sexta-feira, 10 de março de 2017

DATAS QUE NADA SIGNIFICAM



A modinha agora é determinar o ano de 2057 para a transformação do planeta. Sim, caro leitor, isto mesmo, transformação, porque destruição tornou-se politicamente incorreto. Imagine! Destruir a beleza desse mundo! Quem teria coragem?
Reprodução
Fazendo as contas estaríamos a apenas 40 anos distantes do infausto acontecimento. Nada mal, a distância já foi bem menor. Alguém disse (será que disse mesmo?) que de dois mil não passaria. Passou, e muito. Depois vieram com 2012, 2019, e alguns falam em 2036 para o fim do mundo. Leia-se: transformação do mundo para melhor.
Quer saber? Tudo baboseira. É a história de sempre. Misticismo vende. Há sempre alguém disposto a falar sobre coisas que outros teriam dito ou escrito. E há sempre alguém disposto a ouvir e ler essas mesmas coisas.
As pessoas, em geral, transferem para o mundo do maravilhoso e do fantástico suas mais inconfessáveis aspirações, porque se reconhecem incapazes de torná-las realidade. Então, apela-se para Deus. Agora, cuidado, nada de subalternos ou de imediatos. É Deus, mesmo. Porque se Ele manda em tudo, só ele resolve.
Espere um pouco... Outra coisa resolve, quando Deus tira férias ou se esconde no armário. É o pensamento positivo. Ah, meu velho, este pode tudo. Vai nessa, bonitão! Não estude e não trabalhe pra ver o que lhe acontece.
Mas o fato é que a vida nem é tão assim misteriosa ou difícil. Para todos sem distinção, ela estabelece um roteiro inescapável, e para aqueles que ousam transgredi-lo ou modificá-lo a vida cobra muito caro. Eis o roteiro: estude, se forme, trabalhe, constitua uma família, cuide dela até o fim dos seus dias, que pode vir através da velhice (pouco provável), da doença (muito provável) ou da tragédia. Mas, convenhamos, quem de nós teria esse privilégio de entrar para a história vítima de uma tragédia. Bem poucos, não é?
Se todos se ocupassem de seguir o roteiro natural da vida, o mundo seria menos tormentoso, menos pesado, a humanidade deixaria de procurar pelo em ovo, através das religiões e trataria de cuidar cada qual da própria vida que, aliás, ainda que muitos ousem não enxergar o fato, é feita de começo, meio e fim. E pra isso não há remédio.
* Publicado na edição de 14/4/2017 do Jornal Tribuna 2000, de Rio Claro, à pág.7.

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