domingo, 8 de maio de 2016

ACAMPAMENTO

Vai silenciando a noite. Carros já quase não passam. Pessoas, algumas. Morcegos perdidos voam rasantes. Um cão solitário, chama... Seu chamado ganha a dimensão do infinito. Procura-se o líquido precioso em algum recipiente que, por acaso, esta noite, não se encontra no canto da parede, nem debaixo da cama, nem dentro do armário. Uma voz feminina ao telefone. Bem, isso é imaginação. Onde o telefone? Restam as páginas de Wilde, as incertezas do amanhã que irão acompanhar as horas, dando-lhes uma atmosfera de medo e solidão. Rotina. Lembra-se que vem o depois, quando, teimosamente se abre os olhos à procura do sono que não vem, e, ao acaso, se respira. Dá-se conta do que é viver. Ou quase isso.

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