sábado, 27 de agosto de 2016

IN DUBIO PRO REO



Que me prove o contrário a vida
A voz que por ela fala e ecoa, ou a consciência que a determina
Que me demonstre o verso da página escrita, em branco
Esperando que a vontade sufocada o preencha
Que me prove o meu erro, a vida
Que me leve para longe
Que me chame para o canto
E me demonstre com palavras sinceras e sábias
Todos os meus erros e enganos
Que o faça longe dos olhos
Daqueles que me acusam em silêncio
Porque sabem nada podem
Diante de minha teimosia, outrora ousadia;

Que me faça deitar a vida
Sob a relva gelada desta noite fria
E faça passar o tempo
Mais, bem mais que o possível
Que adiante o tormento,
No prolongamento da noite parida
Que se repete a cada seis e meia
Da tarde, a hora maldita
Que venha logo o anjo libertador
Não aquele de asas,
Mas o que traz a carta de alforria
Valjean, este é seu dia
Que me prove a vida o contrário
De tudo o que vivi, sonhei e acreditei
A cada manhã, a cada esperança perdida
Tombada, inerte, na recusa recebida
Na indiferença atirada contra a face, esta
Escondida agora no escuro
Disfarçando no silêncio as lágrimas...
...Jamais vistas
Que me prove a vida o contrário
Ao despertar, do lado de lá, se houver...
... Nem sei
Que me prove o contrário a vida



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