domingo, 1 de maio de 2016

SENNA E VILLENEUVE: HERÓIS DAS PISTAS

O mês de maio marca o desaparecimento de dois ícones do esporte. Eles tinham o mesmo olhar sereno e profundo. Audaciosos, velozes e idolatrados, escreveram em épocas distintas algumas das páginas mais belas e empolgantes do automobilismo mundial.
O canadense Gilles Villeneuve despediu-se para sempre dos seus inúmeros fãs durante os treinos para o GP da Bélgica de Fórmula 1, no circuito de Zolder, no dia 8 de maio de 1982. Após tocar na traseira do March de Jochen Mass, que vinha lento pela pista, sua Ferrari decolou e Villeneuve fora arremessado para fora do carro. Com o impacto que seu corpo sofrera contra o alambrado de proteção, teve morte instantânea.

Antes desse fim trágico, porém, Villeneuve protagonizou um “péga” inesquecível com o francês René Arnoux, da equipe Renault, em 1979, no circuito de Dijon Prenois, na França, disputando lado a lado, curva a curva o segundo lugar da corrida, durante várias voltas, prendendo no assento os telespectadores de todo mundo e colocando de pé o público presente ao autódromo.
Também em 1979, na Holanda, pilotara com o pneu traseiro esquerdo de sua Ferrari completamente dechapado, só desistindo da competição quando informado pelos mecânicos nos boxes que a traseira do carro estava destruída. Seu estilo agressivo de pilotar a Ferrari vermelha de Maranello era expectativa de show para os aficionados pelo automobilismo, remetendo-os aos tempos de outros ídolos como Fangio, Ascari, Moss, Hill, Clark, Stewart, Hunt e Regazoni.
Em 1981, no Canadá, mais uma de suas peripécias, quando o bico da sua Ferrari se partiu e cobriu sua visão por várias voltas, sob forte chuva, até se soltar por completo, não impedindo-o de subir ao pódio em terceiro lugar.
Ao longo dos 6 anos que durara sua carreira na Fórmula 1, Villeneuve conquistou 6 vitórias, 2 pole position e estabeleceu vários recordes de pistas e melhores voltas. Morreu aos 32 anos, deixando um filho pequeno de nome Jacques, que, 15 anos depois viria a obter a consagração máxima nas pistas que faltara ao pai, tornando-se campeão mundial de Fórmula 1.
Senna: The Best
Para muitos, ele era e continua sendo simplesmente o melhor. A ausência de Ayrton Senna da Silva é um vazio jamais preenchido no coração de seus fãs brasileiros, japoneses e de qualquer parte do mundo onde haja alguém que compreenda o fascínio da velocidade.
Obstinado pela vitória, perfeccionista na arte da pilotagem, Senna competiu numa época em que vários ótimos pilotos disputavam a cada metro de asfalto as melhores voltas, as vitórias e os títulos, o que engrandece ainda mais os seus feitos. Allain Prost, seu maior rival nas pistas, o brasileiro Nelson Piquet, tri campeão mundial como Senna, além do inglês Nigel Mansel, pra citar alguns desses rivais.

Senna estreou na Fórmula 1 em 1984, marcando seus primeiros pontos já na primeira corrida. Mas foi no GP de Mônaco daquele mesmo ano, que depois, viria a vencer por seis vezes, que despertou a atenção de todos que acompanham o fascinante circo da Fórmula 1. Debaixo de muita chuva, pilotando um Toleman, completou a prova em segundo lugar, depois de ultrapassar feras consagradas como o austríaco e tri-campeão mundial Niki Lauda.
No ano seguinte, em Portugal, conquistaria a sua primeira vitória pilotando uma Lotus. Mas foi na McLaren, para a qual se transferira em 1988, em busca do título que lhe faltava, que Senna escrevera uma era memorável na história da Fórmula 1, obtendo seus três títulos mundiais (88,90,91), e estabelecendo recordes que permanecem até hoje.
Protagonizou em Donington Park em 1993 aquele que é considerado o mais brilhante desempenho de um piloto numa corrida de Fórmula 1, ao ultrapassar todos os  carros na primeira volta, depois de ter tido problemas na largada.
Vencera duas vezes o GP Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, em 1991 e 1993 levando o público ao delírio. Polêmico, bateu de frente com o todo poderoso Jean Marie Balestre, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), algo que a maioria dos pilotos não ousava fazer devido ao perfil autoritário do dirigente.
Ao chegar à McLaren em 1988, encontrou como companheiro de equipe o francês Allain Prost, à época já bi-campeão mundial naquela escuderia. Sabia que para dividir as atenções e receber o mesmo tratamento que Prost, precisaria ser mais rápido que ele e foi o que tratou de fazer.
Senna não media esforços para atingir seus objetivos. Para ele não bastava competir era importante vencer. Exatamente por isso, em 1994, deixou a McLaren onde reinara durante 7 anos e transferira-se para a Williams com a esperança de que a equipe pudesse fazê-lo lutar por vitórias e títulos novamente. Sonho interrompido em 1º. de maio daquele ano, na curva Tamburello, durante o GP de San Marino, em Ímola, na volta número 7, quando liderava a prova. Naquele dia, morria o herói, nascia o mito.
Geraldo J. Costa Jr. é escritor, autor de A Tarde Demora a Passar e O Intermediário, pela editora Lexia, e Sob o Manto da Noite, pela editora Multifoco. Também escreve para sites, jornais e revistas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário