domingo, 24 de julho de 2016

NOVES FORA



A revolução possível e necessária é parar de financiar governos corruptos e incompetentes, através dos escorchantes e absurdos impostos, taxas e contribuições pagas. Mas, para isso, a sociedade civil precisa se unir, se organizar e tomar o seu destino em suas próprias mãos, tomar o poder de fato e parar de transferi-lo àqueles que não lhe dão a mínima. E essa tarefa, cabe, em primeiro lugar, às pessoas de bem, esclarecidas, humanistas, imbuídas de boa fé e espírito altruísta, independentemente de sua opção religiosa ou ausência dela. Mas, enquanto esses se omitirem nenhuma mudança verdadeira será possível. – g.j.c.jr. – 24/7/2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

PÉ NA ESTRADA



Na atualidade, todas as formas de loucura estão à solta, batendo às portas de nossas mentes e de nossos corações; para cometê-las basta sintonizar com elas e ceder aos seus instintos. – g.j.c.jr. – 11/07/2016

segunda-feira, 18 de julho de 2016

VENÇA-SE!


NÃO VIOLÊNCIA! ENQUANTO FORMOS CAPAZES DE NOS AGREDIRMOS E NOS PREJUDICARMOS UNS AOS OUTROS, JAMAIS SABEREMOS O QUE É UMA VIDA MELHOR, UM MUNDO MELHOR. NÃO NOS ILUDAMOS COM OS LOUROS DA VITÓRIA, OBTIDO SOBRE OUTRO ALGUÉM. É TÃO SOMENTE UMA ILUSÃO PASSAGEIRA, QUE INEBRIA E ACABA POR NOS DERROTAR. - g.j.c.jr. - 18/7/2016

MENTE TERMINAL


Reprodução

Dominar a mente e os instintos é dominar-se a si mesmo. E dominar-se a si mesmo é poder conduzir-se por sua vontade própria, e não ser conduzido por forças externas e contrárias. – g.j.c.jr. – 15/7/2016

sábado, 16 de julho de 2016

SIDEWALK



De repente me dá uma vontade louca de vê-la.
E receber de novo aquele seu abraço forte, apertado, infinito.
E encontrar aquele seu olhar voltado para o meu, como a se perguntar: você bem podia...?
Mas aqui não cabe uma pergunta, mas, uma certeza: a de que levarei comigo, de algum modo, a lembrança do seu olhar e da sua voz.
De repente, eu me surpreendo a admirá-la, tentando deparar-me com algum defeito seu, que justifique a loucura de querê-la perto, mas é certo, que, em sua vida não há espaço, para espera, dúvida, incerteza. Medo, não mais.
Não importa, porque tocá-la nem é tão importante, e possuí-la, é apenas ilusão do momento.
De repente me dá uma vontade louca de vê-la.
Basta a sua presença perto, para que tudo à minha volta se ilumine.
E o estímulo para viver, renasça, forte, apertado em meu coração, longo.
Como o caminho que ainda terei de percorrer.
Até um dia alcançá-la, tomar sua mão...
E caminharmos juntos.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

