terça-feira, 6 de setembro de 2016

AMANHÃ, TALVEZ...



Precisava chorar, mas não tinha lágrimas.
Uma boa noite de sono talvez resolvesse, como das outras vezes, mas ele não vinha.
Como entender melhor o mundo? Como aceitar melhor a vida? Se deles não conseguia apartar-se, nem mesmo por um instante.

É preciso ver as coisas do alto, dizia-lhe a senhora sabedoria. Na verdade, cansara-se de lhe dizer ao longo daqueles anos todos, mas de nada resolvera. Qual a importância dos conselhos para os ouvidos moucos, para os olhos que não podem e não querem ver?
Repetia-se a situação. Tomara vários caminhos, que a nenhum destino o conduzira. E agora, percebia com certa raiva de si mesmo, que tomara o mesmo atalho, que o obrigava, de novo, a juntar os farelos do pão, da toalha de mesa, pra, quem sabe, enganar a fome.
Seria mais digno juntar moedas. Mas elas haviam terminado. Que fazer?
Resolvera tomar a única atitude possível naquele momento. Olhar adiante, seguir em frente, viver um dia de cada vez.
E se houvesse amanhã, quando houvesse, quem sabe, voltaria a escrever aquela frase escondida em algum cantinho da sua mente e do seu coração. Porque doutro modo não faria sentido.

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