quinta-feira, 7 de setembro de 2017

AMORES DE MI VIDA



Amo as pessoas que excedem
Amo os pecadores
Amo os impuros, os sedentos de amor, os incompreendidos
Amo o cair do pano, a nona hora, quando tudo termina
Amo os umbralinos, lugar melhor não há de se encontrar poesia
Amo os poetas e a poesia
A poesia cantada, musicada, declamada, a poesia
Amo os que se recusam, os que dizem não
Amo os que rasgam o véu da intolerância e da incompreensão
Amo os perdidos
Os que sem rumo vagueiam, são filhos de Deus, muito mais
Do que aqueles que se acham... Filhos... de Deus,
Amo a vela se apagando, o último suspiro
O derradeiro acorde, a letra final, o ponto final
Amo tudo o que é contra, tudo o que vai em sentido contrário
Amo a revolta, desconfio da humildade, travestida de hipocrisia
Amo a coragem, dos que se atiram à vida
Presente em cada momento, cada olhar, cada respiração
Cada não que se recebe daqueles que tem o poder
Efêmero, temporário, transitório, reles poder
Amo a página acabada, a página virada, a rima esquecida
A palavra em suspenso, a ideia contida
Que desce latrina abaixo
Toda vez que a inspiração se transforma em desilusão
Um copo, dois copos, decepção
Amo a vontade parida, na realidade dorida
Amo o amanhã que sempre chega e nada traz
Nada de novo, e de belo, nada.
Amo a Deus, mesmo sem saber o que é, seja lá o que for
Se tudo ele começou, saberá como terminar
Amo, amo sim, muito, quem se dispuser, depois de mim
Apagar a luz
Amo a independência, a mentira
Amo os livros que nunca leio, que tomo e não devolvo
As roupas esquecidas no armário, os calçados debaixo da cama, empoeirados
Amo o alimento estragado, repasto dos cães, perdidos na noite, já fui um deles
Eu sou um poeta, um escritor medíocre, mas verdadeiro, não esperem outra coisa de mim
Boa noite

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