PARECE QUE FOI ONTEM



Faz parte sentir frio? Não sei até hoje. Mas acontece todo mês de Julho. Todo mês de Julho acontece um amor. Vem para substituir outro. Amores são como livros, é preciso que outro ocupe logo o vazio deixado. E traga de novo as mesmas alegrias, as mesmas dores, os mesmos prazeres e as mesmas expectativas, sem as quais, nenhum amor vale a pena. São coisas que se repetem, mas que sempre surgem com caras e ares diferentes. Livros e amores. Por vezes, eles se encontram no mês de Julho. E por vezes se sucedem.
Foto: Rio Claro on line
Mas aquele era um feriado, e ainda estávamos no mês dos fogos, aniversário da cidade. E, não longe, G. ouvia o já surrado, quase careca, e menos atrevido Zambianchi, repetir pela enésima vez, o mais famoso, pegajoso e cantado refrão do rock brasileiro: (...) Mas só chove, chove, chove! Chove, chove, chove!... Ouh!
O som vinha de longe. Algumas dezenas de quarteirões de onde G. estava. Sentado na cadeira de plástico branca, um tanto confortável naquela noite, diferentemente de tantas outras, ele lia a página 11, da mais recente edição de “A Metamorfose” do Sr. K. Aquele trecho em que o despertador avisa que já são sete horas, mas a neblina densa entristece o dia que apenas começa.
E a exemplo do herói do romance, G. também esperava que o silêncio daquele quarto, à meia luz, fizesse voltar as circunstâncias reais e naturais de uma vida que até certo instante dos acontecimentos, dos quais procurava esquecer, acreditara mesmo fosse sua. A vida. Aquela absurdidade incompreensível, inaceitável, e intempestiva, por vezes.
Mas ainda não era Julho. E, portanto, restava-lhe escrever na vã esperança de que as palavras pudessem vir à tona, transbordante e indecentemente, antes dos sentimentos. E aconteceu então que, por volta de 22:33, Paul McCartney surgiu na programação noturna da rádio 850 AM, cantando “My Love”.
É tudo. O texto que se escreve e a vida inútil do nosso personagem teriam terminado ali, na voz romântica do Sr. McCartney, que cortava o silêncio do quarto e trazia lembranças que G. imaginava já sepultadas na indiferença com a qual aprendera a lidar com coisas complicadas e de difícil entendimento, como o amor. Mas então, a proximidade do mês de Julho ocorreu-lhe na lembrança trazendo certo desconforto, alguma irritação, que G., noutros tempos, nem tão distantes, tiraria de letra, recorrendo a uma prece decorada e um copo d’água. Mas não. Não era o caso. De todo modo, quisesse ou não, viriam os dias de Julho, e talvez trouxessem os mesmos sentimentos que durante onze meses do ano, imaginava sepultados a sete palmos da sua consciência oprimida.
Certa manhã viria, e seria G. acordado pela senhora saudade, que lhe faria companhia enquanto durasse o período mais rigoroso do inverno, segundo a moça do tempo. Bem sabia G. sobre a tragédia que se anunciava. Viria uma outra noite, uma qualquer, trazendo aqueles momentos da vida, para ele detestáveis, que o fazia odiar a noite. Se visse uma estrela no céu ficaria algo feliz. Vira duas da última vez. Ótimo. Sentia-se mesmo incapaz de encontrar beleza naquelas horas escuras, nenhuma beleza que não fosse o brilho da lua e das poucas estrelas, nada mais. E a noite, sem pedir licença, nem desculpa, traria a solidão, que ficaria posta, feito sentinela, aos pés da cama, no quarto, aquele, onde até bem pouco, o grande enigma da vida para o nosso personagem era entender porque o Sr. K. escolhera justamente uma barata para dar asas ao seu desejo de liberdade.
No décimo dia do mês de Julho, repetir-se-ia como já acontecera outras vinte e cinco vezes, até aquele instante, a certeza com a qual, antes do nosso personagem, muitos anos antes que ele sonhasse existir, o bruxo Machadinho, de saudosa memória, também se deparara quando escrevera: “uma mãe perde-se uma vez e nunca mais se encontra”. Vai se desfazendo, não o sentimento, mas a presença, de um modo lento, inseguro, tímido, exatamente como um retrato fixado na lápide de uma sepultura, exposta ao tempo, ao vento, à distância, entregue e submisso ao nada, e talvez para sempre. Mãe, pedacinho de céu, onde se põe o coração, imaginando-se eternamente protegido de tudo e de todos. Ledo engano.
Viria também uma outra tarde, uma qualquer. Uma daquelas que duram pouco, porque, naquele período do ano, a claridade entre nuvens vai cedendo espaço à escuridão que chega mais cedo. Mas enquanto houvesse sol, estaria àquela mesma voz, falando aos ouvidos de G., como há duas dezenas de anos, quase três, fazendo-lhe a mesma pergunta: “Por que você demorou tanto a surgir”?
Como se ele tivesse a resposta! Jamais tivera. Duas dezenas de anos, quase três, já não faziam diferença.
Não havia mais o banco da praça, nem a linha do trem, nem mesmo o trem, barulhento e velho, passando atrás de si. Havia tão somente o quarto e a solidão. E a certeza de que haveria logo o mês de Julho, em sua vida, de novo, trazendo-lhe como sempre, o início e o fim.