terça-feira, 17 de maio de 2016

NENHUM DE NÓS

De que me vale falar aos doutos e aos sábios?
Levantar palanques e púlpitos aos que já conhecem o caminho
E me encerrar na turba que aplaude e reverencia o óbvio

De que me adianta oferecer o banquete aos saciados?
Se lá fora continuam a morrer de fome os necessitados

De que me adianta reverberar a palavra dos entendidos
Que cantantes felizes desfilam e discursam no tablado dos iluminados
Se no canto escuro da sala, permanecem solitários os perturbados
A espera da palavra, a minha, a sua, que possa orientá-los, esclarecê-los e confortá-los

Por isso não acuso a decisão, a opinião alheia, todos tem o direito de se expressar
Mas nestes caminhos por mim já percorridos, não tornarei
Porque sei o perigo que representam e o destino para onde levam

Deus se utiliza dos loucos para confundir os sábios, alguém disse
Entre os loucos prefiro estar
Neles encontra-se amor e verdade mais facilmente

Falar aos iguais é lugar-comum
Caridade é ouvir a palavra e o clamor de quem chora de dor
Ler e divulgar os livros: tarefa menos difícil
Acalmar a tempestade de corações e mentes desvalidos
Enxugar o pranto, desmentir o santo, é caridade
E sem ela não me salvo, nem você, nenhum de nós.

Parece que já nos esquecemos disso.
Reprodução

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