quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

PERDER-SE



Perder-se
Perder-se numa rua reta
Nas curvas do atalho
Perder-se a contemplar o céu
Acompanhando o movimento das nuvens
Perder-se a observar o olhar... do gato, à procura
Perder-se nos minutos das horas que demoram a chegar
Mas que nenhum segundo sequer perdem, quando levam
O que julgam lhes pertencer
Perder-se na rotina elaborada das páginas escritas
Em meio aos escombros do que fica
Perder-se a contemplar a profusão de luzes
Imaginando que elas irão revelar o destino, a forma, a melhor, de amar
Perder-se ao contar os dias, sentado na calçada, encostado no poste,
Enquanto tudo passa, todos passam, e ninguém o vê
Perder-se acreditando-se capaz
De acordar pela manhã uma nova pessoa
Que deixa na escuridão da noite, na confusão dos sonhos,
Todos os seus medos
Perder-se ao som do violino
Encoberto, desaparecido, aos poucos, pela voz, que declama, canta
Os sonhos que sequer lamberam os pés da realidade
Perder-se, porque a vida é feita mesmo disso
Uns se perdem, se desnudam, se revelam
Se oferecem em sacrifício
Para que outros, os fracos, evitem o caminho
Desviem do buraco, fujam da escuridão
Onde, certamente, jamais suportarão
Viver...
Perder-se: sacrifício


Reprodução

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