sexta-feira, 17 de março de 2017

O MELHOR ESTÁ POR VIR



Não existe o fim. Porque se há alguma coisa, que não sabemos definir, mas sabemos existir, que é a causa de tudo, e se é verdade que esse algo é eterno, então o que se dá é a transformação (por vezes por meio da destruição aparente), é o aperfeiçoamento constante de tudo, inclusive de nós, os seres que pensam, sentem e agem, e também deste mundo, ao qual estamos abrigados atualmente, e, por fim, de tudo mais, tudo o que conhecemos e o que desconhecemos, ainda.
As mentes invigilantes, os olhos distraídos, se deixam levar facilmente por hipóteses aventadas, sobre seres outros, astros, palavras ditas e escritas há séculos, milênios, como se daqueles tempos para o tempo atual, a vida de todos nós, as nossas crenças, as nossas potencialidades, as nossas virtudes permaneceram estacionadas, o que não se parece razoável, considerando que tudo se transforma e evolui.
Melhor seria se deixássemos de olhar demais para o céu e passássemos a ver mais, sentir mais, o que acontece à nossa volta, diante de nossos olhos, ao alcance de nossas mãos. Talvez, por nossa conta, conseguíssemos plantar e colher a nossa felicidade e a nossa paz interior – g.j.c.jr. – 18/3/2017

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sexta-feira, 10 de março de 2017

DEPOIS DA QUEDA



Quantas vezes há de se lutar e perder
Deparar-se com o muro
O abismo e enfrentá-lo
Tão difícil quanto encontrar palavras
É admitir a culpa, suportar o castigo
Passar pelo tempo com indiferença
Como se ele não existisse
Reconciliar-se consigo
Pensar as feridas
Imolar-se à consciência
Render-se à necessidade
Do perdão
Então,
Vislumbrar um novo caminho
Longa subida
Tudo de novo
Depois da queda
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DATAS QUE NADA SIGNIFICAM



A modinha agora é determinar o ano de 2057 para a transformação do planeta. Sim, caro leitor, isto mesmo, transformação, porque destruição tornou-se politicamente incorreto. Imagine! Destruir a beleza desse mundo! Quem teria coragem?
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Fazendo as contas estaríamos a apenas 40 anos distantes do infausto acontecimento. Nada mal, a distância já foi bem menor. Alguém disse (será que disse mesmo?) que de dois mil não passaria. Passou, e muito. Depois vieram com 2012, 2019, e alguns falam em 2036 para o fim do mundo. Leia-se: transformação do mundo para melhor.
Quer saber? Tudo baboseira. É a história de sempre. Misticismo vende. Há sempre alguém disposto a falar sobre coisas que outros teriam dito ou escrito. E há sempre alguém disposto a ouvir e ler essas mesmas coisas.
As pessoas, em geral, transferem para o mundo do maravilhoso e do fantástico suas mais inconfessáveis aspirações, porque se reconhecem incapazes de torná-las realidade. Então, apela-se para Deus. Agora, cuidado, nada de subalternos ou de imediatos. É Deus, mesmo. Porque se Ele manda em tudo, só ele resolve.
Espere um pouco... Outra coisa resolve, quando Deus tira férias ou se esconde no armário. É o pensamento positivo. Ah, meu velho, este pode tudo. Vai nessa, bonitão! Não estude e não trabalhe pra ver o que lhe acontece.
Mas o fato é que a vida nem é tão assim misteriosa ou difícil. Para todos sem distinção, ela estabelece um roteiro inescapável, e para aqueles que ousam transgredi-lo ou modificá-lo a vida cobra muito caro. Eis o roteiro: estude, se forme, trabalhe, constitua uma família, cuide dela até o fim dos seus dias, que pode vir através da velhice (pouco provável), da doença (muito provável) ou da tragédia. Mas, convenhamos, quem de nós teria esse privilégio de entrar para a história vítima de uma tragédia. Bem poucos, não é?
Se todos se ocupassem de seguir o roteiro natural da vida, o mundo seria menos tormentoso, menos pesado, a humanidade deixaria de procurar pelo em ovo, através das religiões e trataria de cuidar cada qual da própria vida que, aliás, ainda que muitos ousem não enxergar o fato, é feita de começo, meio e fim. E pra isso não há remédio.
* Publicado na edição de 14/4/2017 do Jornal Tribuna 2000, de Rio Claro, à pág.7.

quinta-feira, 9 de março de 2017

LEGADO NENHUM



Maracanã abandonado, Arena Pantanal abandonada, Parque Olímpico, no Rio, abandonado. Qual o legado da Copa do Mundo 2014 e da Olimpíada 2016 para o Brasil? Nenhum. Ou melhor, equipamentos esportivos que custaram bilhões de reais aos cofres públicos, agora sucateados. Dinheiro do contribuinte, ou seja, nosso, que foi para o ralo ou para o bolso de alguns espertalhões, e que jamais, em que pese os esforços das autoridades, será recuperado.
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É assustadora a capacidade que o brasileiro tem para acreditar em promessas que se sabe jamais serão cumpridas. Vê-se isso a cada 4 anos, durante as campanhas eleitorais. Os episódios esportivos aqui mencionados não fogem à regra.
Quando houve a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e depois, para a Olimpíada 2016, no Rio de Janeiro, o ufanismo próprio de nossa natureza, fomentou o sentimento de uma possível afirmação perante a comunidade internacional. Sim, o Brasil havia prosperado. Tanto que poderia até se dar ao luxo de organizar eventos esportivos que outros países em condições econômicas muito melhores desistiram de realizá-los.
E o resultado é o que se vê. E quem paga por isso? Evidentemente que nós, os contribuintes, porque os governos não assumem responsabilidade nenhuma perante seus nefandos atos.
O Brasil vive sua pior crise econômica, o Rio de Janeiro, idem. É fato que o ex-governador carioca Sergio Cabral mofa na cadeia, de onde logo sairá, não tenham dúvida. Lula e Dilma, ex-presidentes, à época da pitoresca aventura futebolística, fazem planos para se candidatarem novamente a cargos públicos. Ele, para presidente da república. E pasmem, pesquisas apontam um possível favoritismo seu, que, talvez não se confirme, se a Polícia Federal bater às suas portas por esses dias, que parecem nunca chegar, testando a paciência e a crença na justiça dos brasileiros de bem.
Nosso futebol continua medíocre. Nossos esportes olímpicos já se acham esquecidos por autoridades e patrocinadores que, até ontem mesmo, lhes prometiam mundos e fundos. Vê-se o caso do ginasta Artur Zanetti, medalhista olímpico por duas vezes (Ouro, Londres, 2012 e Prata, Rio, 2016), que é tratado com descaso pela prefeitura de São Caetano do Sul como revelou matéria veiculada pela tevê recentemente.
Isso tudo é resultado de querer construir um palacete sem alicerce. Ou seja, querer que o país prospere, sem o devido investimento em educação pública, agricultura e indústria, pra falar o de menos.
Ilude-se o povo, que adora mesmo uma ilusão. Alguns tomam o poder, enriquecem e dane-se o resto. Uma passada de olhos pela história do Brasil e você, leitor, verá que é mesmo assim, que a história não tem fim, como diria Betânia.
*Publicado na edição de 11/3/2017, à pág. 7, do Jornal Tribuna 2000;
*Publicado na edição de 11/3/2017, à pág. 2, do Jornal Diário do Rio Claro.