Obstinado pela vitória, perfeccionista na arte da pilotagem, Senna competiu numa época em que vários ótimos pilotos disputavam a cada metro de asfalto as melhores voltas, as vitórias e os títulos, o que engrandece ainda mais os seus feitos. Allain Prost, seu maior rival nas pistas, o brasileiro Nelson Piquet, tri campeão mundial como Senna, além do inglês Nigel Mansel, pra citar alguns desses rivais.

Senna estreou na Fórmula 1 em 1984, marcando seus primeiros pontos já na primeira corrida. Mas foi no GP de Mônaco daquele mesmo ano, que depois, viria a vencer por seis vezes, que despertou a atenção de todos que acompanham o fascinante circo da Fórmula 1. Debaixo de muita chuva, pilotando um Toleman, completou a prova em segundo lugar, depois de ultrapassar feras consagradas como o austríaco e tri-campeão mundial Niki Lauda.
No ano seguinte, em Portugal, conquistaria a sua primeira vitória pilotando uma Lotus. Mas foi na McLaren, para a qual se transferira em 1988, em busca do título que lhe faltava, que Senna escrevera uma era memorável na história da Fórmula 1, obtendo seus três títulos mundiais (88,90,91), e estabelecendo recordes que permanecem até hoje.
Protagonizou em Donington Park em 1993 aquele que é considerado o mais brilhante desempenho de um piloto numa corrida de Fórmula 1, ao ultrapassar todos os  carros na primeira volta, depois de ter tido problemas na largada.
Vencera duas vezes o GP Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, em 1991 e 1993 levando o público ao delírio. Polêmico, bateu de frente com o todo poderoso Jean Marie Balestre, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), algo que a maioria dos pilotos não ousava fazer devido ao perfil autoritário do dirigente.
Ao chegar à McLaren em 1988, encontrou como companheiro de equipe o francês Allain Prost, à época já bi-campeão mundial naquela escuderia. Sabia que para dividir as atenções e receber o mesmo tratamento que Prost, precisaria ser mais rápido que ele e foi o que tratou de fazer.
Senna não media esforços para atingir seus objetivos. Para ele não bastava competir era importante vencer. Exatamente por isso, em 1994, deixou a McLaren onde reinara durante 7 anos e transferira-se para a Williams com a esperança de que a equipe pudesse fazê-lo lutar por vitórias e títulos novamente. Sonho interrompido em 1º. de maio daquele ano, na curva Tamburello, durante o GP de San Marino, em Ímola, na volta número 7, quando liderava a prova. Naquele dia, morria o herói, nascia o mito.
Geraldo J. Costa Jr. é escritor, autor de A Tarde Demora a Passar e O Intermediário, pela editora Lexia, e Sob o Manto da Noite, pela editora Multifoco. Também escreve para sites, jornais e revistas.