sexta-feira, 20 de maio de 2016

LISTA DOS AUTORES PREFERIDOS PELOS BRASILEIROS. SERÁ MESMO?

Ainda bem que já era mais de 6 da tarde, de uma sexta-feira, e, a essa altura, os líquidos preciosos já haviam me proporcionado aquela sensação gostosa, inebriante de relaxamento mental muscular compulsório. Porque, caso contrário, bem provável seria que eu tivesse uma síncope ao me deparar com uma famigerada lista de procedência desconhecida, publicada no site do jornal Estadão, que tem a tola pretensão, como, aliás, todas as listas padecem desse mal incurável, de estabelecer os 15 autores preferidos do leitor brasileiro. Isso já é uma temeridade por si só. Mas, vamos lá! Dos 15 nomes que aparecem na lista constam dois autores esotéricos (Paulo Coelho e Augusto Cury) dois espíritas (Chico Xavier e Zibia Gasparetto) e um católico (adivinhe quem? – se pensou em Padre Marcelo Rossi, me desculpe, mas você não é a pessoa mais indicada para me fornecer as seis dezenas do próximo sorteio da mega sena.

Se a pretexto de desinformação ou burrice mesmo da parte de quem elaborou a pergunta da pesquisa, o fato é que Chico Xavier e Zibia Gasparetto devem sua citação  a Emmanuel e Lucius, os espíritos que teriam dado as comunicações (leia-se livro) que os citados receberam mediunicamente, portanto, Chico e Zíbia nada escreveram de sua própria lavra, mas serviram-se apenas de instrumentos para tanto. O que já invalidaria a famigerada lista, na qual figura também, num honroso sétimo lugar, o autor de uma nota só, Jorge Amado, que passou sua vida escrevendo sobre um mesmo assunto, como se ensaiasse e bem para escrever o grande livro de sua carreira, que por sinal, jamais escreveu.
A classe poética está devidamente representada por Cecília Meirelles, Carlos Drummond e Vinicius de Moraes, este, de fato, um poetinha. Vejam que eu escrevi devidamente e não bem representada. Porque o termo “bem representada”, de fato, aqui não se encaixa.
Ada Pelegrini, quem? Também consta da lista. E acredite: José de Alencar, talvez devido o fato de sua presença constante nos livros lidos (?) para os vestibulares.
Sob esse aspecto o que não dizer de Machado de Assis, que, no próximo dia 2, completaria mais um ano de vida. Ele está em segundo lugar. Porra, Machado, você bem merecia uns bons pé d’ouvidos, porque perder a liderança para o pai de Narizinho, Pedrinho e Visconde de Sabugoza, é algo injustificável, para um autor da sua envergadura.
Tem outro cara que consta dessa lista, de nome John Green, aquele mesmo, sobre o qual saem resenhas grandiosas e fotos gigantescas nos cadernos de cultura dos jornalões da capital paulista, a cada vez que o bonitinho de óculos lança um livro, adquirido a peso de ouro por alguma editora brasileira. Livros que a gente se arrisca a algumas páginas, mas que, em geral, não passa da sexta ou sétima, com muito boa vontade, e a pretexto de justificar os 50, 60 reais desembolsados num momento de grande excitação etílica e falta de lucidez.
Pra encerrar a conversa desagradável, na tal listinha também aparece o Maurício de Souza, mais conhecido como o mentor intelectual do crime, digo, o criador de Mônica e Cebolinha.

Quem teria feito essa pesquisa, baseado em quê, e com qual objetivo senão o de preencher espaço em site noticioso, desprezado pela publicidade, eu não sei. Mas bem poderia ter abdicado da ideia, como qualquer cidadão que se pretenda a leitor, abdicará logo da sua, caso se oriente por essa tal famigerada listinha.

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